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Entenda operação de até R$ 6,5 bilhões para socorrer BRB
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Entenda operação de até R$ 6,5 bilhões para socorrer BRB

Homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux nesta quinta-feira (28), o acordo para viabilizar operação de socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB) prevê empréstimo de até R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) . Anunciado pelo advogado-geral da União substituto, Flávio Roman, pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e pelo presidente do BRB , Nelson Souza, o compromisso foi assinado após audiência de conciliação no STF no fim da manhã . A reunião também teve a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e de integrantes do Banco Central e da Procuradoria-Geral da República . Notícias relacionadas: União e GDF fecham acordo para viabilizar empréstimo ao BRB. BRB muda regras e permite aportes parciais para aumento de capital. Caso Master: Advogado deixa defesa de ex-presidente do BRB . O acerto busca evitar agravamento da crise enfrentada pelo BRB após operações ligadas ao Banco Master . Fux é o relator da ação em que o DF questiona o rebaixamento da nota dada pelo Tesouro Nacional sobre a capacidade de pagamento da dívida pública. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Memória O BRB enfrenta dificuldades financeiras depois de adquirir carteiras de crédito do Banco Master. Parte dessas operações passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades e possível ausência de lastro financeiro. Segundo o próprio banco, o rombo estimado para cobrir perdas e reforçar o capital da instituição chega a R$ 8,8 bilhões. Com isso, o banco precisou buscar uma forma de aumentar rapidamente sua capacidade financeira para continuar operando normalmente e atender às exigências do sistema financeiro. Condições O compromisso cria condições para que o FGC empreste dinheiro ao BRB. O FGC é uma entidade privada mantida pelos próprios bancos e conhecida por garantir depósitos e aplicações financeiras de clientes em caso de quebra de instituições financeiras. Agora, o fundo também poderá participar da operação de socorro ao BRB. Na prática, o dinheiro será emprestado ao banco estatal para reforçar seu caixa e evitar uma deterioração maior da situação financeira. Termos do acordo: o valor do empréstimo poderá chegar a R$ 6,5 bilhões; os recursos servirão para capitalizar o banco; a operação busca estabilizar a situação financeira da instituição. O empréstimo ainda depende: da análise do plano de negócios do BRB; da aprovação técnica do FGC; da definição final das condições financeiras. União Um dos pontos centrais do acordo é que a União não vai transferir dinheiro diretamente ao BRB nem oferecer garantia federal para o empréstimo. Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), os recursos da operação virão do sistema financeiro privado, por meio do FGC e de um grupo de bancos públicos e privados que atuarão como fiadores da operação. Entre as instituições que podem integrar esse grupo estão Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. STF O acordo foi construído dentro de uma ação que o Distrito Federal moveu no STF contra decisão do Tesouro Nacional . O governo distrital contestava o rebaixamento da chamada Capacidade de Pagamento (Capag), indicador usado pela União para avaliar a saúde fiscal de estados e municípios. A nota do DF caiu de B para C. Isso impediu o governo local de obter novos empréstimos com garantia federal. Com a mediação do STF, União e DF chegaram a um entendimento para flexibilizar regras fiscais e permitir a operação sem que a União precisasse entrar como avalista. Mudanças: Antes do acordo: o DF tinha limite de cerca de R$ 900 milhões para empréstimos; Após o entendimento: será possível viabilizar operação de até R$ 6,5 bilhões; Considerações: o calculo tem por base resolução do Senado que estabelece limite de 16% da receita corrente líquida anual em operações de crédito de estados e municípios. Garantias Como a União não dará garantia ao empréstimo, o DF precisará apresentar contragarantias. A combinação prevê o uso de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Esses fundos são transferências federais feitas regularmente aos governos estaduais e municipais. Na prática, se houver inadimplência, os bancos poderão acessar parte desses recursos para receber os pagamentos da dívida. Outras garantias, como dividendos e participação acionária, também poderão ser usadas. Ajuste fiscal Em troca da flexibilização das regras, o Distrito Federal assumiu compromissos de ajuste fiscal. O acordo prevê restrições como: proibição de novos concursos públicos; limitação de reajustes salariais; vedação à criação de cargos que aumentem despesas. As medidas valerão até que o empréstimo seja quitado ou até que o DF volte a atingir nota A+ na avaliação de capacidade de pagamento do Tesouro Nacional. Argumentação O governo do Distrito Federal argumentou no STF que o BRB tem papel estratégico para a administração pública local. O banco opera programas sociais do DF, faz pagamentos de servidores públicos, administra benefícios sociais e concentra recursos públicos e depósitos judiciais. Segundo o GDF, um eventual colapso da instituição poderia afetar serviços públicos, programas sociais e milhares de correntistas. Na quarta-feira (27), o ministro Dario Durigan disse ao jornal Valor Econômico que uma eventual liquidação do BRB abriria rombo de R$ 17 bilhões no FGC. Próximos passos Apesar do acordo político e jurídico, a operação ainda não está concluída. O FGC ainda precisará analisar o plano de negócios do BRB e aprovar tecnicamente o empréstimo. Além disso, o banco continua revisando seu balanço financeiro, que teve divulgação adiada após a crise envolvendo o Banco Master. O STF ficará responsável por monitorar o cumprimento das condições estabelecidas no acordo.

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