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Cuidados na colheita e secagem evitam perdas na qualidade do café | Collector
Cuidados na colheita e secagem evitam perdas na qualidade do café
GloboNews

Cuidados na colheita e secagem evitam perdas na qualidade do café

Colheita precisa ser feita no momento correto para evitar prejuízos ao café e ao produtor Crédito: Divulgação. Misturar frutos verdes e maduros no mesmo lote, atrasar o processamento após a colheita e errar no controle da secagem estão entre os problemas que mais comprometem a qualidade do café nas propriedades brasileiras. Orientações técnicas da Cooxupé indicam que falhas no pós-colheita podem provocar fermentações indesejáveis, aumentar defeitos nos grãos e causar perdas no valor comercial dos lotes. Para Eduardo Renê da Cruz, Coordenador de Desenvolvimento Técnico da cooperativa, os cuidados começam ainda antes da colheita, com a preparação da estrutura e dos equipamentos, e seguem até o armazenamento final do café. Mistura de frutos afeta qualidade e valor comercial A colheita brasileira ainda ocorre, em grande parte das propriedades, sem separação dos frutos por estágio de maturação. “No Brasil, predomina a colheita total, não seletiva, onde são colhidos todos os frutos da planta de café. Diferente da Colômbia, por exemplo, onde colhem apenas os frutos maduros, chamada colheita seletiva”, explica Eduardo Renê. A presença de frutos verdes e secos no mesmo lote pode comprometer a qualidade do produto e gerar descontos na comercialização. “Os frutos verdes após descascados serão grãos verdes que são considerados defeitos no café que, na prática, chamamos de catação”, afirma. Em regiões mais úmidas, os frutos secos também necessitam de atenção durante a colheita. “Os colhidos já secos, em regiões de maior umidade como beira de represas, podem ter sofrido fermentações indesejáveis ainda na planta, e estes frutos fermentados podem causar perda de qualidade do lote”, ressalta. Portanto, o coordenador técnico avalia que os dois problemas, catação e fermentação indesejável, podem causar perdas significativas no valor comercial do café. Para evitar o excesso de frutos verdes, é importante que a colheita seja feita no momento correto. “O recomendado é colher com no máximo 30 % de frutos verdes. Além disso, tem alguns produtos que o produtor pode utilizar na lavoura que favorecem a maturação mais uniforme, como Kafé Maturação, que é um fertilizante foliar da Cooxupé que deve ser aplicado no início da maturação”, orienta. Já no caso dos frutos que secaram na planta, que correm o risco de sofrerem fermentações indesejáveis, é importante que o café passe pelo lavador, onde os frutos secos são separados dos maduros e verdes. “A partir daí, estes frutos secos que podem estar fermentados devem ser secos e beneficiados separados dos demais lotes”, complementa o especialista da cooperativa. Problemas podem causar perdas significativas no valor comercial do café Crédito: Divulgação. Limpeza da estrutura evita contaminação dos lotes Antes do início da safra, a limpeza das estruturas e equipamentos utilizados no pós-colheita é considerada essencial para evitar contaminação entre lotes. “A ação é fundamental para evitar a contaminação dos lotes da safra atual com grãos da safra anterior que podem ter apodrecidos no equipamento”, afirma. Eduardo Renê destaca que o cuidado deve envolver todo o processamento. “Esta limpeza deve ser feita em toda estrutura como pré-limpeza, lavadores, despolpadores, secadores, tulhas, bicas de jogo e nos elevadores”, informa Eduardo Renê. A orientação também inclui manutenção preventiva antes do início da colheita. “É importante fazer a revisão e reparos necessários para evitar problemas mecânicos que podem prejudicar o andamento da colheita e causar prejuízos maiores”, ressalta. Tempo entre colheita e processamento exige atenção O tempo entre a colheita e o processamento é considerado uma etapa crítica para preservar a qualidade do café. “Este ponto é muito importante e é um erro que acontece com frequência nas propriedades”, alerta o coordenador da Cooxupé. A recomendação é transportar o produto diariamente para o terreiro. Nos lotes destinados à produção de cafés especiais, o tempo de permanência ensacado deve ser reduzido. “Quando o objetivo é a produção de cafés especiais, ele pode permanecer no máximo seis horas ensacado em regiões mais frias e, no máximo, quatro horas em regiões mais quentes para evitar que inicie algum processo de fermentação indesejável”, comenta. Produtor de café deve estar atento a cuidados para não perder qualidade durante o período da colheita Crédito: Divulgação. Secagem inadequada favorece fermentações A forma como o produto é espalhado no terreiro nos primeiros dias de secagem influencia diretamente a qualidade do lote. “No início da secagem, o café maduro está com o teor de água muito alto e muito açúcar. Isso é o prato cheio para as fermentações indesejáveis, se o café estiver em camadas grossas”, explica. Por isso, a orientação de Eduardo Renê é iniciar a secagem com os frutos espalhados em camadas finas. “O café deve ser esparramado fruto a fruto e não deve ser revolvido nestes dois ou três primeiros dias para evitar o despolpamento”, detalha. Depois desse período, o revolvimento passa a ser necessário para melhorar a uniformidade da secagem. “O produtor deve engrossar as camadas, dobrando três vezes a cada dois ou três dias. Após a primeira dobra, o café deve ser revolvido de 30 em 30 minutos para secagem mais uniforme”, indica. A chuva também pode comprometer lotes que ainda não atingiram a meia seca. “Lotes com umidade abaixo de 25 % de água não podem tomar chuva, pois poderão ocorrer fermentações indesejáveis também”, avisa o coordenador. Nos secadores mecânicos, o principal problema está relacionado ao excesso de temperatura. “Isso porque pode danificar a integridade das células dos grãos de café e prejudicar a qualidade”, adverte. O especialista da cooperativa explica também que os limites variam conforme o tipo de café processado. “A temperatura máxima para a secagem de café natural commodity é 45°C e para cafés em pergaminho e naturais especiais, a temperatura máxima é de 40°C. Em lotes com muito café verde, recomenda-se não passar de 35°C”, comunica. Controle da umidade preserva a qualidade do café Na etapa final, o controle da umidade continua sendo decisivo para evitar defeitos e perdas comerciais, segundo Eduardo Renê. “O café deve ser seco até atingir a umidade correta (10,8 a 11,2 % de água)”, afirma. Beneficiar fora desse intervalo pode provocar quebra dos grãos ou branqueamento precoce. “Se o café for beneficiado com umidade muito baixa, pode quebrar e aumentar os defeitos (catação). Se for beneficiado com umidade muito alta, pode ocorrer o branqueamento precoce e prejudicar o valor comercial do lote”, esclarece. O armazenamento também necessita de proteção contra umidade e pouca exposição à luz. Outra recomendação é adotar medidas para evitar reumedecimento. “Se o café for armazenado em big bags, deve-se isolar bem o chão e paredes com lonas. Se for armazenado em tulhas, é importante cobrir com pano ou palha de café para evitar o reumedecimento”, instrui o especialista da Cooxupé. Antes do beneficiamento, o produto ainda precisa passar por um período de descanso, que deve ser de 10 dias. Para lotes com potencial para especial, recomenda-se um período de 30 dias de descanso. Para preservar lotes de maior valor agregado, Eduardo Renê reforça que a separação entre diferentes padrões de café deve ser mantida até a etapa final. “Nessa fase, é muito importante evitar a mistura de lotes de diferentes qualidades para impedir a perda de qualidade de lotes superiores”, finaliza.

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