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Conheça a ilha dos coelhos no Japão onde os animais recebem turistas logo no desembarque | Collector
Conheça a ilha dos coelhos no Japão onde os animais recebem turistas logo no desembarque
Jornal O Globo

Conheça a ilha dos coelhos no Japão onde os animais recebem turistas logo no desembarque

Mal o visitante pisa no píer e os primeiros coelhos já aparecem entre os arbustos. Em poucos segundos, dezenas deles cercam quem acabou de desembarcar, farejando sacolas e observando cada movimento na expectativa de receber comida. A cena se repete diariamente em Okunoshima, uma pequena ilha japonesa que ficou conhecida mundialmente como a "ilha dos coelhos" e que hoje abriga centenas de animais vivendo soltos em meio a praias, trilhas e ruínas de guerra. 'Agricultura de corais': projeto mira reconstrução de recifes marinhos, ameaçados de sumir com o aquecimento dos oceanos Rio que banha capital do Chile passou de 'valão' a corredor verde com projeto de limpeza por 12 anos Okunoshima está localizada no Mar Interior de Seto, na costa da Prefeitura de Hiroshima, e se transformou em um dos destinos turísticos mais curiosos do Japão. A população de coelhos, estimada entre centenas e mais de mil indivíduos dependendo do período e da metodologia utilizada, vive sem predadores naturais significativos. A entrada de cães e gatos é proibida, o que ajudou os animais a se multiplicarem ao longo das últimas décadas. Initial plugin text Os coelhos são conhecidos pelo comportamento incomum em relação aos humanos. Acostumados à presença constante de turistas, muitos correm em direção aos visitantes assim que eles chegam à ilha. Filhotes, animais de pelagem preta, marrom, branca ou malhada dividem espaço em trilhas e gramados, criando uma paisagem que ajudou Okunoshima a ganhar fama nas redes sociais. Um vídeo viral publicado em 2014, mostrando dezenas de coelhos seguindo uma turista, impulsionou o interesse internacional pelo local e transformou a ilha em uma atração turística de alcance global. Galerias Relacionadas O cenário, porém, esconde uma das histórias mais sombrias da Segunda Guerra Mundial. Entre 1929 e 1945, Okunoshima foi uma instalação secreta do Exército Imperial Japonês dedicada à produção de armas químicas. A operação era tão sigilosa que a ilha chegou a ser retirada de mapas oficiais. No período, foram produzidas milhares de toneladas de agentes tóxicos, incluindo gás mostarda e outros compostos usados em conflitos na Ásia. Até hoje, antigas estruturas industriais e instalações militares permanecem espalhadas pelo território. Para preservar essa memória, a ilha abriga o Okunoshima Poison Gas Museum, inaugurado em 1988. O espaço reúne documentos, equipamentos de proteção, relatos de trabalhadores e registros dos impactos causados pelas armas químicas produzidas no local. Muitos visitantes, no entanto, passam pela ilha sem entrar no museu, atraídos principalmente pelos coelhos. Nem mesmo a origem dos animais é consenso. Uma das versões mais populares afirma que eles seriam descendentes dos coelhos usados em testes com armas químicas durante a guerra. Pesquisadores, porém, consideram essa hipótese improvável. Registros indicam que os animais utilizados nos experimentos foram sacrificados após o conflito. A teoria mais aceita sustenta que um grupo de estudantes levou coelhos para a ilha no início dos anos 1970 e os soltou no local, iniciando a população atual. Estudos genéticos recentes também sugerem que outros animais podem ter sido abandonados ali ao longo dos anos, ampliando a diversidade do grupo. O sucesso turístico trouxe desafios para a sobrevivência dos próprios coelhos. Com o aumento do número de visitantes, os animais passaram a depender cada vez mais da alimentação fornecida por turistas e voluntários. Especialistas alertam que muitos recebem alimentos inadequados e que a vegetação natural disponível na ilha já não é suficiente para sustentar toda a população. Em alguns períodos do ano, os coelhos enfrentam escassez de comida e água, tornando-se vulneráveis também a ataques de javalis e corvos. A situação ganhou contornos ainda mais graves em 2025. A polícia japonesa prendeu um homem de 25 anos acusado de maltratar coelhos na ilha após a descoberta de dezenas de carcaças de animais. Investigações apontaram a morte de ao menos 77 coelhos entre o fim de 2024 e o início de 2025. O caso provocou indignação no Japão e reacendeu discussões sobre a proteção dos animais e o impacto do turismo sobre o ecossistema local. Hoje, Okunoshima recebe perto de 200 mil visitantes por ano, segundo estimativas recentes. Entre praias tranquilas, trilhas à beira-mar e construções abandonadas que lembram o passado militar da ilha, os coelhos seguem sendo o principal símbolo do local. A poucos metros de animais que se aproximam sem medo dos humanos, turistas convivem com vestígios de um dos capítulos mais obscuros da história japonesa — uma combinação que transformou a pequena ilha em um dos destinos mais peculiares do país.

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