Jornal O Globo
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo iniciaram nesta manhã a Operação “Falsa Las Vegas”, que apura um esquema de exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro supostamente ligado a facção criminosa Primeiro Comanda da Capital (PCC). A Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,2 bilhões em bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas, além do sequestro de 76 imóveis e do cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e cinco prisões preventivas. Falso Mercúrio: Operação em SP mira 'rede prestadora de serviços de lavagem de dinheiro' para o PCC Gritzbach foi sócio de alvo de megaoperação contra PCC e ameaçado por 'figura-chave' do esquema Segundo a investigação, a operação é um desdobramento da “Falso Mercúrio”, que já havia levado ao bloqueio judicial de até R$ 6 bilhões em contas ligadas a 20 pessoas físicas e 37 empresas. A nova fase surgiu após a análise de documentos apreendidos na sede da ASX Participações e Tecnologia, apontada pelos investigadores como centro operacional do esquema. De acordo com a força-tarefa, o grupo utilizava uma estrutura dupla para operar os jogos ilegais. De um lado, a plataforma “Aposte Fácil”, vinculada à APF Tecnologia, operava junto à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), "conferindo aparência de legalidade às operações". Paralelamente, a plataforma clandestina “Black Vegas”, hospedada no exterior, oferecia jogos proibidos no Brasil, como o “Jogo do Tigrinho” e o “Jogo do Bicho”. O GLOBO tenta contato com as empresas citadas. Na sede da ASX, os policiais apreenderam cadernos manuscritos, registros financeiros, documentos ligados às plataformas e anotações sobre o fornecimento de 150 máquinas de cartão para uma instituição de pagamento. Para os investigadores, a estrutura demonstrava “capacidade de receber e circular valores em escala”. Mensagens extraídas de celulares apreendidos também indicariam negociações para movimentação de R$ 1,5 milhão em espécie, com cobrança de taxas entre 2% e 3,5% para conversão do montante em crédito bancário. Os investigadores apontam que empresas de diferentes setores teriam sido utilizadas para movimentar recursos, incluindo construtoras, empresas de embalagens, administradoras e instituições de pagamento. Segundo o relatório, o grupo recorria a “laranjas” para ocultar o rastreamento dos valores. A apuração também identificou indícios de vínculos entre empresas investigadas o assassinato do delator Antonio Vinicius Lopes Gritzbach. Segundo a força-tarefa, análises financeiras apontaram que a IRKA Construções realizou transferências bancárias para investigados no caso. Em depoimento, um homem apontado formalmente como proprietário de uma das empresas confessou que nunca exerceu atividades empresariais e apenas cedeu os documentos pessoais em troca de pagamentos mensais. Segundo ele, terceiros assumiram o controle das contas bancárias e da estrutura financeira da companhia.
Go to News Site