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Qual o preço da 1ª semaglutida aprovada após o fim da patente? Tratamento começa a R$ 287 por mês; entenda | Collector
Qual o preço da 1ª semaglutida aprovada após o fim da patente? Tratamento começa a R$ 287 por mês; entenda
Jornal O Globo

Qual o preço da 1ª semaglutida aprovada após o fim da patente? Tratamento começa a R$ 287 por mês; entenda

A primeira caneta nacional à base de semaglutida aprovada após o fim da patente da molécula no Brasil, em março, vai chegar às farmácias ainda neste mês com o tratamento inicial a partir de R$ 287 mensais. O medicamento, chamado Ozivy e produzido pela farmacêutica brasileira EMS, recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos na última semana. As vendas da alternativa ao Ozempic, encontrado hoje por cerca de R$ 1 mil, começam a partir de 15 de junho. O preço da caneta será de R$ 452 mensais para as doses iniciais, de 0,25 mg e 0,5 mg, e de R$ 497 para a de 1 mg. No entanto, a farmacêutica terá uma condição especial para os pacientes que aderirem ao Programa Vida + Leve, do EMS Saúde. Para esse público, o valor dos três primeiros meses de tratamento sairá a R$ 861, ou seja, R$ 287 por mês. O Ozivy será comercializado em apresentações com uma e duas canetas por embalagem. No primeiro, momento, serão disponibilizadas mais de 500 mil unidades com distribuição inicial nas principais redes farmacêuticas do país e expansão progressiva para o todo o território nacional. Em nota, o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, diz que o objetivo é "ampliar o acesso da população a terapias modernas, produzidas com os mais elevados padrões de qualidade e segurança". O remédio será produzido na fábrica de Hortolândia, São Paulo, onde, de acordo com a EMS, há capacidade de produção de até 40 milhões de canetas por ano. A implantação da plataforma de peptídeos, usada também para as canetas Olire e Lirux, à base de liraglutida, recebeu investimentos superiores a R$ 1,2 bilhão. A indicação aprovada do Ozivy é para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e exercício. O remédio é também um injetável semanal. Ele precisa ficar armazenado em geladeira a temperaturas de 2 °C a 8 °C antes e depois de iniciado o tratamento – uma diferença para o Ozempic, que exige a refrigeração apenas antes do uso, podendo ficar até 30ºC por até seis semanas após o paciente iniciar as doses. 1ª semaglutida sintética O Ozivy é também a primeira caneta de semaglutida sintética liberada para comercialização no Brasil. O fármaco original, o Ozempic, e o Wegovy, indicado para obesidade, têm origem biológica, assim como os remédios idênticos Extensior e Poviztra, produzidos pela Eurofarma no país a partir de um acordo com o laboratório dinamarquês. Tecnicamente, o Ozivy não é considerado um genérico do Ozempic por não ser comercializado apenas com o nome da substância e pela regulação brasileira não autorizar genéricos de medicamentos biológicos. Na última semana, a Anvisa disse que há ainda outras cinco semaglutidas sintéticas e uma biológica em análise, além de outros pedidos na fila. De acordo com a agência sanitária, os medicamentos biológicos são moléculas complexas que podem ser obtidas a partir de fluidos biológicos, tecidos de origem animal ou ainda de procedimentos biotecnológicos, por meio de manipulação ou inserção de outro material genético (DNA recombinante) ou alteração dos genes. Já os análogos sintéticos são feitos por síntese química, o que resulta em moléculas menores e mais estáveis que podem ser reproduzidas de forma idêntica. No entanto, esses produtos são considerados de alta complexidade, pois compartilham características e riscos de fabricação relacionados às duas categorias. Como a caneta funciona? Como todos os medicamentos da classe de análogos de GLP-1, a semaglutida sintética também será sujeita à prescrição de receita médica em duas vias. Esses remédios, caso do Ozempic, Wegovy e Mounjaro, simulam a ação do hormônio GLP-1 no corpo. No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade, levando à perda de peso. Fim da patente da semaglutida A aprovação do Ozivy apenas foi possível graças ao fim da patente da semaglutida no Brasil, em março. Medicamentos inovadores podem ser protegidos por patente por um período máximo de 20 anos. O prazo garante à farmacêutica que arcou com os custos de desenvolvimento daquele remédio o direito de comercializá-la de forma exclusiva por um tempo. Depois, outros fabricantes podem produzir e submeter à aprovação da Anvisa versões similares ou genéricas. Espera-se que, pelo aumento da concorrência no mercado, os preços caiam. Se seguir a tendência de outros remédios similares e genéricos no Brasil, as novas versões podem chegar a valores de 15% a 60% inferiores que o Ozempic e Wegovy originais. A legislação brasileira define que um genérico deve ser ao menos 35% mais barato do que o medicamento de referência. Na prática, segundo estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), os genéricos costumam ter um preço 60% menor no mercado brasileiro. Em estudo publicado no periódico Economia e Sociedade, pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal de Santa Catarina analisaram essa diferença em farmácias e drogarias do país. O trabalho confirmou que genéricos costumam ser de fato 59% mais baratos, mas apontou que os similares geralmente também têm o custo 15% inferior ao remédio de referência. Canetas no SUS A aprovação da Anvisa não significa que o medicamento será imediatamente ofertado no Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, primeira é feita uma análise de custo-benefício por um grupo técnico do Ministério da Saúde e, no fim, a pasta decide se incorpora ou não o fármaco à rede pública. Mas a redução dos preços com novas alternativas de semaglutida no mercado ampliam essa possibilidade. Em 2025, por exemplo, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deu parecer desfavorável à incorporação do medicamento considerando, entre outras razões, o impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões, quase o dobro do orçamento do Farmácia Popular naquele ano. Enquanto isso, o Ministério da Saúde anunciou um projeto piloto com a Novo Nordisk para avaliar o uso da semaglutida em alguns serviços do SUS, entre eles no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), na capital do Rio de Janeiro.

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