Jornal O Globo
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de hoje, em primeiro turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada 6x12 e garante a todos os trabalhadores dois dias remunerados de descanso por semana e garante a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas. Foram 472 votos a favor e apenas 22 contra. A votação acelerada foi viabilizada por um acordo entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Lula, que tem na proposta uma das suas principais plataformas para a campanha de reeleição. Os deputados ainda votarão destaques e a PEC em segundo turno. Em sessão de seis horas: votação do fim da escala 6x1 em comissão tem bate-boca, vaias e manifestantes; veja vídeo Fim da escala 6x1: você trabalha mais ou menos do que a média no Brasil? E no mundo? Confira Mas para que a mudança na Constituição se concretize antes da eleição de outubro é preciso também a aprovação no Senado em ritmo acelerado. O texto foi aprovado mais cedo, durante a tarde, na comissão especial que analisa o tema por 34 votos a favor e apenas 4 contrários. Numa estratégia para evitar alterações no texto, Motta levou o texto ao plenário da Câmara em seguida e operou para superar todas as tentativas de obstrução da oposição. O governo agora vai se voltar á cúpula do Senado para acelerar a aprovação da PEC. Antes da votação na Câmara, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o presidente Lula vai procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para defender a aprovação na casa da PEC. O ministro disse que também vai entrar na negociação com senadores. — Creio que o presidente Davi terá sensibilidade — disse o ministro. O aceno do governo ocorre um dia depois de Alcolumbre ter se reunido com representantes do empresariado, liderados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que resiste à PEC. Entenda a proposta que estabelece o fim da escala 6x1 O setor produtivo avaliou que não teria como dialogar mais com deputados antes da apreciação da proposta na Câmara e decidiu concentrar esforços na interlocução com senadores para barrar a PEC. Empresários têm defendido que o texto seja votado definitivamente somente após as eleições e que ao menos seja estabelecido um período longo de transição em vez dos 60 dias previstos no texto aprovado na Câmara, seguindo o acordado entre Motta e Lula. O objetivo seria separar o debate sobre redução de jornada do calendário eleitoral. Domingo, feriado, regimes especiais... Veja os principais pontos da PEC Outra solicitação no mesmo sentido é que o relator da proposta na Casa não esteja concorrendo à reeleição, para tentar evitar a contaminação do debate pelo calendário eleitoral. Neste caso, porém, a tramitação começa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula. Alcolumbre não comentou o assunto publicamente após o encontro. Desde a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), as relações entre Lula e Alcolumbre ficaram estremecidas. Indagado se a “sensibilidade” do parlamentar vai se sobrepor à crise, o ministro respondeu: — Com certeza. Eles (Lula e Davi) ficam três meses sem se falar, mas voltam a conversar calorosamente. O ministro evitou falar em prazo para a votação da PEC no Senado e destacou que a proposta é um processo de composição, com diferentes visões: — O Senado tem o tempo dele. O que a gente pede é que façam o mais rápido possível. Espero que o Senado tenha sabedoria de manter o relatório para não ter que voltar para cá e depois voltar para o Senado. Initial plugin text
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