Revista Oeste
Os editoriais dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo deste domingo, 31, trouxeram duras críticas ao acordo costurado entre o governo federal e o Distrito Federal para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A instituição financeira privada se encontra em situação de insolvência por causa de um rombo financeiro bilionário provocado pela tentativa de compra de ativos podres do Banco Master. A operação de resgate conta com a intermediação direta do Supremo Tribunal Federal (STF) e prevê a liberação de até R$ 6,5 bilhões em empréstimos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). + Leia mais notícias de Imprensa em Oeste O Estadão classificou os termos do plano de salvamento como uma ofensa ao país e apontou fortes indícios de corrupção e gestão fraudulenta. O jornal paulista criticou o fato de a ajuda financeira ter saído antes mesmo de o BRB auditar e divulgar o balanço financeiro do ano anterior. De acordo com o texto, qualquer banco privado com um buraco de R$ 8,8 bilhões nas contas já teria sofrido liquidação extrajudicial ou venda forçada pelo Banco Central , mas as regras mudaram para blindar aliados em ano eleitoral. Mudança de discurso e blindagem do STF O jornal relembrou que a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou da promessa inicial de não interferir na crise do banco regional. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o secretário-executivo, Rogério Ceron, mudaram a orientação do Planalto logo que a governadora em exercício do DF, Celina Leão, acionou o STF para obter socorro. O ministro Luiz Fux assumiu a relatoria do caso sob a alegação de que a quebra da instituição causaria a perda de autoridade do Judiciário, já que o BRB guarda R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de quatro estados do Nordeste. https://www.youtube.com/watch?v=3ey-0Rtn6P4 A Folha de S.Paulo adotou uma linha analítica semelhante e afirmou que o esforço para capitalizar a empresa só faz sentido sob a ótica da conveniência eleitoral dos governantes. O jornal paulistano destacou que as autoridades preferiram queimar o dinheiro do contribuinte brasiliense em vez de romper com o modelo de captura política do banco estatal. O editorial defendeu que a melhor saída para o mercado seria retirar o controle acionário das mãos do setor público e repassar as operações bancárias para o controle privado por meio de licitação. Risco de descumprimento de metas e impunidade As contrapartidas fiscais impostas ao Distrito Federal foram vistas com ceticismo por ambos os veículos de imprensa. Para obter a ampliação do limite de crédito junto ao Senado, o governo local se comprometeu a cortar 10% das despesas e congelar reajustes salariais, concursos públicos e incentivos fiscais até o fim de 2026. A Folha alertou que promessas de ajuste fiscal feitas por governadores são repetidamente descumpridas no Brasil, quase sempre com o aval posterior e a complacência de ministros do próprio STF. O Estadão concluiu que a operação caminha para terminar em pizza e impunidade geral, sem que os diretores responsáveis pelo desvio do dinheiro tenham recebido punições administrativas ou judiciais. O plano deu direito a um prazo de 15 anos para o pagamento da dívida com dois anos de carência, usando repasses de fundos constitucionais como garantia. Os jornais concordam que o arranjo financeiro engenhoso serve apenas para perpetuar más práticas de governança e transferir o prejuízo da jogada para o bolso dos pagadores de impostos. Leia também: "Circulação de jornais impressos cai 32% no Brasil" O post Estadao e Folha criticam socorro bilionário ao BRB e alertam para blindagem política apareceu primeiro em Revista Oeste .
Go to News Site