Revista Oeste
A Polícia Federal (PF) identificou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro um grupo de WhatsApp que, segundo os investigadores, era utilizado para orientar dois subordinados do Banco Master na elaboração de documentos fraudulentos relacionados à venda de carteiras de crédito ao Banco Regional de Brasília (BRB). Em uma das conversas, Vorcaro reclama de divergências em valores apresentados em extratos enviados ao banco estatal. “Não fecha a conta”, escreveu. As mensagens fazem parte da investigação da PF sobre supostas irregularidades em aportes de ao menos R$ 12,2 bilhões feitos pelo BRB no Master. + Leia mais notícias de Política em Oeste O inquérito também apura suspeitas de pagamento de propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa , acusado de favorecer interesses de Vorcaro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo . Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro | Foto: Divulgação/BRB Na avaliação da PF, os diálogos reforçam a participação direta de Vorcaro e de executivos do Master na produção de documentos supostamente falsificados para garantir recursos do banco estatal. Segundo os investigadores, os valores ajudariam a enfrentar a crise de liquidez do banco controlado pelo empresário desde agosto de 2024. O grupo identificado pela PF se chamava “INFO - BRB” e reunia Vorcaro, Alberto Félix — então superintendente de tesouraria do Master — e Ângelo Silva, diretor financeiro da instituição na época dos fatos. As defesas dos dois executivos não responderam aos questionamentos da reportagem. Vorcaro usava possível empresa de fachada em documentos para o BRB Em 23 de junho de 2025, Vorcaro cobrou dos subordinados o envio de um extrato relacionado a carteiras de crédito consignado atribuídas à empresa Tirreno, apontada pelos investigadores como possível empresa de fachada. O documento seria encaminhado ao BRB. Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz no bairro Itaim Bibi, em São Paulo | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil “Cadê o extrato?”, escreveu o banqueiro às 18h56. Em resposta, Alberto Félix reenviou um arquivo denominado “Tirreno_junho.pdf”. Poucos minutos depois, Vorcaro demonstrou irritação com os números apresentados. “Pessoal. Saldo não pode ser 6.400!!! Era 7.200. Valor da recompra”, afirmou, em referência a valores de R$ 6,4 bilhões e R$ 7,2 bilhões. Félix respondeu que o documento ainda considerava débitos pendentes. Vorcaro rebateu: “Não interessa. Não fecha a conta. Vamos ter que colocar remuneração”. Segundo a PF, a conversa evidencia tentativa de manipulação dos valores do extrato bancário. O Banco Central (BC) já havia apontado inconsistências semelhantes ao questionar a ausência de rendimentos financeiros no documento apresentado pelo Master. “O primeiro aspecto a ser destacado aqui é a manipulação do valor final do extrato relativo ao pagamento da Tirreno”, registrou a PF em relatório. Os investigadores afirmam ainda que o documento posteriormente entregue ao BC trazia um terceiro valor, de R$ 6,6 bilhões, diferente dos números debatidos internamente pelos executivos. Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube As suspeitas sobre as operações envolvendo a Tirreno já haviam levado o BC a solicitar esclarecimentos ao Master em março de 2025. O órgão questionava a ausência de documentação dos contratos cedidos ao BRB e o volume considerado atípico de créditos negociados. Outra frente da investigação envolve conversas de 13 de maio de 2025, nas quais Vorcaro encaminha aos subordinados uma lista de inconsistências apontadas pelo BRB nas carteiras de crédito vendidas pelo Master. Entre os problemas estavam a falta de reconhecimento em cartório dos contratos e a ausência de comprovantes de averbação. “Vou pedir para reconhecer firma dos contratos e aí já te enviamos todos”, respondeu Alberto Félix. Em seguida, Vorcaro cobrou o envio de comprovantes de registro das operações. Félix admitiu dificuldade para obter a documentação: “Esse é difícil”. Prédio do Banco Central do Brasil | Foto: Raphael Ribeiro/BCB As mensagens mostram que as pendências continuavam semanas depois. Em 23 de maio, Vorcaro voltou a pressionar os subordinados para regularizar os documentos exigidos pelo BRB. “Você consegue mobilizar todos aí pra responderem esses pontos (do) brb?”, perguntou. Félix respondeu que aguardava a emissão de contratos de “cláusula mandato”, mecanismo que permitia ao Master emitir créditos originados por outras empresas. Segundo a PF, esses contratos serviriam para dar aparência de legalidade a créditos falsificados. Vorcaro insistiu: “Não dá pra fazer um mutirão de emissão no fds [ fim de semana ]?”. Para os investigadores, o conteúdo das conversas sugere que os contratos estavam sendo produzidos ou revisados meses depois da formalização dos negócios. “Note-se que a revisão dos contratos por Alberto está ocorrendo apenas em maio de 2025 quando, ao menos em tese, os contratos já deveriam estar assinados”, afirmou a PF no relatório. Leia também: " O outro 'Sicário' de Vorcaro ", reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 323 da Revista Oeste O post Grupo de WhatsApp de Vorcaro era usado para definir fraudes no BRB, diz PF apareceu primeiro em Revista Oeste .
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