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Ibovespa cai pela sétima semana seguida, maior sequência de perdas desde 2004
Jornal O Globo

Ibovespa cai pela sétima semana seguida, maior sequência de perdas desde 2004

O Ibovespa encerrou, pela sétima semana seguida, em desvalorização. É a maior sequência de perdas desde 2004, quando, entre abril e maio daquele ano, o principal índice da Bolsa também registrou sete semanas seguintes de perdas. A decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como terroristas também pesaram nos ativos nesta sexta-feira, avaliam analistas. Proibição para aumentos, garantia de bancos e flexibilização de regras: entenda acordo para 'salvar' o BRB Aniversário de 250 anos dos EUA: Secretário do Tesouro americano apoia ideia de estampar nota de dólar com rosto de Trump Na semana, o Ibovespa desvalorizou 1,2%. Entenda em pontos os fatores para a perda tão firme: Decisão dos EUA sobre facções criminosas A decisão tomada ontem pelo governo americano, de classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas, contribuiu com parte da queda do índice na sessão desta sexta-feira, na avaliação de Fernando Siqueira, chefe de análise da casa de pesquisa econômica Eleven Research: — Os bancos já atuam sob diversas penalidades possíveis em casos de lavagem de dinheiro. Se for classificado como terrorista, a penalidade é ainda mais severa — ele diz, afirmando que o setor financeiro já possui diversos controles para evitar envolvimento com eventuais envolvimentos em casos de lavagem de dinheiro. Initial plugin text Siqueira pondera, no entanto, que a desvalorização da sessão não foi motivada apenas por este fator, e que a decisão americana, na verdade, impacta em menor peso. A leitura é semelhante a de Bruna Sene, analista da Rico, que viu a definição “gerar incerteza sobre possíveis impactos no sistema financeiro local”. Guerra no Oriente Médio A guerra no Oriente Médio, que chega a seu terceiro mês de conflito, enseja a percepção de que os juros globais ficarão mais altos por mais tempo. A visão é de que, como consequência, o crescimento global ficará menor, impactando nos resultados futuros das empresas: — Isso afetou bastante a curva de juros, não só Brasil, como o mundo como um todo. Isso acaba impactando negativamente ativos de risco e, consequentemente, a perspectiva de redução de juros — afirma Rodrigo Santoro Geraldes, superintendente de renda variável da Bradesco Asset Management. Em relatório semanal, Seema Shah, estrategista-chefe global da gestora Principal Asset Management, diz que um “cenário energético mais favorável”, como a reabertura do Estreito de Ormuz, “deve ajudar a reduzir uma das fontes de pressão sobre o crescimento e sobre as expectativas de inflação”, contribuindo com a valorização dos mercados acionários globais. A poucas horas do fim do prazo: 42 milhões de declarações de IR já foram entregues Antes do conflito, agentes estimavam que a taxa de juros dos Estados Unidos poderia sofrer até duas reduções em 2026. Hoje, analistas já preveem até mesmo chances de que ela suba. O PIB do primeiro trimestre, divulgado hoje, foi visto pela Ativa Investimentos como “acima do esperado”, o que reforça a percepção de que o BC deve manter uma postura mais conservadora no ciclo de redução dos juros. Volta do apetite à inteligência artificial O retorno do apetite às empresas de inteligência artificial — deixado um pouco de lado desde o ano passado, mas retomado após meados de abril — também impactou o índice local, que já alcançou os 198 mil pontos há um mês e meio, máxima nominal histórica. Desde lá, o Ibovespa já retrocedeu 12%. — Havia preocupação grande em relação aos investimentos em capex (de IA) e o resultado do primeiro trimestre mostrou que o nível de utilização veio muito forte, acelerando as receitas. E isso reverteu um pouco o fluxo de diversificação (para fora) do mercado americano — disse Santoro, da gestora do Bradesco. Eleições no radar A corrida eleitoral para a presidência no país também impacta, em partes, os indicadores. A perda de competitividade demonstrada em recentes pesquisas eleitorais de Flávio Bolsonaro, que se distanciou do presidente Lula após a divulgação de áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro, também impôs pressão na Bolsa. — Depois das revelações, isso trouxe uma incerteza em relação ao cenário de Eleição, somado a temporada de resultados que foi “morna”, sem grandes surpresas positivas — avalia Santoro, da Bram. O mercado financeiro enxerga uma mudança de governo como mais crível em reduzir o avanço dos gastos públicos e frear a relação entre a dívida pública e o PIB, que vem crescendo a cada ano. Para 2026, instituições estimam que essa relação supere os 80%. Com esse crescimento, o mercado começa a pedir “mais juros” para conseguir financiar a dívida pública, já que as chances do governo não conseguir honrar suas dívidas fica cada vez maior. Initial plugin text

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