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Seu cachorro sofre quando fica sozinho? Estudo mostra o que está por trás e especialista dá orientações práticas | Collector
Seu cachorro sofre quando fica sozinho? Estudo mostra o que está por trás e especialista dá orientações práticas
Jornal O Globo

Seu cachorro sofre quando fica sozinho? Estudo mostra o que está por trás e especialista dá orientações práticas

Com a retomada das rotinas presenciais, o aumento de viagens e dias cada vez mais acelerados, cresce também a atenção dos tutores ao impacto emocional dessas mudanças na vida dos pets. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Behavioural Processes, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), apontou que "ficar sozinho" está entre os principais gatilhos de ansiedade em cães no Brasil, junto de fatores como fogos de artifício e mudanças de ambiente. Seu pet não é gente: veja quando os cuidados de luxo podem ser prejudiciais à saúde do animal Entenda: Por que o termo 'mãe de pet' ainda divide opiniões A pesquisa, realizada com 795 cães, também identificou vocalização excessiva, estado de hiperalerta e comportamentos destrutivos como alguns dos sinais mais recorrentes de estresse. Os dados ajudam a contextualizar por que temas como ansiedade de separação, socialização e qualidade de vida animal passaram a ganhar mais espaço na rotina dos tutores, impulsionando também a procura por serviços especializados. Creches, hospedagens e day cares voltados ao bem-estar dos cães deixam de ter apenas função operacional e passam a incorporar estratégias de cuidado emocional e comportamental. Para a especialista em comportamento animal Beatriz França, fundadora da Creche Escola BFA no Brasil e da PETland BFA, em Miami, ainda existe uma percepção equivocada sobre a capacidade de adaptação dos cães às ausências dos tutores. "Muitos comportamentos considerados ‘birra’ ou ‘desobediência’ são, na verdade, respostas emocionais ao excesso de solidão, à falta de previsibilidade ou ao acúmulo de energia física e mental. O cachorro precisa de estabilidade emocional, estímulos adequados e segurança para lidar bem com uma rotina mais intensa dos tutores", explica. Segundo ela, sinais como destruição de objetos, latidos em excesso, apatia, alterações no sono e hiperatividade podem indicar quadros de ansiedade de separação ou estresse emocional, cada vez mais observados na rotina dos animais domésticos. A seguir, a especialista detalha orientações práticas que podem ajudar tutores a equilibrar rotina, trabalho e viagens sem comprometer a qualidade de vida dos cães: 1. Mantenha uma rotina previsível, mesmo em dias corridos "Os cães se sentem mais seguros quando conseguem prever o que vai acontecer ao longo do dia. Horários relativamente consistentes para alimentação, passeios, descanso e interação ajudam a reduzir ansiedade e insegurança. Não precisa ser uma rotina perfeita, mas precisa existir uma previsibilidade mínima para o animal entender que suas necessidades serão atendidas. Os cães que vivem em ambientes totalmente imprevisíveis tendem a apresentar mais comportamentos compulsivos, agitação e dificuldade de adaptação quando ficam sozinhos", orienta. 2. Evite transformar o passeio em algo apressado "O passeio não serve apenas para gasto de energia ou necessidades fisiológicas. Ele tem um papel emocional e cognitivo importante. O cão precisa explorar o ambiente, farejar, observar estímulos e interagir. Isso ajuda a reduzir estresse, melhora o equilíbrio emocional e evita frustrações acumuladas dentro de casa. Passeios curtos, mas de qualidade, costumam ser mais eficientes do que saídas longas feitas de forma automática e apressada", explica. 3. Antecipe mudanças de rotina ou viagens "Um dos maiores erros é deixar o animal sozinho por longos períodos ou levá-lo para hospedagens sem nenhum preparo prévio. O ideal é que o cachorro conheça o ambiente antes, faça adaptações gradativas e associe aquele espaço a experiências positivas. Isso reduz muito o impacto emocional durante viagens ou ausências maiores. O preparo prévio ajuda a diminuir episódios de ansiedade de separação, estresse e até alterações comportamentais após o retorno do tutor", afirma. 4. Priorize espaços com acompanhamento comportamental "Nem todo espaço é adequado só porque parece bonito ou possui uma estrutura grande. O tutor precisa observar se existe acompanhamento comportamental, supervisão adequada, enriquecimento ambiental e respeito ao perfil individual de cada cão. Ambientes muito estimulantes ou sem controle podem gerar ainda mais ansiedade. Creches e day cares devem funcionar como espaços de equilíbrio e socialização saudável, e não apenas como locais para o animal passar o tempo", alerta. 5. Interação emocional continua sendo essencial "Muita gente acredita que oferecer brinquedos, acessórios ou espaços sofisticados é suficiente, mas os cães precisam de conexão emocional. Mesmo em rotinas corridas, pequenos momentos de interação genuína fazem diferença. Alguns minutos de atenção real, brincadeiras ou carinho ajudam o animal a se sentir seguro e emocionalmente conectado ao tutor", diz. Para a especialista, o bem-estar animal está diretamente ligado ao equilíbrio entre estímulos, descanso, socialização e vínculo afetivo, independentemente da rotina dos tutores. "O cachorro não precisa que o tutor esteja disponível o tempo inteiro, mas precisa sentir estabilidade, previsibilidade e vínculo. Quando isso existe, ele consegue lidar muito melhor com ausências, viagens e mudanças de rotina. O problema não é o tutor trabalhar ou viajar, e sim quando o animal vive sem preparo emocional e sem qualidade nas interações", conclui.

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