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‘Mediocridade no ensino’ explica tombo das universidades brasileiras em ranking, diz especialista
Revista Oeste

‘Mediocridade no ensino’ explica tombo das universidades brasileiras em ranking, diz especialista

O Centro Mundial de Ranking de Universidades (CWUR) divulgou, nesta segunda-feira, 1º, o levantamento global de 2026. Foram avaliadas 21,2 mil instituições, com destaque para as 2 mil melhores. Das 52 universidades brasileiras presentes, 45 caíram de posição em relação ao ano anterior. + Leia mais notícias de Brasil em Oeste O presidente do CWUR, Nadim Mahassen, atribuiu o resultado a "anos de financiamento inadequado e desvalorização da ciência e da educação como bens públicos". O dado que desmonta a narrativa A doutora em Educação Ilona Becskeházy, ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), questiona a afirmação. "Verificando a metodologia que essa consultoria usa, eles não têm como fazer essa afirmação", disse a Oeste . Leia também: "Quase 90% das universidades brasileiras perdem posições em ranking mundial " Os sete indicadores do CWUR medem sucesso acadêmico e profissional de ex-alunos, prêmios de docentes, produção de artigos, publicações em periódicos de destaque, influência e citações. Nenhum deles mensura recursos financeiros. Unicamp e Unesp têm orçamentos próximos, R$ 5,2 bilhões e R$ 4,98 bilhões, respectivamente, e o mesmo controlador: o governo do Estado de São Paulo. No ranking de 2026, a Unicamp chegou ao 379º lugar, com nota 75,8. A Unesp ficou na 479ª posição, com nota 74,6. São 100 posições de diferença com praticamente o mesmo dinheiro. O espelho do ensino básico A ex-secretária de Educação Básica do MEC Ilona Becskeházy | Foto: Divulgação/MEC Para Becskeházy, o problema vai além da disputa por verbas. "O normal é que as universidades brasileiras sejam alinhadas com a mediocridade descarada do ensino básico brasileiro", disse. "Tudo o que se destaca é dentro de alguma bolha, conduzida por alguma pessoa ou grupo excepcional, que, em geral, rema contra a maré." Há ilhas de excelência em medicina, ciências biológicas e algumas engenharias. Nas humanidades, o quadro é outro defendeu. "Na área de educação, por exemplo, as publicações não têm nada de científico e é raríssimo um 'pesquisador' brasileiro desta área ser citado ou participar de grupos de pesquisa internacionais", afirmou. "Até porque, nem falam inglês, sequer leem em inglês." Expansão sem excelência Becskeházy avalia que o modelo de expansão das últimas décadas — novos campi , mais vagas, cotas — gerou volume, não qualidade. "O modelo brasileiro é de assegurar gastos e empregos", disse. "O discurso da inclusão é uma forma fofinha de disfarçar a ignorância geral e a incompetência acadêmica." https://www.youtube.com/watch?v=WesOTookRMA Qualidade, segundo ela, requer esforço, mérito, competição e tempo para estudar e produzir pesquisa. "Itens que não fazem parte da agenda de esquerda, que só vai para a universidade buscar pedacinhos e pedações de poder." O Conselho Nacional de Educação ( CNE ), que define grande parte das diretrizes curriculares da educação básica e superior, concentra indicações do governo federal e da academia, afirmou a especialista. Para Becskeházy, é aí que se encontra a raiz do problema. "Nossas vergonhas educacionais têm a assinatura de petistas e seus apoiadores no Governo Federal e na academia", enfatizou. No ranking global, o Brasil ainda lidera a América Latina, à frente da Universidade Nacional Autônoma do México, que ficou na 287ª posição. No topo, Harvard mantém a liderança pelo 15º ano consecutivo. A novidade é a China, que com 360 instituições entre as 2 mil melhores já supera em número as norte-americanas, com 313. Leia também: “ Condenados por educar ”, artigo de Mateus Conte e Isabela Jordão na Edição 323 da Revista Oeste O post ‘Mediocridade no ensino’ explica tombo das universidades brasileiras em ranking, diz especialista apareceu primeiro em Revista Oeste .

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