Jornal O Globo
Menos de um ano após a morte de Ozzy Osbourne, ocorrida em julho de 2025, os planos da família do líder do Black Sabbath para perpetuar o legado do músico na era digital geraram controvérsias. Uma parceria anunciada pela viúva, Sharon, e pelo filho Jack Osbourne com a empresa de tecnologia Hyperreal pretende trazer o "Príncipe das Trevas" de volta à vida na forma de um avatar interativo alimentado por inteligência artificial (IA). A iniciativa gerou uma onda de rejeição entre os fãs, que acusam os parentes de desrespeito e comercialização excessiva da memória do músico. Perfume de Ozzy Osbourne ganha edição limitada para ajudar ONG voltada a pesquisas para a cura da Doença de Parkinson Aparência: Filha de Ozzy Osbourne rebate críticas nas redes e fala sobre saúde após emagrecimento O projeto foi revelado na última semana durante a Licensing Expo, um evento voltado para o mercado de marcas em Las Vegas, nos Estados Unidos. Segundo os criadores, o objetivo é recriar o "DNA digital de Ozzy Osbourne", englobando sua imagem, voz e movimentos reais. A tecnologia promete permitir que o avatar interaja diretamente com o público por meio de telas sensíveis ao toque em tamanho real, programadas para estrear entre agosto e setembro em locais ainda não revelados nos Estados Unidos e no Reino Unido. — É meio assustador como é realmente tão preciso — admitiu Jack Osbourne durante a apresentação em Las Vegas. — Ele existirá digitalmente como ele mesmo enquanto tivermos computadores. A tecnologia evoluiu tanto que é quase arrastar e soltar. Você poderia filmar um modelo para um comercial... literalmente sugere o que você quer que o "Digital Ozzy" faça naquele comercial e você simplesmente coloca isso. Agora é simples assim. Sua mãe, Sharon, complementou, explicando que as possibilidades são "infinitas" e detalhou o nível de interatividade esperado: — Você poderá perguntar qualquer coisa ao Ozzy, e ele responderá com sua própria voz. E as respostas serão exatamente o que o Ozzy teria dito. Ozzy Osbourne: 12 músicas essenciais do ícone do heavy metal Repercussão negativa na internet A recepção do público, no entanto, passou longe do entusiasmo demonstrado pela família. Nas redes sociais e em fóruns de música, admiradores do vocalista se mostraram contrários ao projeto, classificando a ideia como "vergonhosa", "desrespeitosa" e puramente motivada por lucros financeiros. Críticos apontaram que a imagem pública do cantor estaria sendo usada de forma apelativa e contra o que seria o seu desejo em vida, com comentários afirmando ser uma "desonra" não permitir que o legado de Ozzy descanse e fale por si só. Diante do volume de críticas, Jack Osbourne usou uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube para rebater os ataques e defender a integridade do projeto. Ele garantiu que o resultado final será tratado com o máximo de cuidado e respeito à história do pai. — Não sei. Tipo, é o seguinte. Vai ser tão elegante o que estamos fazendo. Não vai ser nada chato. Não é como se você pudesse sentar ali e... é realmente complexo o que estamos fazendo. Isso não é só, tipo, conectar uma imagem do meu pai ao ChatGPT. Essa é uma tecnologia de alto nível com a qual vamos trabalhar, e vai parecer muito real. É meio impressionante como ele será utilizado. Mas é incrível. É muito legal, e é algo que, sabe, acho que meu pai gostaria, porque a gente realmente conversou sobre isso antes dele falecer, tipo, fazer algo assim. Então, sim. Eu sei que ele gostaria disso — disse Jack Osbourne. Ele também tentou tranquilizar os fãs céticos ao revelar que o uso de ferramentas digitais para preservar sua imagem não era uma novidade imposta pela família após a morte do roqueiro, mas sim algo que vinha sendo debatido com o próprio cantor. — É muito legal, e é algo que, sabe, acho que meu pai gostaria, porque a gente realmente conversou sobre isso antes dele falecer, tipo, fazer algo assim. Então, sim. Eu sei que ele gostaria disso.
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