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Antissemitismo domina livros didáticos na Jordânia, país árabe que tem relações com Israel
Revista Oeste

Antissemitismo domina livros didáticos na Jordânia, país árabe que tem relações com Israel

O currículo escolar jordaniano segue reproduzindo antissemitismo, justificativas para a violência e conteúdo discriminatório mesmo depois da introdução de 32 novos livros didáticos no ano letivo de 2025-2026. A conclusão, relata o portal i24news, aparece em um relatório da IMPACT-se, organização sediada em Londres, que examinou 125 materiais escolares com base em critérios de tolerância e educação para a paz derivados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). + Leia mais notícias de Mundo em Oeste Segundo o documento, os conteúdos recém-publicados repetem os mesmos padrões problemáticos presentes em edições anteriores. Embora os livros insistam em conceitos de moderação religiosa e tolerância, esses princípios não incluem judeus nem Israel. Os judeus aparecem retratados quase sempre de forma negativa, especialmente em capítulos ligados ao início da história islâmica, nos quais mentira, traição e hostilidade ao Islã são classificadas como “qualidades naturais” e “características dos judeus”. https://www.youtube.com/watch?v=4EOdRtaXDD8 Nos materiais voltados ao sexto ano, episódios da vida de Maomé são usados para ligar personagens judeus a comportamentos considerados hostis ou moralmente condenáveis, entre os quais tentativas de “prejudicar o Profeta e os muçulmanos”. As obras também apresentam judeus envolvidos em fraudes financeiras e outros atos desonestos, sempre com destaque explícito para sua identidade religiosa, reforçando a associação entre essas práticas e o grupo judaico. No conteúdo destinado ao último ano do ensino médio, os judeus aparecem vinculados à exploração econômica por meio de referências a monopólio, usura e manipulação de mercados. Outra publicação introduzida neste ano sustenta que judeus utilizaram influência internacional para favorecer a Grã-Bretanha durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) e que judeus alemães teriam enfraquecido o esforço militar do próprio país em troca da Declaração de Balfour. Segundo o relatório, as novas edições preservam e reproduzem o mesmo tipo de narrativa antissemita observado nos livros antigos. O extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) surge apenas superficialmente em um dos novos materiais didáticos. O texto menciona crimes contra judeus sem explicar a dimensão do Holocausto e ainda coloca judeus, ciganos, russos e japoneses dentro de uma referência genérica à morte de “milhões”, criando, conforme relata o i24news, equivalência entre grupos distintos. Em outro livro que aborda a Segunda Guerra, o Holocausto simplesmente não aparece. Ao longo do currículo, Israel deixa de existir nos mapas utilizados nas salas de aula. Áreas reconhecidas internacionalmente como território israelense aparecem identificadas como “Palestina”, sem qualquer reconhecimento formal do Estado israelense. Já o sionismo é apresentado como um projeto racista, malicioso e articulado pelo Ocidente para fragmentar o mundo árabe. A versão sobre o incêndio da Mesquita de Al-Aqsa em 1969 reaparece em sete livros escolares, inclusive em materiais recém-lançados. Nessas publicações, a responsabilidade pelo ataque é atribuída falsamente a Israel ou a um “judeu extremista”. A relação diplomática estabelecida entre Jordânia e Israel em 1994 não é apresentada como um acordo de paz relevante, mas como uma medida adotada pelos jordanianos para conter supostas ambições expansionistas israelenses. Em outro trecho do currículo, as comunidades israelenses atingidas pelo grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023 aparecem tratadas como “assentamentos”. O relatório coloca que essa formulação pode transmitir a ideia de legitimidade da violência contra esses locais, enquanto a reação militar israelense recebe condenação mais severa do que o próprio ataque. Livros escolares na Jordânia carregam mensagens de antissemitismo O material didático também reforça leituras violentas da jihad (guerra santa). Entre os livros incorporados neste ciclo letivo, há exercícios escolares que comparam morrer em combate a uma celebração de casamento e afirmam que todos os filhos da Jordânia “buscam o martírio”. Soldados jordanianos mortos em confrontos contra Israel aparecem retratados como heróis e exemplos de conduta, inclusive em passagens que descrevem o sangue dos mártires “regando” o solo palestino e jordaniano. Leia mais: "Israel amplia ofensiva contra o Hezbollah e ataca mais de 100 alvos no Líbano" O relatório identifica poucos elementos tratados como avanços. Os cristãos aparecem integrados à sociedade jordaniana, com referências respeitosas às suas crenças, celebrações religiosas e locais sagrados. Também há aumento da presença feminina em cargos de liderança e funções profissionais. Algumas obras trazem ainda referências isoladas de convivência com judeus na história islâmica inicial, incluindo menções à Constituição da cidade de Medina. Para Marcus Sheff, diretor da IMPACT-se, a permanência desse conteúdo causa preocupação pelo fato de a Jordânia ocupar posição de aliada do Ocidente e manter um dos acordos de paz mais antigos com Israel. “Apesar da publicação de novos materiais para o atual ano letivo, muitos dos mesmos temas problemáticos permanecem intactos, em contradição direta com a moderação e a coexistência que a Jordânia apresenta ao mundo.” O post Antissemitismo domina livros didáticos na Jordânia, país árabe que tem relações com Israel apareceu primeiro em Revista Oeste .

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