Jornal O Globo
Ao responder às perguntas de seus advogados de defesa, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, reconstruiu nesta terça-feira a madrugada em que Henry Borel morreu. Em um dos momentos mais esperados de seu interrogatório no 2º Tribunal do Júri da Capital, o ex-vereador descreveu a rotina nas horas que antecederam a ida do menino ao hospital e afirmou que a criança acordou três vezes durante a noite, procurando pela mãe. Mais cedo, ele negou que Henry tenha sido agredido dentro do apartamento onde estava com ele e Monique Medeiros. ‘Uma mãe não mata seu filho’, defende-se Monique Medeiros em julgamento pela morte de Henry Borel 'Hoje creio que quem matou meu filho foi o Jairo': pela primeira vez, Monique culpa ex-companheiro pela morte de Henry Ao longo do depoimento, Jairinho também contestou a versão da acusação de que o menino apresentava sinais evidentes de violência antes de chegar ao hospital. Para ele, médicos, familiares e até integrantes do Conselho Tutelar teriam percebido imediatamente qualquer indício de espancamento. — Como que eu e Monique vamos levar uma criança que teria sido espancada para dentro de um hospital e os médicos não perceberiam nada? Os médicos viram o corpo, os familiares viram o corpo. E ninguém viu nada — afirmou aos jurados. Em outro momento do interrogatório, o ex-vereador disse acreditar que pessoas próximas à família sabem que ele não agrediu o menino. Ao citar o pai de Henry, Leniel Borel, Jairinho se emocionou. — Sabe o que me deixa mais triste? O Leniel sabe que não fui eu — declarou. 'Mamãe, o Jairo me empurrou e eu caí da cama', diz Monique ao relatar conversa com Henry O ex-vereador também rebateu versões apresentadas durante a investigação sobre o atendimento médico dado a Henry e sobre o que ele próprio teria dito ao longo do inquérito. Segundo ele, jamais afirmou ao delegado que o menino havia caído da cama e alegou que informações importantes sobre o que ocorreu no hospital não foram consideradas durante o processo. — Eu não disse para o delegado que ele caiu da cama. O processo sonegou o que aconteceu no hospital — declarou. Monique Medeiros durante julgamento pela morte do filho, Henry Borel, em março; júri acabou adiado para ocorrer entre maio e junho Gabriel de Paiva / Agência O Globo / 23-03-2026 Como foi a volta de Henry para casa, na versão de Jairinho Ao narrar os acontecimentos daquela noite, Jairinho afirmou que, após retornarem para casa, quando Henry chegou depois de passar o fim de semana com o pai, Monique deu banho no menino e tentou alimentá-lo, mas ele se recusou a comer antes de dormir. — Subimos para o apartamento, Monique deu um banhozinho nele, ele se nega a comer e ela o botou para dormir — relatou. De acordo com ele, Henry acordou três vezes entre o fim da noite e a madrugada, sempre chamando pela mãe. Jairinho afirmou que, em todas as ocasiões, Monique o pegou no colo e o levou de volta para o quarto do casal. — Todas as vezes a Monique levou ele para o quarto no colo. Na terceira, por volta de 1h, eu fui para o quarto de hóspedes — contou. O pequeno Henry Borel, morto aos 4 anos Reprodução O ex-vereador acrescentou que o comportamento não era incomum e que o menino costumava resistir a dormir sozinho quando passava a noite no apartamento. — Ele dizia que não queria ficar sozinho. Todas as vezes que ele dormiu naquela casa, ele não quis dormir sozinho — afirmou. A reconstrução integra a etapa final do interrogatório de Jairinho, que ao longo da noite negou repetidamente ter agredido Henry e sustentou que foi acusado injustamente pela morte do menino. — Eu não fiz isso com o Henry. Minha vida está destruída, minha família está destruída por conta de uma história que foi criada — declarou.
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