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Ferrari elétrica: Primeiro EV da marca recebe 'chuva' de críticas, é alvo de memes e causa queda nas ações; veja | Collector
Ferrari elétrica: Primeiro EV da marca recebe 'chuva' de críticas, é alvo de memes e causa queda nas ações; veja
Jornal O Globo

Ferrari elétrica: Primeiro EV da marca recebe 'chuva' de críticas, é alvo de memes e causa queda nas ações; veja

O primeiro carro 100% elétrico da Ferrari virou alvo de uma “chuva” de críticas e memes nas redes sociais, em meio à queda das ações da montadora. Batizado de Ferrari Luce, o modelo de quatro portas e cinco lugares marca uma nova fase da fabricante italiana, mas provocou reações negativas de fãs, analistas e até de Luca Cordero di Montezemolo, presidente da marca entre 1991 e 2014. O menor drone de guerra do mundo? Conheça equipamento de espionagem que cabe na palma da mão e pode ser acionado em 20 segundos; vídeo Leia também: 'Agentes de IA não são substitutos baratos para pessoas', diz o futurista Mike Walsh — Se dissesse o que penso, prejudicaria a Ferrari. Há o risco de destruir um mito, e lamento profundamente. Espero que pelo menos retirem o “Cavallino Rampante” deste carro — afirmou Montezemolo a jornalistas, ao chegar a um evento em Roma. Questionado sobre a crescente concorrência da indústria automotiva chinesa, o ex-dirigente respondeu com ironia: O então presidente da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, e então o chefe de esporte a motor da marca, Jean Todt, em 2002 AFP PHOTO/UFFICIO STAMPA — Este é certamente um automóvel que pelo menos os chineses não conseguirão copiar. Azul: Cia aérea anuncia que terá ações negociadas na Nyse American, em Nova York O Luce — “luz”, em italiano — foi desenvolvido em colaboração com a LoveFrom, agência fundada por Sir Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. O veículo é o primeiro Ferrari totalmente elétrico e também o primeiro de cinco lugares da marca. Com desenho mais próximo de um sedã e proporções maiores do que as dos esportivos tradicionais da fabricante, o modelo se distanciou da estética clássica associada à Ferrari e dividiu opiniões. Nas redes, usuários compararam o novo carro a um aspirador de pó, publicaram imagens alteradas digitalmente e fizeram montagens com veículos amassados. Um dos comentários dizia: “A Ferrari acabou de matar sua marca, assim como a Jaguar fez. Isto vai direto para o lixo do ferro-velho”. Outros internautas associaram o design a um carro mal desenhado por Homer Simpson, da série “Os Simpsons”, e a montagens geradas por inteligência artificial. Meme compara primeiro carro elétrico da Ferrari com aspirador de pó Reprodução: X A recepção negativa coincidiu com um tombo nas ações da Ferrari. Os papéis da montadora recuaram mais de 8% na Bolsa de Milão e mais de 5% em Nova York na terça-feira. Especialistas também criticaram o visual do modelo. Matt Prior, editor-at-large do site britânico Autocar, afirmou que o interior do Luce é bem executado, mas que o veículo não “grita Ferrari”. — A grande questão aqui é que não há um lugar óbvio onde o motor fica, porque não há motor; a bateria vai sob o assoalho, o que naturalmente torna o carro mais alto, e muitos fabricantes precisam lidar com como fazem isso — disse Prior. — Isso faz com que pareçam mais altos. Isso torna o visual menos elegante — acrescentou. — Para uma empresa cuja história inteira é baseada em fazer carros dinâmicos e elegantes, talvez seja mais difícil para a Ferrari contornar isso do que para outros fabricantes. Pierre-Olivier Essig, chefe de pesquisa da AIR Capital, escreveu em nota a clientes que o Luce parece uma “mistura entre um Honda Accord EV e um Tesla 3”. “Estamos perdidos na tradução com a nova estratégia da Ferrari”, afirmou. Apesar das críticas, a Ferrari defendeu o lançamento como um passo estratégico. O CEO da montadora, Benedetto Vigna, disse em Roma que o Luce levou meia década para ser desenvolvido. — Estamos convencidos de que uma empresa demonstra sua liderança quando tem coragem de ousar e enfrentar o desafio das novas tecnologias. Ferrari Luce nasceu precisamente deste desafio, oferecendo nossa visão inédita de eletrificação — afirmou. O presidente da marca, John Elkann, também apresentou o modelo ao Papa Leão, na residência de verão do pontífice em Castel Gandolfo. Ao ver o carro, o pontífice perguntou: — Este é o primeiro Ferrari de quatro portas? — O primeiro de cinco lugares — respondeu Elkann. — Não estamos simplesmente revelando um novo carro, estamos inaugurando um capítulo que transforma nossa visão em realidade, fortalecendo a tradição da Ferrari de antecipar e moldar o futuro — disse Elkann, em comunicado. O Luce tem 1.000 cavalos de potência, acelera de 0 a 60 milhas por hora — cerca de 96 km/h — em 2,5 segundos e oferece autonomia superior a 329 milhas, aproximadamente 529 quilômetros. O carro tem quatro motores elétricos, um para cada roda. Um dos desafios do projeto, segundo a Ferrari, foi criar uma identidade sonora para o primeiro elétrico da marca. A empresa afirmou que projetar o som do veículo foi “um dos desafios mais complexos e inovadores” de sua história. Em vez de imitar artificialmente o ronco de um motor a combustão, o sistema amplifica vibrações reais geradas pelos componentes elétricos para produzir um som mecânico autêntico. Nem todas as reações foram negativas. Um comentário classificou o carro como “uma aula magistral absoluta de design” e disse que o conceito LUCE é “de tirar o fôlego” e “totalmente revolucionário”. Outro usuário chamou o modelo de “diferente, mas deslumbrante”, enquanto um terceiro afirmou: “Eu adorei: é uma ruptura ousada para a Ferrari, mas é tão moderno e estiloso quanto qualquer EV de quatro portas e cinco lugares poderia ser.” O lançamento ocorre em um momento de incerteza para o mercado global de veículos elétricos. Embora as vendas tenham avançado nos últimos anos, montadoras vêm reduzindo metas de eletrificação diante da concorrência chinesa, da demanda abaixo do esperado em alguns mercados e de prejuízos bilionários no setor. A própria Ferrari, que já vende veículos híbridos, reduziu sua meta para 2030: a previsão de que 40% de sua linha fosse totalmente elétrica caiu para 20%.

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