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’Apaga as mensagens’: babá relata orientação de Monique após a morte de Henry e promete se retratar no julgamento | Collector
’Apaga as mensagens’: babá relata orientação de Monique após a morte de Henry e promete se retratar no julgamento
Jornal O Globo

’Apaga as mensagens’: babá relata orientação de Monique após a morte de Henry e promete se retratar no julgamento

A babá Thayná de Oliveira Ferreira, uma das testemunhas mais aguardadas do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte de Henry Borel, afirmou neste domingo, no sétimo dia do júri, que pretende se retratar de versões apresentadas anteriormente sobre o caso. Em depoimento à juíza Elizabeth Machado Louro, antes de ser formalmente ouvida como testemunha, ela relatou episódios que considerou suspeitos envolvendo Jairinho e Henry e afirmou que, após a morte do menino, recebeu orientações para apagar mensagens e minimizar qualquer relato sobre a família. Caso Henry: sexto dia de julgamento chega ao fim após mais de oito horas de sessão e depoimento de três testemunhas Caso Henry: após irmão de Monique Medeiros ser ouvido por oito horas,  depoimento de babá é adiado para domingo — Apaga as mensagens. Vão te perguntar, fala o mínimo. Fala que a nossa relação era muito boa — disse Thayná, ao atribuir a orientação a Monique. A babá foi ouvida inicialmente na condição de informante, já que responde a um processo por falso testemunho em razão das diferentes versões que apresentou ao longo da investigação. Logo no início, confirmou à magistrada que desejava se retratar. Segundo Thayná, ela trabalhou por cerca de um mês na casa onde Henry morava com a mãe e Jairinho, entre o fim de janeiro e o início de março de 2021. Ao ser questionada pela juíza, descreveu três episódios que a fizeram suspeitar que algo não estava bem na relação entre o então vereador e a criança. O primeiro teria ocorrido poucos dias após ela começar a trabalhar no apartamento do condomínio Majestic, na Barra da Tijuca. De acordo com o relato, Henry acordou chamando pela mãe, que havia saído para jogar futebol. Jairinho então teria dito que o menino era “mimado” e o levado para o quarto do casal para uma conversa. Segundo ela, Henry permaneceu cerca de meia hora no quarto e saiu “amoadinho”, sem explicar o que havia acontecido. Mais tarde, já na brinquedoteca do condomínio, teria reclamado de dores no joelho e demonstrado desinteresse em brincar com outras crianças. O segundo episódio, considerado um dos mais relevantes do depoimento, teria acontecido dias depois, quando Monique estava no salão de beleza. Thayná afirmou que Jairinho chegou ao apartamento em um horário incomum, chamou Henry para o quarto do casal e fechou a porta. Desconfiada da situação, ela passou a trocar mensagens com Monique enquanto tentava entender o que acontecia no interior do cômodo. — Ela pedia para eu ficar vendo o que estava acontecendo, tentando escutar alguma coisa. Mandava eu bater, chamar, tentar ouvir — contou. Segundo a babá, após o menino deixar o quarto, ele saiu mancando. Ela gravou um vídeo e enviou para Monique. Durante o banho, Henry teria reclamado de dores na cabeça e relatado que havia levado uma “banda” e caído da cama. Thayná também descreveu um momento de forte resistência da criança quando Jairinho tentou pegá-la no colo após o episódio. — Ele não queria sair do meu colo. Puxou a minha blusa e rasgou — afirmou. A babá disse ainda que, depois disso, recebeu R$ 100 de Jairinho para comprar outra roupa, mas interpretou o gesto como uma tentativa de silenciá-la. — Aquilo não era para comprar uma blusa. Era para comprar o meu silêncio — declarou. Ela também relatou ter ficado indignada quando Monique chegou ao apartamento horas depois e comentou que havia borrado a unha ao voltar para casa. — Eu estava passando por uma situação de nervosismo com aquela criança e ela veio preocupada porque tinha borrado a unha. Isso me deixou mais nervosa ainda — afirmou. Outro trecho que chamou atenção do depoimento foi a descrição do período imediatamente posterior à morte de Henry. Segundo Thayná, ela e a empregada foram levadas por Monique e por uma assessora de Jairinho para um escritório de advocacia onde recebeu orientações sobre o que deveria dizer publicamente. A babá afirmou que foi pressionada a apagar mensagens de celular e orientada a sustentar que a convivência entre os integrantes da família era harmoniosa. Ela afirmou ainda que, no escritório, um advogado insistiu para que ela falasse com jornalistas e defendesse o casal. — “A senhora não vai querer incriminar eles, né? Eles são gente boa” — disse Thayná, reproduzindo a fala que atribuiu ao profissional. Segundo a babá, embora não quisesse dar entrevistas, acabou cedendo à pressão. — Eles ficaram me forçando para eu poder dar essa entrevista. E foi exatamente o que eu fiz — declarou. O depoimento de Thayná era considerado um dos mais aguardados do julgamento justamente porque, ao longo da investigação, ela apresentou versões diferentes sobre os acontecimentos. Em um primeiro momento, afirmou nunca ter presenciado qualquer situação anormal na família. Posteriormente, passou a relatar episódios de agressão e mensagens enviadas em tempo real a Monique relatando comportamentos de Jairinho em relação ao menino. Após a fase em que respondeu às perguntas da juíza como informante, Thayná passou a ser interrogada pelas partes no plenário. O julgamento segue no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

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