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Entregador morto na Ilha do Governador: vídeo mostra PMs descaracterizados em ferro-velho
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Entregador morto na Ilha do Governador: vídeo mostra PMs descaracterizados em ferro-velho

Entregador morto na Ilha do Governador: vídeo mostra PMs de descaracterizados em ferro-velho A família do entregador Lucas Rodrigues Rocha, de 25 anos, morto durante uma ação policial na comunidade da Vila Joaniza, na Ilha do Governador, acusa policiais militares de atuarem de forma descaracterizada antes do confronto que terminou com a morte do jovem. Imagens de câmeras de segurança obtidas pela reportagem mostram a movimentação dos agentes em um ferro-velho próximo ao local onde Lucas foi baleado. Segundo os familiares, Lucas trabalhava como entregador por aplicativo e não tinha envolvimento com o crime. “Lucas Rodrigues Rocha, 25 anos, jovem, com a vida toda pela frente. Ele foi alvejado pelas costas, com um tiro de fuzil. Ele nem teve chance de se defender, não teve chance de nada. Ele não era traficante, ele era pai de família”, afirmou a sogra de Lucas, Mariana Souza de Oliveira. A família decidiu investigar o caso por conta própria depois, segundo eles, de ver o jovem ser tratado como suspeito pela polícia. Os parentes conseguiram imagens de câmeras de segurança de um ferro-velho na região da Vila Joaniza, próximo ao local da ocorrência. As gravações mostram que, às 16h13, um carro vermelho usado pelos policiais entra no ferro-velho. O motorista desce e conversa com um funcionário. Em seguida, dois policiais militares armados saem do veículo — um do banco traseiro e outro do carona. Logo depois, mais dois PMs deixam o carro, também armados. Um deles abre o porta-malas, de onde sai um quinto policial, fardado e armado. Nas imagens, ele recebe uma arma de outro agente e pega uma escada. Os policiais caminham até os fundos do ferro-velho e analisam o ambiente. Um dos agentes apoia a escada no muro, e dois PMs sobem. A gravação é interrompida neste momento. Sete minutos depois, outra câmera registra o carro vermelho deixando o local e um blindado da Polícia Militar chegando. Segundo testemunhas, os policiais acessaram a comunidade pelo muro do ferro-velho e, em seguida, houve disparos contra um grupo considerado suspeito. “Só que o Lucas também estava nesse determinado local e ele foi alvejado pelas costas. O Lucas foi jogado dentro do blindado e assim ele permaneceu mais de uma hora dentro desse blindado”, disse Mariana. A família afirma que Lucas e outros dois homens baleados foram levados no blindado da PM para o Hospital Estadual Evandro Freire, também na Ilha do Governador. A versão da Polícia Militar é de que agentes realizavam patrulhamento próximo à comunidade da Vila Joaniza quando encontraram um grupo de homens armados. Ainda segundo a corporação, houve confronto e três suspeitos foram baleados. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Parentes dizem que Lucas Rodrigues Rocha, morto na Ilha do Governador nesta terça (26), trabalhava como entregador Reprodução “A médica disse que quando ele entrou, ele já estava em óbito. Deixaram ele morrer dentro do caveirão, não prestaram socorro”, afirmou a sogra. Segundo a família, policiais levaram de 40 minutos a 1 hora para levar o corpo do entregador para o hospital. O segundo homem baleado também morreu. O terceiro permanece internado. A Polícia Militar informou que apreendeu um fuzil e duas pistolas na ação. Familiares contam que Lucas trabalhava diariamente para sustentar a casa. Segundo a sogra, ele havia trabalhado recentemente em obras no Galeão e fazia entregas por aplicativo para complementar a renda. “Ele tem carteira assinada. Pouco tempo terminou o contrato dele. Ele trabalhava em obra no Galeão. Quando acabou o contrato, ele rodava por aplicativo para complementar a renda”, disse Mariana. Ainda de acordo com a família, Lucas estava trabalhando no momento em que foi baleado. “Ele estava fazendo uma entrega”, afirmou a sogra. Lucas Rodrigues Rocha era casado havia seis anos com Larissa e deixa dois filhos, de 3 e 6 anos. “Ele está desde ontem perguntando: ‘cadê meu pai? Meu pai está bem?’. A gente não teve nem coragem de falar para ele”, contou Mariana, emocionada. A viúva de Lucas também questiona a atuação dos policiais. “Entraram dentro de um ferro-velho sem a câmera corporativa. Era um carro descaracterizado. Eles entraram dessa forma pra quê? Por quê?”, perguntou Larissa. “Luto eterno. Quero justiça porque meu marido não era bandido, ele era trabalhador. Não media esforços para ver os filhos felizes, para me ver feliz. Ele lutava até o final”, completou. A Polícia Militar informou que instaurou um procedimento interno para apurar as circunstâncias do caso. A reportagem questionou a corporação sobre o motivo de um dos policiais ter chegado ao ferro-velho no porta-malas do carro vermelho e a quem pertence o veículo. Também perguntou se os agentes utilizavam câmeras corporais e se há imagens gravadas da ação. A PM afirmou que as câmeras não foram utilizadas e que este fato também está sendo apurado.

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