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Paciente que morreu após procedimento com PMMA recebeu dosagem máxima indicada, diz médica | Collector
Paciente que morreu após procedimento com PMMA recebeu dosagem máxima indicada, diz médica
Jornal de Brasília

Paciente que morreu após procedimento com PMMA recebeu dosagem máxima indicada, diz médica

PAULO EDUARDO DIAS FOLHAPRESS A médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, 36, responsável por aplicar PMMA (polimetilmetacrilato) nos glúteos e na coxa da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, 48, afirmou em depoimento ter usado cem seringas durante o procedimento realizado na segunda-feira (25), na zona sul de São Paulo. Cada seringa continha 3 ml do produto, totalizando 300 ml. A informação consta no boletim de ocorrência elaborado no 27º DP (Campo Belo). Outro procedimento no quadril estava previsto para a terça-feira, uma vez que Roseli havia atingido o limite de 300 ml de PMMA permitido por aplicação na segunda, conforme relatou a médica. Ela acrescentou que o teto supostamente pode ser extrapolado caso o procedimento seja realizado em dias diferentes e áreas diversas de aplicação. Uma secretária de Tábita declarou em depoimento que o procedimento em Roseli foi orçado em R$ 54.410, pagos via Pix. O aluguel da sala custou R$ 1.500. Era a primeira vez que o espaço era utilizado pela médica, que atua em Goiânia e na capital paulista. Roseli morreu na terça-feira (26) após se sentir mal e retornar à clínica, na avenida Santo Amaro, no Brooklin, para avaliação de Tábita. A Polícia Civil investiga o caso, registrado como morte suspeita e homicídio. A defesa de Tábita disse em nota que o procedimento foi realizado sem intercorrência e que não há laudo que comprove a relação com o óbito. "A médica apresentou-se voluntariamente no 27º Distrito Policial, prestou depoimento e forneceu os documentos necessários, mantendo-se à total disposição da Polícia Civil", acrescentou, expressando ainda solidariedade à família da vítima. Em depoimento, a filha de Roseli, uma despachante de 27 anos, relatou que a mãe começou a se queixar de dores por volta das 8h de terça-feira. Roseli reclamou de mal-estar, fraqueza e chiado no peito. Segundo a filha, ela disse achar que ia morrer e que sentia o coração muito acelerado. Roseli ligou para Tábita e foi orientada a ir à clínica para avaliação. No caminho, em um carro de aplicativo, aparentava estar sem fôlego, até ficar inconsciente. Tábita realizou manobras de reanimação cardíaca na recepção do prédio onde fica a clínica. Uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi ao local e constatou a morte. Segundo a filha, Roseli havia conhecido Tábita pelo Instagram, em perfil no qual a médica publica fotos de seus trabalhos. A maquiadora havia feito um procedimento no rosto na sexta-feira (22), sem intercorrências. Ela morava no Mato Grosso do Sul e viajou a São Paulo especificamente para realizar a intervenção. De acordo com Tábita, o procedimento consistiu em remodelação de glúteos, com aplicação de 120 ml de Polimetilmetacrilato Biossimetric em gel em cada lado e 30 ml em cada região posterior. A médica afirmou aos policiais que o PMMA é seguro —ela própria disse usar no corpo— e afirmou que, em cerca de seis anos realizando procedimentos não cirúrgicos, foi a primeira vez que uma paciente apresentou complicações. Tábita informou ter pós-graduação em dermatologia, mas sem residência médica na área. Há três anos, passou a atender pacientes em São Paulo, onde aluga salas para os procedimentos. O pré-atendimento é feito pelo WhatsApp, com questionário. A médica afirmou ter solicitado exames de urina e de sangue para verificar se Roseli estava apta a realizar o procedimento. Segundo Tábita, a maquiadora havia feito intervenção semelhante com outro médico dois anos antes. A anestesia foi aplicada diluída em soro, e o procedimento durou cerca de 2h30. No pós-operatório, foram indicados repouso, antibiótico, anti-inflamatório e analgésico. A médica observou que Roseli apresentava hematomas na face decorrentes de outro procedimento realizado uma semana antes e que já fazia uso de medicamentos. Como a Folha mostrou, entidades médicas brasileiras, como CFM (Conselho Federal de Medicina), SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), posicionam-se contra o uso do PMMA para fins estéticos e pediram à Anvisa a proibição total. Em nota enviada à reportagem em março, a Anvisa afirma que realizou um processo de reavaliação do perfil de risco e benefício desses produtos e concluiu que o PMMA é aceitável quando utilizado conforme as indicações aprovadas e sob condições adequadas de uso. Segundo a agência, não há ação em andamento para proibir a substância. A Anvisa autoriza o uso do PMMA apenas para preenchimento cutâneo ou muscular com finalidade corretiva ou reparadora, por motivação de saúde e sob prescrição médica. "Não há indicação para aumento de volume meramente estético", afirma.

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