Revista Oeste
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou em diversas frentes para evitar que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Apesar disso, o governo norte-americano anunciou nesta quinta-feira, 28, a inclusão das facções na lista de grupos enquadrados pelo Departamento de Estado. As tratativas do governo brasileiro ocorreram ao longo de pelo menos um ano e envolveram reuniões técnicas em Brasília, contatos diplomáticos entre autoridades dos dois países e um documento entregue pelo próprio Lula ao presidente dos EUA, Donald Trump. + Leia mais: Entenda o que é a política no Brasil em Oeste O principal argumento da gestão petista foi o de que PCC e CV são organizações criminosas voltadas ao lucro ilegal, e não grupos enquadráveis como terroristas pela legislação brasileira. Em maio de 2025, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que o Brasil não tem grupos terroristas em seu território, mas sim “organizações criminosas que se infiltraram na sociedade”. Em outubro daquele ano, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, manifestou-se contra um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados que buscava equiparar facções a organizações terroristas. Na ocasião, ele afirmou que “grupos terroristas são organizações de outra natureza” e que o governo não tinha “nenhuma intenção de confundir os dois conceitos”. https://www.youtube.com/watch?v=HgqxzoZoOoM Lula levou tema diretamente à Casa Branca No começo de março, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, depois que o Itamaraty tomou conhecimento de que Washington estudava anunciar a designação do PCC e do CV como terroristas. Na ocasião, o governo brasileiro buscou convencer os EUA a não adotar a medida. Um dos receios apontados por integrantes do governo era o impacto sobre a soberania brasileira . A então ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que, "pela legislação internacional, terrorismo dá guarida para que outros países possam fazer intervenção no nosso país". Em maio deste ano, durante reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, o tema voltou a ser tratado. Na ocasião, o petista entregou ao presidente norte-americano um documento com argumentos contrários ao enquadramento das facções como terroristas. Apesar das manifestações do governo brasileiro, os EUA anunciaram nesta quinta-feira a classificação do PCC e do CV como terroristas. A medida, segundo Rubio, passa a valer a partir de 5 de junho. Leia também: “ Um Judiciário fora da lei “, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 306 da Revista Oeste O post Governo Lula tentou evitar classificação de PCC e CV como terroristas apareceu primeiro em Revista Oeste .
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