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Por que o Alzheimer afeta mais mulheres? Novo estudo revela impacto no cérebro feminino
Vogue Brasil

Por que o Alzheimer afeta mais mulheres? Novo estudo revela impacto no cérebro feminino

Quase dois terços dos casos de Alzheimer no mundo acontecem em mulheres. Durante anos, a explicação mais repetida para isso era simplesmente "porque elas vivem mais". Mas um novo estudo mostra que a resposta pode ser bem mais complexa. Pesquisadores da University of California San Diego descobriram que fatores de risco comuns para demência, como hipertensão, depressão, sedentarismo, diabetes, excesso de peso e problemas de sono, parecem afetar o cérebro feminino de forma mais intensa do que o masculino. Publicada este mês na revista Biology of Sex Differences, a pesquisa analisou dados de mais de 17 mil adultos e reforça uma hipótese cada vez mais discutida entre especialistas: o envelhecimento cerebral feminino pode seguir regras próprias — especialmente depois da menopausa. As participantes do estudo apresentaram índices mais elevados de depressão, sedentarismo e noites mal dormidas — três condições que já vêm sendo associadas, há anos, ao declínio cognitivo. Mas os pesquisadores perceberam algo ainda mais importante: hipertensão e excesso de peso tiveram uma associação significativamente mais forte na piora do desempenho das habilidades mentais. Ou seja, o mesmo problema metabólico que afeta homens pode ser mais agressivo para o cérebro feminino. A descoberta ajuda a fortalecer uma percepção que médicos especializados em menopausa e envelhecimento feminino vêm repetindo nos últimos anos: o cérebro da mulher madura é profundamente influenciado pelas mudanças hormonais e cardiovasculares que acontecem a partir da transição menopausal. Com a queda do estrogênio (hormônio que também exerce papel neuroprotetor) aumentam os riscos cardiovasculares, a resistência à insulina, alterações no sono, inflamação e oscilações de humor. Tudo isso cria um ambiente biológico que pode tornar o cérebro mais vulnerável ao envelhecimento cognitivo. Não é por acaso os inúmeros relatos de brain fog e dificuldade de concentração justamente na perimenopausa e nos anos seguintes. O estudo também chama atenção para um ponto quase sempre negligenciado: perda auditiva. Embora mais comum entre homens na pesquisa, ela esteve associada a pior cognição de forma mais intensa nas mulheres. Hoje, especialistas já sabem que ouvir menos não afeta apenas a comunicação social, mas também reduz estímulos cerebrais importantes, aumenta isolamento e pode acelerar a diminuição das habilidades cerebrais. Há ainda outro fator muito relacionado ao sexo feminino: a sobrecarga mental. Mulheres continuam sendo, em grande parte, as principais cuidadoras das famílias, acumulando estresse crônico, privação de sono e carga emocional ao longo da vida. E embora o estudo não aprofunde esse ponto, pesquisadores têm investigado cada vez mais como essas experiências também podem impactar o cérebro à medida que ficamos mais velhos. A boa notícia é que muitos dos fatores identificados são possíveis de administrar. Os autores defendem que estratégias de prevenção do Alzheimer talvez precisem deixar de ser genéricas e passar a considerar diferenças biológicas entre homens e mulheres. Isso inclui um olhar mais específico para pressão arterial, saúde metabólica, atividade física, depressão, qualidade do sono e saúde cardiovascular feminina — sobretudo depois dos 50. É preciso entender, definitivamente, que o envelhecimento cerebral feminino tem suas próprias regras.

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