Jornal O Globo
Pacientes internados na unidade de terapia intensiva (UTI) do King's College Hospital podem seguir com seus tratamentos em contato com ao ar livre, rodeados de jardim, num ambiente diferente dos monótonos quartos e alas sem cores característicos do ambiente hospitalar. Um grande jardim, com estrutura para receber até mesmo pacientes ainda acamados, foi inaugurado no terraço. A unidade de saúde em Londres é a primeira do Reino Unido com esse designe de ambiente, numa proposta de aliar benefícios terapêuticos da natureza a tratamentos. O ambiente é aberto, com estrutura coberta em alguns trechos, feita em tons de madeira, o que a integra ao jardim. Os corredores são amplos, permitindo movimentação de equipamentos, como macas e cadeiras de rodas. O projeto foi desenvolvido em colaboração entre o arquiteto paisagista de renome mundial Nigel Dunnett e a designer de jardins britânica Sarah Price, três vezes medalhista de ouro no RHS Chelsea Flower Show. — É incrível estar aqui neste jardim na cobertura, acima da unidade de terapia intensiva. Agora os pacientes podem sair e simplesmente apreciar o céu azul, as mudanças climáticas, as árvores plantadas ao redor, as plantas, o aroma. Criamos essas estruturas que realmente aconchegam os pacientes, permitindo que eles experimentem sombra, luz e até um pouco de chuva, se quiserem — disse Sarah Price, em vídeo de apresentação. King's College Hospital, em Londres, inaugura jardim no terraço para receber pacientes de unidade de terapia intensiva Reprodução / Instagram / @kingscollegehospital O hospital tem 60 leitos. A área do terraço pode receber ao mesmo tempo seis pacientes, que podem seguir com o tratamento no espaço, uma vez que o ambiente aberto tem armário médico à prova de intempéries. Nessa estrutura há, por exemplo, acesso a gases medicinais. A exposição a tratamentos fora dos tradicionais ambientes hospitalares pode, ainda, gerar pesquisa de como a exposição a um espaço com ar fresco, vegetação e luz solar contribui na redução do estresse, na diminuição da pressão arterial e na melhora do bem-estar dos pacientes. Esses fatores podem se estender, ainda às famílias das pessoas internadas e à equipe médica. — Muitos pacientes vivenciam alucinações ou delírio no ambiente clínico, o que pode ser extremamente assustador e atrasar a recuperação. Pesquisas mostram que o tempo gasto na natureza pode reduzir o delírio, melhorar os resultados da recuperação e elevar o ânimo dos pacientes e de seus familiares — destacou o Diretor Clínico de Cuidados Intensivos do King's College Hospital, Tom Best, ao falar sobre a idealização do projeto. King's College Hospital, em Londres, inaugura jardim no terraço para receber pacientes de unidade de terapia intensiva Reprodução / Instagram / @kingscollegehospital As escolhas para o jardim também são um destaque estratégico e intencional. Espécies aromáticas, como alecrim, sálvia e orégano, foram incorporadas juntamente com espécies nativas e plantas táteis, como a orelha-de-coelho. Todo o espaço verde é de baixa manutenção, exigindo poucas intervenções para cuidados. — É o completo oposto de uma enfermaria de hospital, e ainda assim os pacientes podem passar longos períodos aqui em cima, onde recebem tratamento. Ao chegar aqui, você se sente imerso na natureza, no verde e em todas essas coisas que realmente trazem paz e força, e que são, em última análise, incrivelmente curativas — explica Sarah Price em vídeo sobre o projeto que assina. King's College Hospital, em Londres, inaugura jardim no terraço para receber pacientes de unidade de terapia intensiva Reprodução / Instagram / @kingscollegehospital
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