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Tesouro líquido de Stalin e Napoleão: Geórgia abre cofre com milhares de vinhos históricos que podem ir a leilão | Collector
Tesouro líquido de Stalin e Napoleão: Geórgia abre cofre com milhares de vinhos históricos que podem ir a leilão
Jornal O Globo

Tesouro líquido de Stalin e Napoleão: Geórgia abre cofre com milhares de vinhos históricos que podem ir a leilão

O governo da Geórgia abriu as portas de um cofre histórico, localizado um depósito subterrâneo em Tbilisi, revelando uma impressionante coleção de milhares de garrafas de vinho e destilados com até dois séculos de antiguidade. O acervo, que permaneceu décadas escondido atrás de grades de ferro e organizadas em prateleiras de metal, tem ligações diretas com figuras da história mundial, como o imperador francês Napoleão Bonaparte e o ditador soviético, de origem georgiana, Josef Stalin. Raridade: Esqueleto de tiranossauro de 67 milhões de anos vai a leilão nos EUA e pode ter recorde de valor milionário Serpente de 15 metros? Fóssil de animal pré-histórico é descoberto na Índia e pode estar entre os maiores de todos os tempos Essa coleção está em uma antiga fábrica do século XIX financiada pelo filantropo e empresário David Sarajishvili. A abertura de cofre marca a primeira vez que especialistas e o público têm acesso a esse tesouro líquido. Embora os dados oficiais da Agência Nacional do Vinho da Geórgia citem um inventário de cerca de 20 mil garrafas apresentadas na última semana, estimativas ligadas ao projeto apontam que o governo do país seja proprietário de até 40 mil raridades de produção francesa e georgiana. De herança dos czares ao espólio soviético A joia da coroa do acervo está intimamente ligada a Stalin, o filho mais infame da Geórgia, que liderou a União Soviética entre 1924 e 1953. Conhecido por ser um entusiasta apreciador e colecionador de vinhos, Stalin conquistou e ampliou uma adega de peso. O acervo inclui vinhos das propriedades mais prestigiadas de Bordeaux, na França, que originalmente pertenciam ao czar Alexandre III da Rússia e ao seu filho, o último czar, Nicolau II. Após a Revolução Russa de 1917, os soviéticos confiscaram a coleção da dinastia Romanov. Stalin assumiu a guarda das garrafas e, ao longo dos anos, adicionou ao estoque as suas variedades georgianas favoritas. O comunicado oficial da Agência Nacional do Vinho também associa parte das garrafas a coleções pessoais de Napoleão Bonaparte, embora a procedência exata de cada lote ainda esteja sob análise. Fragmento: Trecho de escada da Torre Eiffel é arrematado por R$ 2,6 milhões em leilão em Paris Educação e mercado internacional Agora, especialistas vão identificar cada garrafa, estabelecer suas origens e avaliar o valor histórico e comercial dos produtos. O plano principal é levar as raridades a leilões internacionais e utilizar os fundos arrecadados para abrir uma escola de educação sobre vinhos na própria Geórgia. "Os exemplares exibidos podem se tornar lotes de destaque nos principais leilões internacionais", destacou a Agência Nacional do Vinho em nota. Para além do valor financeiro, a descoberta e a abertura do cofre reforçam o orgulho nacional. O ministro da Agricultura, David Songulashvili, afirmou que o acervo demonstra "a importância da Geórgia como berço do vinho". O país reivindica ter a tradição vinícola mais antiga do planeta. Evidências arqueológicas apontam para uma produção contínua de vinho iniciada há cerca de 8 mil anos. A cultura do vinho é tão central para a identidade nacional georgiana que, em 2013, a Unesco incluiu no Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade o método tradicional do país de elaboração da bebida em qvevri, que consiste em grandes vasilhas de barro que são enterradas no solo para a fermentação. Com AFP e Reuters.

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