Jornal O Globo
O Exército israelense anunciou neste domingo a tomada da fortaleza medieval de Beaufort, em mais um avanço de sua ofensiva terrestre no sul do Líbano, onde Israel afirma querer "esmagar" o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã. As forças israelenses também ordenaram que a população evacuasse uma ampla área do sul do país, entre a fronteira israelense e o rio Zahrani, localizado cerca de 40 quilômetros mais ao norte. Contexto: Israel ordena retirada de moradores de 12 localidades e volta a bombardear sul do Líbano apesar de cessar-fogo Análise: Quem quer a paz Israel-Líbano? Desde o início da guerra, em 2 de março, mais de 3.371 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, segundo autoridades libanesas. Por sua vez, o Exército israelense anunciou neste domingo a morte de um soldado, atingido no dia anterior por um drone explosivo do Hezbollah. Com isso, sobe para 25 o número de israelenses mortos em operações no Líbano. Initial plugin text O avanço israelense ocorre paralelamente às negociações entre Estados Unidos e Irã para tentar encerrar os conflitos no Oriente Médio. O governo iraniano defende que um cessar-fogo no Líbano faça parte de um acordo mais amplo para a região. Entenda: Israel e Hezbollah entram em confronto além de zona no sul do Líbano em meio a disputa por inclusão em cessar-fogo entre EUA e Irã O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou a tomada da fortaleza de Beaufort e divulgou fotografias como prova do avanço, classificando a ação como mais uma etapa da progressão terrestre israelense em direção à região de Nabatieh. "Quarenta e quatro anos após a heroica batalha de Beaufort, e neste dia em que homenageamos os soldados mortos na Primeira Guerra do Líbano (1982), nossas tropas retornaram ao topo de Beaufort e hastearam novamente a bandeira de Israel", declarou em uma publicação na rede X. Initial plugin text Imagens da AFP mostravam neste domingo a bandeira israelense tremulando sobre a fortaleza, cercada por fumaça. O monumento está situado em uma elevação rochosa com vista privilegiada sobre o sul do Líbano e parte do norte de Israel. Após prorrogação de cessar-fogo: Ataque israelense no leste do Líbano mata comandante da Jihad Islâmica O local possui importância estratégica e simbólica, já que serviu como base das forças israelenses durante as duas décadas de ocupação do sul do Líbano, encerradas em 2000. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo que a captura de Beaufort representa uma "mudança dramática" na campanha militar de Israel contra o Hezbollah. — Hoje retornamos a Beaufort de uma maneira diferente. Voltamos unidos, determinados e mais fortes do que nunca — declarou em um vídeo divulgado por seu gabinete. Veja: ONU inclui Israel em lista de acusados de violência sexual em zonas de conflito; país suspende relações com secretário-geral da organização Segundo o premier, a tomada da fortaleza marca uma nova fase da estratégia israelense. — A captura de Beaufort é uma etapa dramática e uma mudança dramática na política que estamos conduzindo. Quebramos a barreira do medo. Estamos tomando a iniciativa e atuando em todas as frentes: na Síria, em Gaza e no Líbano — afirmou. "Esmagar" o Hezbollah A cidadela recebeu em 2024 proteção reforçada da UNESCO. Na sexta-feira, o ministro da Cultura do Líbano, Ghasan Salamé, manifestou preocupação com o "grave perigo" que a ofensiva israelense representa para o patrimônio histórico. Também na sexta-feira, Netanyahu afirmou que as tropas haviam cruzado o rio Litani, localizado cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira. Initial plugin text Neste domingo, o Exército informou que ampliou suas operações contra alvos do Hezbollah para áreas ao norte do rio. "Estamos todos determinados a esmagar o poder do Hezbollah e cumprir nossa missão: garantir a segurança dos habitantes do norte de Israel", escreveu Katz. O Hezbollah anunciou no sábado novos lançamentos de foguetes contra o norte de Israel e afirmou que está combatendo para impedir o avanço das tropas israelenses, especialmente na região de Nabatieh. Trégua: Cessar-fogo entre Israel e Hezbollah no Líbano é prorrogado por 45 dias O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou no sábado o que chamou de "política de terra arrasada e punição coletiva" promovida por Israel, argumentando que ela não trará segurança nem estabilidade. Apesar disso, Salam defendeu a continuidade das negociações diretas com Israel, iniciadas em abril para tentar resolver o conflito e rejeitadas pelo Hezbollah. Segundo ele, esse é "o caminho menos custoso" para o Líbano. Uma nova rodada de conversas entre os dois países, que não mantêm relações diplomáticas, está prevista para os dias 2 e 3 de junho em Washington. Na sexta-feira, representantes militares dos dois países se reuniram no Pentágono, mas o governo libanês não conseguiu obter um cessar-fogo efetivo, já que a trégua teoricamente em vigor desde 17 de abril continua sendo violada.
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