Jornal O Globo
O interesse por procedimentos voltados ao contorno dos glúteos tem crescido nos últimos anos, impulsionado também pela exposição do tema nas redes sociais, onde figuras públicas, influenciadores e celebridades compartilham rotinas estéticas e resultados de diferentes técnicas. Mesmo com hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos, nem sempre é possível alcançar o formato ou o volume desejado, o que ampliou a procura por procedimentos voltados à região. 'Bananinha': o detalhe abaixo do bumbum que está chamando atenção entre famosas 'Bumbum de Mounjaro': efeito associado às canetas emagrecedoras viraliza nas redes Entre eles está a chamada harmonização glútea, que reúne diferentes abordagens para melhorar forma, simetria e projeção. "O principal deles é a harmonização glútea, que compreende todos os recursos utilizados para melhorar principalmente a forma, mas também o volume do glúteo. É possível melhorar desde as irregularidades, como a celulite, até o formato e questões anatômicas, como a concavidade lateral, chamada de hip-dip. Outro desejo é o de elevar o glúteo. Tudo isso entra como indicação para a harmonização glútea", explica o cirurgião plástico Carlos Manfrim. Dentro desse campo, há diferentes materiais e técnicas utilizados. Entre os mais discutidos está o polimetilmetacrilato (PMMA), substância composta por microesferas plásticas. "Quando aplicado na região do glúteo, ele confere turgor, aumenta o volume e melhora o formato. Mas esse é um preenchedor definitivo e halógeno, ou seja, um material que não é do próprio corpo da paciente. Ao longo do tempo, a substância pode provocar uma reação do sistema imune, inflamando a região", diz o Dr. Carlos. "A ressecção cirúrgica é, então, necessária, acometendo o formato e gerando cicatrizes. Essas cirurgias têm caráter reparador e reconstrutor, para melhorar a saúde física da paciente, porque não há um antídoto, a não ser a ressecção cirúrgica", acrescenta. Em contrapartida, técnicas consideradas mais biocompatíveis têm ganhado espaço, como os bioestimuladores de colágeno e preenchedores absorvíveis. Segundo a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, substâncias como ácido polilático e hidroxiapatita de cálcio atuam por meio de uma resposta controlada do organismo. "Essa reação inflamatória estimula os fibroblastos a produzirem colágeno, aumentando a quantidade dessas fibras na derme do local tratado", acrescenta a médica. A cirurgiã plástica Heloise Manfrim reforça que esses protocolos não se limitam à face. "No caso dos glúteos, a intenção é dar mais firmeza e tratar a flacidez", detalha. O ácido hialurônico também pode ser utilizado com finalidade de volume e contorno. "A combinação desses recursos é uma estratégia para melhorar o glúteo. A vantagem está no fato de as substâncias serem absorvíveis e biocompatíveis (com duração de um ano em média) e possuírem antídotos, caso haja algum problema. A parte negativa delas é que elas não volumizam tanto", afirma o Dr. Carlos. Galerias Relacionadas Além dos injetáveis, tecnologias não invasivas também fazem parte das opções disponíveis. O ultrassom microfocado Ultraformer MPT é um dos recursos utilizados no tratamento da flacidez corporal. "As ondas de ultrassom atuam profundamente, atingindo as diferentes camadas do tecido cutâneo e aquecendo-as para promover estímulo de colágeno, aumentar a firmeza, reduzir a flacidez e até melhorar o aspecto superficial da pele", destaca a dermatologista Paola Pomerantzeff. Segundo a especialista, o método também pode auxiliar na remodelação do contorno corporal. "Uma grande vantagem do equipamento é seu formato de entrega que garante resultados muito melhores sem dor", enfatiza. Já a radiofrequência microagulhada, como o Morpheus, atua na firmeza da pele por meio de microlesões controladas que estimulam colágeno. Em paralelo, técnicas voltadas ao estímulo muscular também são utilizadas como complemento. O T Sculptor Plus Flat, por exemplo, promove contrações intensas que atuam na musculatura da região. De acordo com o dermatologista Abdo Salomão Jr, o método pode contribuir para hipertrofia e melhora do contorno. "São até 50.000 contrações supramáximas a cada tratamento, o que proporciona o desenvolvimento da musculatura e induz a redução da gordura", explica. No campo cirúrgico, a lipoenxertia segue como uma das alternativas mais procuradas. O procedimento utiliza gordura do próprio paciente para volumizar e redefinir o contorno. "Com a gordura do paciente, a taxa de rejeição é reduzida, porque o tecido é autólogo. No entanto, a parte negativa é que a gordura pode ser reabsorvida - as taxas de reabsorção giram em torno de 30%. E, também, é importante lembrar que a gordura funciona exatamente como... gordura. Ou seja, o volume aumenta se a paciente engordar; e diminui se ela emagrecer", esclarece o Dr. Carlos. "Para dar mais previsibilidade de resultado, existe a técnica mundialmente reconhecida KA Method, da qual sou criador. Nela, há uma sequência de aplicação de gordura no glúteo em determinadas porções e quantidades para resultados consistentes. Com a gordura, os resultados são excelentes e naturais, com uma vantagem adicional: a paciente ganha uma lipoaspiração, porque é necessário captar essa gordura de algum lugar (e selecionamos a área onde o paciente tem maior acúmulo)", completa. Além dos procedimentos estéticos, a saúde da pele da região também entra no cuidado global. "Em clínica, procedimentos estéticos como o Hydrabody, do equipamento Hydrafacial, podem ser indicados para melhorar a saúde da pele, pois promovem uma limpeza profunda, removem células mortas e ajudam no controle da oleosidade, reduzindo as chances de recorrência da foliculite, que pode afetar a área", observa a Dra. Lilian Brasileiro. Para os especialistas, a escolha do tratamento deve ser individualizada e baseada em avaliação médica. "Muitas técnicas podem ser associadas, atuando sinergicamente para potencializar resultados", aponta a Dra. Heloise. Já a Dra. Beatriz reforça que hábitos de vida também influenciam na manutenção dos efeitos. "Por fim, vale lembrar que não existe um bumbum perfeito, afinal, cada pessoa possui um padrão de corpo individual. O objetivo é melhorar a autoestima e o bem-estar de acordo com o desejo e expectativa da paciente, sem necessariamente tentar se encaixar em um padrão de beleza pré-estabelecido", conclui.
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