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TV Globo anuncia novidades e mira 'pluralidade singular' do Brasil de várias telas
Jornal O Globo

TV Globo anuncia novidades e mira 'pluralidade singular' do Brasil de várias telas

Termômetro das principais tendências e transformações da indústria audiovisual, o evento Rio2C foi palco, na noite desta quarta-feira (27), para o anúncio das novidades que serão lançadas pela TV Globo ao longo dos próximos meses. Em meio a um cenário de fragmentação das telas e de pulverização dos hábitos de atenção, a empresa reforçou a adoção de uma estratégia que aposta na circulação entre formatos, linguagens e plataformas — dos novelões na televisão aberta às novelinhas nas redes sociais — como forma de manter relevância cultural num ecossistema cada vez mais disperso. Mudança de paradigma: Nova edição do Rio2C põe criadores em busca do 'código de sentido' Impactos no cérebro: Rio 2C debate habilidades humanas em risco acelerado pelo avanço tecnológico — Hoje nós temos mais de 200 projetos de conteúdo em desenvolvimento e produção, e quando digo “a gente” não falo só da Globo. Quase metade desses projetos é criada junto ao mercado independente — detalha Amauri Soares, diretor dos Estúdios Globo e da TV Globo, no painel “Globo: é muito Brasil pra contar”. — Essa parceria é motivo de muito orgulho, porque é uma fonte de energia inesgotável de Brasil que dá potência para o nosso portfólio de histórias. Galerias Relacionadas Segundo a emissora, o entrecruzamento de linguagens não surge do nada: ele responde a transformações reais no comportamento do público brasileiro, que se apresenta, firme e forte, como tradução de uma “pluralidade singular”, algo mapeado com precisão no estudo “Cultura no espelho”, feito em parceria com a Quaest e apresentado anteontem durante o Rio2C. Telas que crescem Algumas tendências ajudam a explicar parte do atual reordenamento do consumo cultural. A primeira é a explosão do gênero documental como paixão brasileira, em fenômeno relativamente recente que o streaming acelerou — e que transborda das telas, transformando figuras reais em algo próximo a tipos fictícios. Initial plugin text Produções recentemente lançadas pelo Globoplay, como “O testamento: o segredo de Anita Harley” e “Territórios — Sob o domínio do crime”, são exemplos de como o gênero mobiliza pautas em nível nacional. Desde 2020, quando a plataforma disponibilizou o primeiro produto do tipo (“Marielle — O documentário”), mais de cem séries e filmes documentais foram realizados pela empresa. E o número não para de crescer. Até o fim do ano, 12 novidades devem aportar no catálogo, como “Vitória da Paz” e “Voepass 2283”, entre outros. — O documentário é bem-sucedido quando apresenta o que testemunhou sem juízo de valor. Se isso é alcançado, há um tipo de mobilização por parte de quem está assistindo que vai além da mera avaliação “bom ou ruim’, “certo ou errado” sobre alguém — analisa o jornalista Pedro Bial. — A produção, então, bota a pessoa para pensar nas próprias atitudes e decisões de comportamento... E na própria moral, né? Os “docs” viram, assim, fenômenos pop, tornam-se assuntos de mesa de bar e são acompanhados que nem novela. Maria Gal como Carolina Maria de Jesus Ana Branco/ Agência O GLOBO Nesta quarta-feira (27), estrelas da emissora subiram ao palco da Cidade das Artes — onde acontece o Rio2C até domingo — para esmiuçar o novíssimo cardápio de novelas, séries, reality shows e atrações esportivas. E mais. Nomes como Lázaro Ramos, Mariana Ximenes e Antonio Fagundes indicaram que parte das novidades está atrelada ao universo cinematográfico, filão que passará a ser mais explorado pela empresa. Seguem em produção ou finalização títulos como “Chorão: só os loucos sabem”, inspirado na trajetória do vocalista da banda Charlie Brown Jr, interpretado pelo ator José Loreto; “Carolina Maria de Jesus”, cinebiografia da escritora mineira; “Antártida”, que acompanha os passos de uma subcomandante da Marinha na região polar; e “A viagem”, versão fílmica da novela homônima de Ivani Ribeiro, agora protagonizada por Carolina Dieckmann e Pedro Novaes. Outro fato fresquinho: um longa inédito protagonizado por Anitta — que fará o primeiro grande trabalho como atriz — começou a ser rodado nesta quarta-feira (27). Outra tendência tem a ver com os vídeos curtos para celular, que comandam boa parte do tempo de tela dos brasileiros. De olho no fenômeno, a Globo planeja lançar pelo menos uma novelinha por semana — e entenda por “novelinha” um folhetim com capítulos de três minutos filmado no formato vertical. A empresa já produziu 27 títulos do tipo e criou uma plataforma específica para isso, o Globopop. Mudanças no jornalismo Em ano de eleição presidencial, a emissora também prepara reformulações na tradicional cobertura política. Pela primeira vez, o debate entre candidatos será exibido logo após o Jornal Nacional. As entrevistas com os postulantes também ganham formato independente, na sequência do JN: no primeiro turno, serão apresentadas por César Tralli e Renata Vasconcellos; em caso de segundo turno, o comando ficará com Renata Lo Prete. — É com o público, e só com ele, o nosso compromisso de trazer informação verdadeira, isenta e completa para que a gente possa ajudar o eleitor a tomar decisões. É muito Brasil para votar — diz Renata Lo Prete. — E, atendendo a uma demanda de longa data, já que o “late night” é difícil às vezes, o debate será transmitido mais cedo, em horário nobre. Isso é importante.

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