Jornal O Globo
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) disse que não descarta a possibilidade de construir uma aliança com Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, para viabilizar uma candidatura de direita para além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi proferida nesta terça-feira, durante a participação dele em um evento com investidores em São Paulo, na sequência das críticas proferidas pelo ex-mandatário mineiro ao parlamentar pela relação revelada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na ocasião, Zema disse que as conversas sobre as composições serão deixadas mais para frente, mencionando o prazo final, fixado pela Justiça Eleitoral para o dia 15 de agosto, para o registro de candidaturas e das chapas. Na ocasião, o ex-governador mineiro frisou que o cenário também poderá mudar até lá, mas disse que manterá a campanha até o final. — Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente — disse Zema na ocasião. Zema também disse que "se dá bem com Caiado" e disse que "Goiás e Minas são estados quase gêmeos". Perguntado sobre a possibilidade de ocupar a vice na chapa do ex-governador goiano, ele questionou, em tom de brincadeira, se não poderia ser o contrário. — Eu gosto dele. No meu governo, criamos um consórcio, com sete governadores, e me dei muito bem com todos, inclusive com o Tarcísio. Goiás e Minas são quase estados gêmeos, com uma semelhança muito grande — afirmou. Na última rodada da pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, o ex-governador mineiro contabilizou 3% das intenções de voto e Caiado teve 4%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 40% e Flávio registrou 31%. No passado, Zema chegou a ser cotado por integrantes do PL como um possível vice para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a relação dele com o bolsonarismo se deteriorou nas últimas semanas. Os atritos tiveram início após as críticas proferidas por ele contra Flávio depois da revelação dos áudios enviados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O embate também chegou aos irmãos do senador pelas redes sociais. Em resposta a um comentário feito por Zema, quando ele disse que quem votará no senador para a Presidência estará entregando a eleição para a esquerda, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) escreveu em um post no X que "está para conhecer sujeito mais baixo que esse". "Tentamos e, na primeira oportunidade, vem mais uma facada! E não me venham falar que isto é pontual, pois não é", rebateu Carlos. "Este sujeito está cada dia fazendo a chance de seu partido se desintegrar de forma brutal. E os que o apoiam de forma velada ou se mantêm inertes, se mostram cada vez de forma mais cristalina o que pretendem fazer com o país", completou. Já o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se referiu ao ex-governador como "papel higiênico da esquerda" em uma publicação também pela rede social.
Go to News Site