Jornal O Globo
As autoridades de saúde da Califórnia emitiram um alerta à população após um surto considerado sem precedentes de intoxicações causadas por cogumelos venenosos. Desde novembro de 2025, cerca de 50 pessoas adoeceram após consumir espécies silvestres tóxicas, em um balanço que já contabiliza quatro mortes e pelo menos quatro transplantes de fígado. Amivantamab: Injeção experimental elimina tumores em pacientes com câncer avançado e anima pesquisadores Dieta com cautela: ChatGPT vira nutricionista de bolso, mas especialistas alertam para riscos à saúde Segundo o Departamento de Saúde Pública da Califórnia (CDPH), o aumento dos casos está relacionado à proliferação incomum de cogumelos altamente tóxicos, como o "death cap", que pode ser traduzido como "chapéu da morte" (Amanita phalloides), e o "western destroying angel", ou anjo destruidor do Oeste", em tradução livre (Amanita ocreata), encontrados em diferentes regiões do estado. Autoridades classificaram o risco atual de envenenamento por amatoxinas — substâncias que atacam principalmente o fígado — como “extremamente alto”. O número de ocorrências supera amplamente os registros habituais. Em anos normais, a Califórnia contabiliza menos de cinco casos de intoxicação por cogumelos venenosos. O pior episódio anterior havia sido registrado em 2016, quando 14 pessoas foram afetadas. As autoridades acreditam que as chuvas recentes contribuíram para uma expansão incomum da temporada de crescimento dos cogumelos tóxicos. Espécies que normalmente diminuiriam nesta época do ano continuam aparecendo em abundância em várias áreas do estado. Um dos fatores que preocupam especialistas é a semelhança entre cogumelos venenosos e variedades consideradas comestíveis. Segundo os órgãos de saúde, até mesmo pessoas experientes em coleta de fungos foram afetadas durante o atual surto. Além disso, os cogumelos permanecem tóxicos mesmo após serem cozidos, fervidos, congelados ou secos. Cogumelo Amanita phalloides Getty Images Os sintomas iniciais costumam surgir entre seis e 24 horas após a ingestão e incluem náuseas, vômitos, diarreia intensa, dores abdominais e desidratação. Em alguns casos, ocorre uma melhora temporária que pode dar a falsa impressão de recuperação. No entanto, entre dois e quatro dias depois, podem surgir lesões graves no fígado e nos rins, potencialmente fatais. Diante do avanço dos casos, as autoridades orientaram os moradores a evitar completamente a coleta e o consumo de cogumelos silvestres. Especialistas também alertam que aplicativos de identificação e pesquisas na internet não são suficientes para determinar se uma espécie é segura para consumo.
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