Jornal O Globo
O Palácio do Planalto calibra a reação ao anúncio de que os Estados Unidos decidiram classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A principal preocupação do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de que a resposta do governo passe a imagem de que a gestão petista defende bandidos, no momento em que Lula tem endurecido o discurso contra o crime organizado. Em meio a aproximação diplomática dos dois países, governo foi pego de surpresa pelo anúncio do Departamento de Estado Americano. Nesta quinta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que os Estados Unidos decidiram classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O anúncio foi feito após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, ter viajado aos EUA para se reunir com o presidente, Donald Trump, e outros integrantes de seu gabinete, como o vice-presidente, J.D Vance, e o próprio Rubio. Após a divulgação de que Flávio Bolsonaro havia se reunido com Trump nesta semana, aliados de Lula diziam que qualquer prejuízo ao Brasil que pudesse ocorrer após essa data, como novas tarifas ou até mesmo a classificação dessas facções como organizações terroristas, seriam explorados para atacar o senador. A avaliação, segundo aliados do petista, é que isso serviria para mostrar que a família Bolsonaro atua contra os interesses brasileiros e incentiva ataques à soberania brasileira. O mote da defesa da soberania brasileira virou uma das marcas da gestão Lula 3 e é apontada também como uma bandeira a ser explorada no processo eleitoral. O entorno de Lula usou o tarifaço do governo Trump contra produtos importados do Brasil, no ano passado, para desgastar o bolsonarismo junto à opinião pública, atribuindo a decisão dos americanos como resultado da articulação de Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
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