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Garrafa do século XIX é resgatada da lama da Baía de Guanabara por pescador em área histórica de Magé | Collector
Garrafa do século XIX é resgatada da lama da Baía de Guanabara por pescador em área histórica de Magé
Jornal O Globo

Garrafa do século XIX é resgatada da lama da Baía de Guanabara por pescador em área histórica de Magé

Uma relíquia do século XIX foi resgatada da lama em Magé, no fundo da Baía de Guanabara. Durante atividades do Projeto Águas da Guanabara — ação de pescadores que desde 2022 retira lixo da baía —, o pescador Maicon Furtado encontrou uma garrafa possivelmente datada do século XIX. A peça foi achada nas proximidades do antigo porto da Estrada de Ferro Mauá, primeira ferrovia do Brasil e área tombada como patrimônio histórico nacional, sob proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O artefato, preservado apesar das condições adversas, apresenta características típicas de garrafas de grés, uma cerâmica densa e resistente muito utilizada no século XIX para armazenamento e transporte de líquidos. Esse tipo de recipiente era comum no comércio internacional e importado de países como Holanda e Alemanha para guardar bebidas como o gim ou água mineral gaseificada. O pescador Maicon Furtado faz parte do Projeto Águas da Guanabara, em que pescadores removem lixo da baía Divulgação/Projeto Águas da Guanabara Segundo o consultor histórico Jovane Vasconcelos Monteiro Filho, o objeto encontrado tem forte valor simbólico e histórico para a região. — Estamos falando de uma área diretamente ligada ao início do processo de modernização dos transportes no Brasil. A antiga Estrada de Ferro Mauá representa um marco da engenharia e da integração logística do período imperial — explica ele. — As garrafas de grés eram utilizadas principalmente para transporte de bebidas e líquidos importados da Europa. Elas eram resistentes e ideais para longas viagens marítimas. Desde o início de suas atividades, o Projeto Águas da Guanabara já retirou mais de 2.300 toneladas de resíduos da baía. O trabalho envolve a remoção de resíduos sólidos retirados dos manguezais e do fundo da Baía de Guanabara, incluindo plásticos, brinquedos, sofás, televisores e todo tipo de material descartado irregularmente. Os pescadores envolvidos na iniciativa são coordenados e filiados à Colônia de Pescadores Z9, fundada em 1933 em Magé. A garrafa será encaminhada para análise técnica especializada, que poderá confirmar sua origem e datação com mais precisão.

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