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Quando o assunto é arte, São Paulo é considerada uma das cidades mais vibrantes do mundo — e junho promete confirmar esse título. Com a ArPa Feira de Arte ocupando o Pacaembu até domingo (31.05), o circuito de exposições segue em ritmo acelerado nas próximas semanas. Galerias, museus e espaços alternativos recebem uma safra expressiva de novas mostras, com nomes como Denise Milan, Maria Nepomuceno, Beatriz Milhazes, Marina Saleme, Mônica Ventura e A Transälien em cartaz simultaneamente. Da Pinacoteca ao MAC-USP, há muito o que ver, sentir e pensar. Abaixo, confira nosso guia com exposições imperdíveis. Selecionar uma imagem Nelson Felix – Beijo de Língua | MAC-USP Obra de Nelson Felix Divulgação Quarenta e oito anos separam o conceito de sua realização. A ideia nasceu em Lima, durante uma conversa sobre dois idiomas primordiais - o Aymara e o Aramaico -, e só ganhou forma definitiva em 2022. Agora, o artista Nelson Felix apresenta no MAC-USP uma de suas maiores exposições institucionais: cerca de 90 obras gráficas, oito esculturas que se entrelaçam pelo espaço, seis fotografias e um vídeo. O eixo são três peças em mármore Carrara com textos de Bertrand Russell, Homero e Santa Teresa D'Ávila traduzidos para as duas línguas e escritos em letras vazadas — colados, se tocando, como um beijo. Curadoria de Fernanda Pitta. Av. Prof. Mello Moraes, 911 – Cidade Universitária • A partir de 30 de maio • @macusp Shiro: uma escala de nuances | Japan House São Paulo Obras de Ayumi Shibata Ayumi Shibata (Ichihara lake Museum)/Divulgação O branco, no Japão, não é uma só coisa. É neve, é papel, é seda, é sal — e cada um desses elementos carrega uma carga simbólica distinta dentro da cultura japonesa. A exposição inédita da Japan House São Paulo parte dessa multiplicidade cromática para apresentar obras de três artistas: a instalação de folhas de papel cortadas em kiri-ê de Ayumi Shibata, a teia suspensa feita do juban de seda da avó de Kaoru Hirano e as snow arts de Tomohiro Kajiyama, desenhos efêmeros traçados a passos sobre a neve de Hokkaido. Curadoria de Natasha Barzaghi Geenen. Av. Paulista, 52 • De 2 de junho a 25 de outubro • @japanhousesp O fascínio e o afeto | Nara Roesler São Paulo Obra de Julio Le Parc Divulgação Uma galeria que completa 50 anos de atuação e escolhe celebrá-los pelo que há de mais invisível: o afeto. A mostra reúne cerca de 30 obras de nove artistas - entre eles Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Julio Le Parc, Brígida Baltar e Vik Muniz - selecionados pelo curador Agnaldo Farias para traduzir a forma singular com que Nara Roesler construiu, ao longo de décadas, relações de cuidado e interlocução com os artistas que representa. A expografia, assinada pelo escritório Vão Arquitetura, reorganiza o espaço com paredes baixas que criam zonas de mistério e curiosidade no percurso. Av. Europa, 655 – Jardim Europa • Até 1º de agosto • @nararoesler Fluxos | Galeria Luis Maluf Obra de Janet Vollebregt Divulgação/Jennifer Brito Formada em arquitetura pela Universidade de Tecnologia de Delft, a holandesa Janet Vollebregt nunca deixou de se perguntar por que certos espaços nos fazem bem - mesmo quando tudo parece formalmente correto. Em Fluxos, essa investigação se materializa em esculturas de latão e cristal pensadas para cantos de 90 graus, "piercings arquitetônicos" que tratam edifícios como corpos, e uma instalação central,Jin Shin Jyutsu Parlour, onde o visitante é convidado a deitar e aplicar em si mesmo técnicas de harmonização energética. Curadoria de Marc Pottier. Rua Brigadeiro Galvão, 996 – Barra Funda • Até 8 de agosto • @galerialuismaluf Ralo | Galeria Luisa Strina "O céu vai virar mar, 2024-2025", de Marina Saleme Divulgação/Edouard Fraipont Rios, mares, céus e rochas que escorrem, se dissolvem, desembocam em um ralo. Com mais de 20 pinturas inéditas, Marina Saleme celebra quatro décadas de criação movida pelo desejo de se surpreender diante da tela — um processo em que a cor é descoberta na superfície, não planejada. A mostra acontece em paralelo ao lançamento da monografia Marina Saleme, publicação com mais de 200 páginas organizada pela própria artista, com textos críticos de Ana Maria Belluzzo, Felipe Scovino e Tadeu Chiarelli. Rua Oscar Freire, 502 – Jardins • Até 25 de julho • @galerialuisastrina ∞ ∞ (infinita infinito) | A Gentil Carioca São Paulo Obra de Maria Nepomuceno Divulgação As esculturas de Maria Nepomuceno não ficam paradas. Construídas em espirais de cordas, contas e costuras com transições lentas de cor, elas parecem pulsar — organismos em permanente mutação que ocupam majoritariamente as paredes, mesmo preservando o que a artista chama de "corpo mole". Na segunda individual da carioca em São Paulo, cerca de dez obras inéditas investigam formas de existência em que corpo, matéria e espaço se tornam sistemas vivos. Texto crítico de Laura Lima. Travessa Dona Paula, 108 – Higienópolis • Até 1º de agosto • @agentilcarioca Força Maior | Galeria O Jardim Andrômeda, obra de Lucrécia Couso Divulgação Linhas vermelhas costuradas sobre fotografias, plantas que crescem sobre superfícies expositivas e uma mesa de perícia médica que recebe matéria orgânica viva — o trabalho de Lucrécia Couso não se contenta em registrar o mundo, ele o transforma enquanto é exibido. Em três núcleos (Andrômeda, Injúria/Ternura e Ancestralidade), a artista de Santos investiga memória, afeto e a insistência da natureza nas cidades, a partir de uma linguagem que ela chama de fotografia expandida. Curadoria de Andrés Hernández. Rua Ilansa, 185 – Mooca • De 30 de maio a 11 de julho • @ojardim185 Beatriz Milhazes: gravuras do acervo | Pinacoteca de São Paulo "O Pato", obra de Beatriz Milhazes Divulgação Flores que formam portais, guirlandas, arabescos, mandalas e colares de contas — tudo em serigrafias que podem chegar a quase dois metros de largura. A Pinacoteca reúne pela primeira vez as 27 gravuras que possui em acervo de Beatriz Milhazes, produzidas entre 1996 e 2019 em parceria com o impressor Jean-Paul Rusell, da Durham Press, na Pensilvânia. A mostra evidencia como a técnica impôs novos desafios à artista — e como ela os subverteu, criando efeitos de transparência e profundidade incomuns à serigrafia convencional. Curadoria de Renato Menezes. Pina Estação, 2º andar – Luz • Até 14 de março de 2027 • @pinacotecasp Mônica Ventura – Antes da forma, o encanto | Nara Roesler São Paulo "Excorpóreo # 05", de Mônica Ventura Divulgação/Tatiana Mito Em sua primeira individual na Nara Roesler, Mônica Ventura apresenta mais de 30 obras inéditas produzidas este ano, entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo, que aprofundam sua pesquisa sobre elementos culturais pré-coloniais dos povos afro-ameríndios. O eixo formal e ancestral da mostra é a cabaça, fruto que atravessa diferentes cosmovisões afro-indígenas como forma matricial do mundo, e que aqui aparece em aço corten, madeira carbonizada, cerâmica, latão e folha de ouro. A curadora Catarina Duncan define o gesto da artista como um deslocamento: "do fetiche colonial para a obra ritual, não como relíquia etnográfica, mas como presença ativa". Av. Europa, 655 – Jardim Europa • Até 1º de agosto • @galerianararoesler Ritos | Roca São Paulo Gallery Obras de Jay Boggo Divulgação A pedra como protagonista - com toda a força, história e ancestralidade que ela carrega. Na exposição que marca a estreia pública da coleção em edição limitada do artista Jay Boggo, peças como o banco Cacau, a poltrona Itamarã e a cadeira Arcos transitam entre o funcional e o escultórico, revelando a potência estética da pedra natural em linguagem contemporânea. A mostra ainda apresenta duas obras inéditas: a escultura 3 Marias, em pedra-sabão, e a mesa de centro Camadas. Desenvolvida em colaboração com Bruno Rodrigues e executada tecnicamente pela Maqstone, com curadoria da Bref design art. Av. Cidade Jardim, 400 – Jardim Europa • Até 15 de junho • @rocasaopaulo Kura Para Falar de Amor | Edifício Cotonifício Instalação de Marcos Cavallaria Divulgação Pioneiro do fashion film no Brasil e com mais de 500 campanhas publicitárias no currículo para marcas como Giorgio Armani, Givenchy e L'Oréal, Marcos Cavallaria estreia sua primeira grande exposição no país combinando arte, tecnologia e física quântica. A instalação principal ocupa verticalmente os 30 metros do vão do elevador do Edifício Cotonifício, com luz, espelhos, laser e optical art criando o que o artista chama de "uma arquitetura vibracional inspirada pela relação entre física, espiritualidade e percepção". Em uma sala dedicada, projeções ao vivo dos projetos Stardust e TimeFrame utilizam lentes desenvolvidas com a RED Digital e cientistas ligados à NASA para revelar fragmentos de luz invisíveis a olho nu. Parte das obras é desenvolvida durante a própria exposição, em tempo real. "Existe algo muito bonito em revelar não apenas o resultado, mas também a vulnerabilidade, o experimento e a transformação da obra acontecendo diante das pessoas", disse o artista à Vogue. Edifício Cotonifício, Largo do Paissandú, s/nº - Centro • Até 7 de junho • @kura.te Casa Mundo Particular | Apartamento 61 Obra de Robinho Santana, na Casa Mundo Particular Divulgação Uma casa modernista projetada em 1939 pelo escultor Victor Brecheret e reformada em 1960 por Rino Levi recebe a primeira edição de um projeto expositivo que inverte a lógica da cidade: em vez de construções avançando sobre a natureza, aqui é a natureza que volta a ocupar a casa. Idealizado por Stefania Dzwigalska e com curadoria de Lilian Fraiji, Casa Mundo Particular reúne dez artistas, entre eles A Transälien, Novíssimo Edgar, Mônica Ventura, Renata Padovan, Robinho Santana e a dupla Gramáticas da Natureza, em obras inéditas e site-specific que atravessam linguagens como escultura, instalação e arte olfativa. Desta última, Louise Martins cria uma fragrância inédita que reconstrói o ecossistema do jacarandá-da-bahia, árvore nativa quase extinta, evocando pelo olfato uma memória de floresta que o corpo ainda guarda. Rua João Moura, 100 – Jardins • @apartamento61 Elementares | Museu de Arte Sacra de São Paulo Denise Milan, "Elementar III" 2026 Divulgação/André Luiz de Luiz Denise Milan pesquisa geodos e cristais há quarenta anos e os trata como registros vivos da formação do planeta. Em Elementares, essa investigação se desdobra em cinco núcleos: basaltos e quartzos que revelam figuras humanas inscritas na matéria mineral, esculturas em alumínio fundido que aproximam geologia e corpo, composições de pedra e metal como mapas simbólicos da formação terrestre e obras sobre expansão e ruptura interna dos cristais. No centro de tudo está o que a artista chama de "drama da matéria", uma narrativa que compreende a Terra como organismo vivo, portador de memória e energia. Curadoria de Naomi Moniz. Av. Tiradentes, 676 – Luz • Até 27 de setembro • @museuartesacrasp Quando o sonho encontra o azul | MIS Fotografia de Daniela Dib Divulgação/Daniela Dib O ponto de partida é um dado linguístico: estudos apontam que diversas civilizações antigas não tinham uma palavra para azul, percebendo céu e mar como territórios vastos e ainda sem nome. A partir dessa ideia, a fotógrafa Daniela Dib constrói cerca de 15 imagens inéditas, produzidas entre 2021 e 2026, em que a cor aparece menos como representação e mais como atmosfera. Entre sombras, reflexos e gestos sutis, as fotografias transitam entre delicadeza e tensão, intimidade e vazio. A montagem reforça a experiência: as obras parecem flutuar, acompanhadas de um leve som de água. Direção artística de Marcelo Greco. Av. Europa, 158 – Jardim Europa • De 23 de junho a 3 de agosto • @mis_sp Poetic Living | Instituto Bardi – Casa de Vidro O francês Jean-Michel Othoniel, um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional, ocupa pela primeira vez uma instituição paulistana com obras criadas especialmente para dialogar com a arquitetura e o universo de Lina Bo Bardi. No jardim, esculturas orgânicas de contas espelhadas refletem a vegetação e a casa; no interior, aquarelas inspiradas nas flores plantadas pela própria Lina são apresentadas sobre cavaletes de vidro, em referência à instalação icônica do MASP. "Esta casa de vidro inundada de luz oferece um cenário singular para minhas obras em vidro, onde reflexos e transparências se multiplicam infinitamente", disse o artista. Rua General Almério de Moura, 200 – Morumbi • Até 11 de julho • @institutobardi Que beleza | Galeria Luisa Strina "Preciso escrever sobre amores, 2025", obra de Bruno Alves Divulgação O projeto nasceu em 2023 como uma série de encontros entre artistas, parte grupo de estudos, parte apresentação de trabalhos, e chega agora à Luisa Strina em formato expositivo. Coordenado pelo artista Alexandre da Cunha e pelo curador José Augusto Ribeiro, Que beleza reúne obras de mais de 20 artistas de gerações e linguagens distintas, entre eles Bruno Alves, Darks Miranda e Germana Monte-Mór, sem a pretensão de unificá-los sob um discurso curatorial. Na primeira fase, 16 participantes das edições anteriores expõem até 18 de julho; na última semana, seis novos convidados chegam para uma quarta edição dos encontros, com performance de Brian Poeta e Ricca Aguilar. Rua Oscar Freire, 502 – Jardins • Até 25 de julho • @galerialuisastrina Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil | Simões de Assis "Constant", obra de Cícero Dias Divulgação/Ana Pigosso Antes do concretismo se consolidar no Brasil, Cícero Dias já desenvolvia experiências abstratas. A exposição na Simões de Assis revisita esse pioneirismo a partir de obras produzidas entre as décadas de 1940 e início dos anos 1960, período em que o artista pernambucano transita da figuração para a abstração enquanto vivia em Paris, em contato com Picasso e o poeta Paul Éluard. No percurso, formas orgânicas se dissolvem em composições geométricas com movimentos em espiral e diagonal, sempre atravessadas por cor, luz e memória sensorial de Pernambuco. O curador Gerardo Mosquera define essa produção como uma obra que convoca "mais um olho-corpo do que um olho-máquina racionalista". Alameda Lorena, 2050 – Jardins • De 2 de junho a 18 de julho • @simoesdeassis_ Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
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