Revista Oeste
A aprovação em dois turnos da PEC do Fim da Escala 6x1 na Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira 27, abriu uma nova frente de disputa política, relacionada à definição do ritmo da tramitação da proposta no Senado Federal. Nos bastidores, aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que a proposta deverá seguir o rito completo na Casa Alta. Ou seja, o parlamentar não pretende dar a aceleração esperada pelo governo, nem fazer movimentos para frear a votação da matéria. + A manobra da esquerda que derrubou ofensiva do PL pela escala 4x3 Segundo apurou Oeste , Alcolumbre pretende discutir o calendário da PEC com líderes partidários já na próxima semana, mas a orientação, neste momento, é cumprir integralmente as etapas regimentais do Senado. Isso significa que a proposta deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por uma comissão especial e somente depois seguirá para análise em plenário. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sarah Peres (@sarahperes2) Governo quer urgência na PEC da Escala 6x1 A sinalização inicial de Alcolumbre contraria parcialmente a pressão do governo Lula para acelerar a tramitação da proposta. Na quarta-feira 27, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que já conversava com o presidente do Senado para tentar aprovar a PEC em caráter de urgência no Senado . A estratégia do Palácio do Planalto é clara: garantir que a nova jornada entre em vigor ainda em 2026. Conforme o calendário de transição aprovado na Câmara na quarta-feira, a mudança trabalhista seria implementada um mês antes das eleições. + Nikolas, sobre o fim da escala 6x1: ‘A esquerda enganou os trabalhadores’ Esquerdistas comemoram a aprovação da PEC do Fim da Escala 6x1 | Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados O texto aprovado pela Câmara prevê uma implementação gradual da redução da jornada. A primeira etapa reduz duas horas da carga semanal após 60 dias — ou “dois meses”, como ficou registrado na emenda aglutinativa aprovada pela base governista durante a votação. Depois, uma nova redução ocorreria depois de um ano. Na prática, isso abriria espaço para que os primeiros efeitos da mudança fossem sentidos justamente no período pré-eleitoral. A leitura nos bastidores do Congresso é de que o governo tenta transformar a PEC em uma vitrine política voltada ao eleitorado trabalhador, especialmente depois da queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segmentos de renda mais baixa. A oposição, porém, intensificou o discurso de que a proposta foi construída sem debate aprofundado sobre os impactos econômicos da medida. Parlamentares críticos ao texto afirmam que a redução da jornada sem compensações ao setor produtivo pode provocar aumento de custos operacionais, repasse de preços ao consumidor, avanço da informalidade e demissões em setores mais dependentes de mão de obra intensiva. Debate técnico Nos bastidores do Senado, interlocutores de Alcolumbre também avaliam que a Casa deverá enfrentar forte pressão do setor empresarial durante a tramitação. A avaliação é de que o ambiente no Senado tende a ser mais técnico e menos suscetível ao apelo político que marcou a votação na Câmara. + Alcolumbre envia PEC alternativa ao fim da escala 6x1 da oposição à CCJ É nesse cenário que a oposição tenta ganhar espaço com uma proposta alternativa apresentada pelo líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN). O texto, já encaminhado à CCJ do Senado, prevê flexibilização das relações de trabalho e criação de um modelo opcional baseado em horas trabalhadas. Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) I Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado A proposta altera o artigo 7º da Constituição para permitir que empregado e empregador escolham entre o regime tradicional previsto na CLT e um formato flexível de jornada, mantendo os limites constitucionais e os pisos remuneratórios. Nos bastidores, a PEC alternativa passou a ser vista como uma tentativa da oposição de mudar o eixo do debate: sair da narrativa do “fim da 6x1” e migrar para uma discussão sobre produtividade, liberdade contratual e modernização das relações trabalhistas. O post A resistência de Alcolumbre à pressão do governo pela PEC da Escala 6×1 apareceu primeiro em Revista Oeste .
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