Jornal O Globo
Em meio a depoimentos emocionados, relatos de agressões e lembranças dos últimos dias de vida de Henry Borel, uma outra disputa vem dominando o plenário do II Tribunal do Júri do Rio: a guerra dos laudos médicos. Para sustentar teses opostas sobre a morte do menino, advogados de acusação e defesa mergulharam em conceitos de medicina legal, anatomia e protocolos hospitalares. Um dos principais defensores de Jairinho, Zanone Junior, resumiu o desafio ao comentar a estratégia adotada pela banca. Caso Henry: relatos de agressões contra crianças, contradições e bate-boca marcam quarto dia do júri de Jairinho e Monique Mudança: Fim do pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio é adiado após determinação da Justiça — Nós estudamos medicina para pisarmos aqui nessa corte de justiça — afirmou o advogado antes do início da sessão deste sábado. A frase ajuda a explicar o rumo que o julgamento tomou nos últimos dias. Mais do que discutir versões sobre o que aconteceu no apartamento onde Henry vivia com a mãe e o então padrasto, acusação e defesa passaram a travar uma batalha técnica sobre hemorragias, lesões internas, reanimação cardiopulmonar, edema cerebral, temperatura corporal e até protocolos de necropsia. A principal divergência envolve justamente a causa das lesões que levaram à morte do menino. Enquanto o Ministério Público e a acusação sustenta que Henry foi vítima de agressões, a defesa de Jairinho tenta demonstrar que parte dos ferimentos pode ter sido provocada durante as tentativas de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or. A estratégia ficou evidente durante os depoimentos do perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes e do médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, ouvidos no quinto dia do júri. Durante horas, os advogados discutiram conceitos normalmente restritos a médicos e especialistas. Ao comentar os documentos médicos do caso, Zanone afirmou que sua equipe se debruçou sobre exames, laudos e literatura especializada — incluindo os livros publicados pelas testemunhas — para questionar lacunas que, segundo a defesa, ainda permanecem sem resposta. — Qual que era a temperatura do Henry na hora que chegou? E duas horas depois, qual que era? — disse Zanone. Segundo Zanone, a defesa pretende demonstrar aos jurados que existem inconsistências em documentos hospitalares e periciais produzidos ao longo da investigação. Entre os pontos levantados por ele estão a ausência de fotografias específicas da necropsia, informações sobre a laceração hepática apontada no laudo e registros médicos produzidos durante o atendimento no Barra D’Or. Do outro lado, os peritos ouvidos pelo Ministério Público reforçaram que as lesões encontradas não seriam compatíveis com manobras de reanimação nem com um acidente doméstico. — O acidente doméstico está totalmente descartado. Não existe um acidente doméstico. Isso é uma coisa fantasiosa — afirmou Luiz Carlos Leal Prestes aos jurados. O perito também rejeitou a hipótese de que a massagem cardíaca pudesse explicar os ferimentos mais graves identificados no corpo de Henry. — A massagem cardíaca bem feita não provoca lesões no fígado. Initial plugin text
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