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Brasília vira picadeiro com festival internacional gratuito de arte circense
Jornal de Brasília

Brasília vira picadeiro com festival internacional gratuito de arte circense

Brasília recebe a 9ª edição do Festival Mestres e Mestras de Circo até domingo (31), que transforma diferentes espaços públicos da capital em um grande palco dedicado à arte circense. Com programação gratuita distribuída entre a Torre de TV, o CONIC, a Praça Zumbi dos Palmares e o Parque da Cidade, o encontro reúne artistas do Distrito Federal, de outros estados brasileiros e da América Latina em uma celebração da memória, da diversidade e da permanência do circo popular. Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o festival reafirma o circo como espaço de convivência, aprendizado e transmissão de saberes entre gerações, ao mesmo tempo em que propõe reflexões sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelos artistas da linguagem circense. Foto: Davi Mello/ Divulgação A edição deste ano presta homenagem a duas figuras históricas da cultura popular brasileira: Mestre Mandioca Frita, reconhecido como o palhaço de rua mais antigo em atividade no Distrito Federal, e o palhaço Xamego, personagem criada por Maria Eliza Alves dos Reis, considerada a primeira palhaça negra do Brasil. Os nomes batizam os principais espaços do evento, a Lona de Circo Palhaço Mandioca Frita e o Picadeiro Palhaço Xamego. Segundo a organização, a presença desses artistas também amplia o debate sobre a passagem do tempo dentro do universo circense e sobre as condições de trabalho enfrentadas por profissionais que dedicaram a vida à arte popular. “Nesse festival a gente também vai estar sobre a passagem do tempo no universo do circo, uma arte que muitas vezes exige um trabalho de corpo, que muitas vezes exige muita disciplina e a presença desses mestres e mestras que já tem uma longa trajetória, que já estão flertando com uma idade [avançada]. É também uma maneira da gente refletir sobre como era o circo há um tempo atrás, como é o circo hoje, como é o circo daqui a algum tempo, é uma maneira de refletir sobre direitos dos artistas de circo, em pensar como lidar com isso, com o envelhecimento dos nossos artistas no mundo atual, sobretudo pensando que muitos de nós são autônomos”, afirma o organizador do festival e apresentador, Ankomarcio Saúde. Foto: Davi Mello/ Divulgação A abertura do evento acontece hoje, na Praça Zumbi dos Palmares, com a roda de conversa “As Vozes de Mestres e Mestras do Circo”. O encontro reúne Mestre Mandioca Frita, João Carlos Artigos, Antonia Vilarinho e Zé Regino em uma conversa sobre memória, trajetória e resistência da arte circense. Em seguida, um cortejo ocupa o CONIC com batuques do grupo Batalá Brasília, apresentações em perna de pau, malabares e intervenções cênicas. Ao longo do fim de semana, a Torre de TV concentra grande parte das atividades do festival, com atrações voltadas para públicos de diferentes idades. Entre os destaques estão “Parabólica Show”, com Lelê Marins; “Aipim, o palhaço das pernas de pau”, da Trupe Raiz do Circo; e “Cola Shows — Malabarismo e Simpatia em Dose Dupla”, das Inigualáveis Irmãs Cola, de São Paulo. A programação também inclui “Brincadeiras de Circo”, reunindo Xaubraubrau, Raquaquá, Mestre Mandioca Frita, Tapioca e Espiga de Milho; o espetáculo “Alecrim no Olho da Rua”, da tradicional Carroça de Mamulengos, do Ceará; além da apresentação internacional “Figaza Show”, conduzida pela artista argentina Painé Santamaria. Os tradicionais cabarés do festival seguem como um dos espaços centrais de encontro entre diferentes linguagens, gerações e modos de fazer circo. No sábado, o público acompanha o Cabaré d’As Desempregadas e convidadas, com participações de Maria Tavares, Kika de Moraes, Marcella Romar, Ana Amábile, Macaxeira, Lelê Marins, Rafaelle Cristina e Lucas Ferrari. Já no domingo, o Cabaré dos Irmãos Saúde, Pé de Cerrado e convidados reúne Xaubraubrau, Raquaquá, Mestre Mandioca Frita, Jéssica Pereira, MDM Mestre dos Malabares e Palhaço Aipim. Foto: Davi Mello/ Divulgação Além das apresentações abertas ao público, o festival amplia sua atuação para escolas públicas do Gama, Santa Maria e São Sebastião entre os dias 2 e 4 de junho. As ações formativas levam espetáculos circenses para estudantes da rede pública com o objetivo de aproximar crianças e jovens do universo do circo e fortalecer o acesso à cultura em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. Lutas e desafios Criado a partir da Mostra Mestre Zezito de Circo, realizada pela primeira vez em 2007, o Festival Mestres e Mestras se consolidou ao longo dos anos como uma das principais iniciativas continuadas voltadas à linguagem circense no DF. Para a organização, o evento também funciona como espaço de debate sobre políticas públicas e condições de permanência dos artistas no setor cultural. “A gente percebe também que existiu lutas que continuam existindo por parte desses artistas para conquistas de políticas públicas que possam atender a categoria do circo. Muitas coisas mudaram, por exemplo, no humor, o que a gente ria há alguns anos atrás não é o que a gente ria hoje. Hoje a gente ri de outras coisas e o mundo está mudando e o circo mudando junto. Então a gente percebe isso. Recebe novos olhares, novas maneiras de se praticar o circo, levando em conta essa nova dinâmica que o mundo traz”, destaca o organizador. O festival também propõe reflexões sobre os modelos atuais de financiamento da cultura e os obstáculos enfrentados por artistas populares diante das exigências burocráticas dos editais públicos. Foto: Davi Mello/ Divulgação Ao comentar os desafios para a manutenção da arte circense, Saúde defende mudanças nos formatos de financiamento público da cultura. Segundo ele, muitos artistas populares acabam enfrentando dificuldades para acessar editais e recursos de forma autônoma.“Os próprios editais empurram esses artistas para um lugar onde eles têm pouco conhecimento e o fazer artístico acaba ficando em segundo lugar no plano”, diz. Para o organizador, esse cenário pode afetar não apenas a produção cultural, mas também a capacidade dos artistas de seguirem produzindo e circulando suas obras. “Os artistas são trovadores do seu tempo e nem sempre conseguem alcançar os espaços e os recursos para levar a sua arte em diante”, completa. Programação 29 de maio (sexta) Praça Zumbi dos Palmares (SDS) e CONIC 17h - Abertura - Roda “As Vozes de Mestres e Mestras do Circo”: Mandioca Frita (DF), João Carlos Artigos (RJ), Antonia Vilarinho (DF/SP) e Zé Regino (DF) - Espaço: Lona de Circo Palhaço Mandioca Frita. (Com intérprete de Libras) 18h - Cortejo: Grupo Batalá Brasília, Perna de Pau e Malabares com Lohrany Rêgo e Tapioca, MDM Mestre dos Malabares com Cezar Venute. 30 de maio (sábado) Torre de TV 12h às 14h - Oficina de Perna de Pau e Malabares - Circo Roda Viva com Tapioca (DF) 14h - Espetáculo “Parabólica Show” - Circo Travessia com Lelê Marins (DF). Espaço: Picadeiro Palhaço Xamego. 15h - Espetáculo “Aipim, o palhaço das pernas de pau” - Trupe Raiz do Circo com Palhaço Aipim (DF). Espaço: Picadeiro Palhaço Xamego. 16h - Espetáculo “Cola Shows - Malabarismo e Simpatia em Dose Dupla” - Inigualáveis Irmãs Cola com Thata Cola e Tati Cola (SP). Espaço: Lona de Circo Palhaço Mandioca Frita. 17h - Espetáculo “Brincadeiras de Circo” - Circo Artetude com Xaubraubrau, Raquaquá, Mandioca Frita, Tapioca e Espiga de Milho (DF). Espaço: Picadeiro Palhaço Xamego (com intérprete de Libras, audiodescrição e guia-intérprete) 18h - Cabaré “d'As Desempregadas e convidadas: Maria Tavares, Kika de Moraes, Marcella Romar, Ana Amábile, Macaxeira, Lelê Marins, Rafaelle Cristina, Lucas Ferrari (DF). Espaço: Lona de Circo Palhaço Mandioca Frita. 31 de maio (domingo) Parque da Cidade - Parque Ana Lídia 11h - Espetáculo “Brincadeiras de Raiz” - Trupe Raiz do Circo com Mandioca Frita, Macaxeira e Palhaço Aipim (DF). Espaço: Mestre Mandioca Frita. Torre de TV 12h às 14h - Oficina de Perna de Pau e Malabares - Circo Roda Viva com Tapioca (DF). 14h - Espetáculo “Alecrim no Olho da Rua” - Carroça de Mamulengos com Alecrim (CE). Espaço: Picadeiro Palhaço Xamego. ((com intérprete de Libras) 15h - Roda de Mestres e Mestras de Circo: Trupe Raiz do Circo com Mandioca Frita (DF), Coletivo de Criadores Circenses com João Carlos Artigos (RJ), Antonia Vilarinho (DF/SP) e Celeiro das Antas com Zé Regino (DF) - Espaço: Lona de Circo Palhaço Mandioca Frita. 16h - Espetáculo “Figaza Show” com Painé Santamaria (Argentina). Espaço: Picadeiro Palhaço Xamego. 17h - Cabaré dos Irmãos Saúde, Pé de Cerrado e convidados: Xaubraubrau, Raquaquá, Pé de Cerrado, Mestre Mandioca Frita, Jéssica Perreira, MDM Mestre dos Malabares e Palhaço Aipim (DF). Espaço: Lona de Circo Palhaço Mandioca Frita. Circulação em escolas públicas 2 de junho – EC 22 (Gama) 3 de junho – CEI 203 (Santa Maria) 4 de junho – EC Dom Bosco (São Sebastião) Serviço 9º Festival Mestres e Mestras de Circo Quando: 29, 30 e 31 de maio de 2026 Onde: Torre de TV, CONIC, Praça Zumbi dos Palmares e Parque da Cidade — Brasília/DF Entrada gratuita — doação voluntária de alimento e/ou agasalho Classificação indicativa: livre

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