Jornal O Globo
O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não aplicasse tarifas sobre empresas brasileiras durante encontro realizado na semana passada na Casa Branca, em Washington. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica de produtos. — Eu pedi expressamente 'não taxem as empresas brasileiras'. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual — afirmou Flávio em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, onde ele cumpre agendas nesta terça-feira. Segundo o parlamentar, ele defendeu que uma eventual volta da direita ao Palácio do Planalto em 2027 poderia abrir caminho para uma relação mais próxima entre os dois países. Durante a entrevista, Flávio relatou ter solicitado diretamente que os Estados Unidos evitassem medidas que afetassem empresas brasileiras e afirmou que um futuro governo alinhado politicamente a Washington poderia ampliar a cooperação bilateral em temas econômicos, incluindo agronegócio, Pix e etanol. O senador também disse que discutiu com Trump a atuação de facções criminosas brasileiras. De acordo com ele, um dos pedidos apresentados ao presidente americano foi o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Dias após o encontro, o governo dos EUA anunciou a classificação das duas facções nessa categoria. A recomendação sobre as novas tarifas ainda depende de decisão final de Trump e integra a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil. Apesar da proposta apresentada pelo USTR, Flávio sustentou que tentou convencer a Casa Branca a não adotar medidas que prejudicassem empresas brasileiras.
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