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Vínculo do PCC com setor de combustíveis eleva risco para Brasil após decisão de Trump
Jornal de Brasília

Vínculo do PCC com setor de combustíveis eleva risco para Brasil após decisão de Trump

GUILHERME PIMENTA BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram que as revelações de que o PCC atua no mercado formal brasileiro, principalmente no setor de combustíveis, elevam o risco de agentes financeiros nacionais diante da designação, pelos Estados Unidos, dessas facções como terroristas. A reportagem ouviu de pessoas que estudam os impactos da decisão de classificar como terroristas o PCC e o Comando Vermelho, anunciada nesta quinta-feira (28) por membros do governo Donald Trump, que um dos maiores temores é que empresas estrangeiras deixem de fazer negócios com companhias brasileiras do setor por excesso de cautela, o chamado overcompliance. Companhias brasileiras já estavam intensificando o contato com o governo brasileiro desde que a ameaça da mudança na classificação começou, há alguns meses, para entender possíveis impactos caso o cenário se concretizasse. Os diálogos se intensificaram desde a noite de quinta. A Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com a Receita e já com duas fases, expôs vínculos entre o PCC e a cadeia de combustíveis por meio da atuação de postos de gasolina, fornecedores de combustíveis e distribuidoras. Empresas do sistema financeiro também são investigadas por suposta movimentação ilícita dos recursos. O temor preliminar é de que o vínculo que foi revelado pelas próprias operações conduzidas pelas forças brasileiras poderia servir de alerta para a atuação dos estrangeiros no Brasil. Isso porque, caso seja identificado qualquer tipo de ligação —direta ou indireta— entre um investidor e uma empresa que esteja ligada a uma das entidades sancionadas, poderia haver a aplicação de sanção pelos Estados Unidos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira (29) que a decisão americana pode causar prejuízos à economia brasileira e ter impacto ao investimento estrangeiro direto. Nesta sexta-feira (29), a Secom (Secretaria de Comunicação) divulgou uma nota alegando, sem dar explicações, que o sistema financeiro brasileiro e o próprio Pix poderiam ser impactados pela decisão. Técnicos do governo ouvidos pela Folha afirmam que um efeito sobre o Pix só ocorreria em um caso extremo, caso o governo americano entenda que a ferramenta de transação instantânea facilita a movimentação financeira das facções criminosas. Em entrevista à Globonews, Durigan disse que o temor do Pix surgiu porque o instrumento já tem sido questionado nos Estados Unidos por diversas frentes desde o início da gestão do republicano Donald Trump. O sistema já é alvo da principal investigação comercial aberta contra o Brasil, iniciada no ano passado. "Pode se considerar, a partir de alguma informação que chegue aos Estados Unidos, que as facções criminosas estão usando o Pix. Assim, que haja um ataque ao Pix, uma suspensão, e que empresas que usem o Pix sofram punições", explicou o ministro. "Faremos todo o esforço e não haverá prejuízo ao uso do Pix pela população brasileira", complementou. As equipes do governo avaliam que a decisão americana tem um potencial mais danoso do que a imposição da Lei Magnitsky, que foi imposta ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes no ano passado, bem como a outras autoridades brasileiras. No caso da Magnitsky, no entanto, o impacto era mais limitado ao setor bancário, principalmente nas instituições financeiras nas quais o ministro tinha conta corrente, como o Banco do Brasil. Houve um temor na época de que houvesse uma contaminação no sistema bancário, a outros bancos que fazem negócios com o BB, mas isso não ocorreu. Para um interlocutor do governo, o cenário atual é incerto e possíveis efeitos da classificação das facções CV e PCC como organizações terroristas sobre a economia doméstica dependem do apetite do governo americano para colocar determinados instrumentos em prática. Além do setor de combustíveis, ainda há espaço para que a interpretação a ser dada para o caso do terrorismo seja mais ampla e discricionária. Nesse caso, o investidor estrangeiro poderia optar por não fazer negócios com nenhuma empresa instalada no Brasil, independentemente do setor de atuação. De acordo com estudo dos economistas Walter Enders e Todd Sandler, publicado na revista científica Kyklos, a classificação de organizações criminosas como terroristas causou uma redução significativa do investimento estrangeiro direto em países afetados. A pesquisa constatou que o fluxo líquido de IED caiu 13,5% na Espanha e 11,9% na Grécia.

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