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Basta terminar uma corrida, caminhada ou treino na academia para o smartwatch mostrar quantas calorias foram queimadas durante a atividade. O número aparece na tela em tempo real e virou uma das métricas mais acompanhadas por quem tenta emagrecer, melhorar o condicionamento físico ou simplesmente manter hábitos mais saudáveis. Mas, apesar da sensação de precisão transmitida pelos relógios inteligentes, o cálculo não é uma medição direta do corpo humano. Na prática, dispositivos de marcas como Apple, Samsung, Garmin e Fitbit usam sensores e algoritmos para "ler" sinais fisiológicos e padrões de movimento e assim estimar o gasto energético. Especialistas em endocrinologia, educação física e tecnologia ouvidos pelo TechTudo explicam que os smartwatches cruzam informações como frequência cardíaca, movimento corporal, GPS, idade, peso e altura para calcular as calorias gastas. Ainda assim, fatores como metabolismo, composição corporal, condicionamento físico e até o tipo de exercício podem interferir nos resultados e gerar margens de erro importantes. A seguir, entenda como funciona a tecnologia por trás desses cálculos e até que ponto é possível confiar nos números exibidos na tela. Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursos Como o smartwatch sabe que você está dormindo? Especialistas explicam Smartwatches são aliados na contagem de calorias, mas não são muito precisos Unsplash ➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews Qual smartwatch é bom e barato? Pergunte no Fórum do TechTudo Como os smartwatches sabem quantas calorias você gasta? Especialistas explicam O TechTudo reuniu as principais informações sobre como os smartwatches calculam o gasto calórico, o nível de precisão dessas estimativas e os fatores que podem interferir nos resultados. Confira, no índice abaixo, os principais pontos que serão abordados ao longo do texto. Como o smartwatch calcula as calorias gastas? Dá para confiar na contagem de calorias do smartwatch? A marca do relógio pode interferir nos resultados? Por que é difícil estimar a quantidade de calorias gastas? Como o smartwatch calcula as calorias gastas? Os smartwatches não conseguem medir diretamente quantas calorias uma pessoa gasta ao longo do dia. Na prática, os relógios fazem estimativas com base em sensores e algoritmos que interpretam sinais do corpo e padrões de movimento. Para chegar ao resultado, os dispositivos cruzam informações coletadas em tempo real, como frequência cardíaca, intensidade da atividade física e deslocamento, com dados cadastrados pelo usuário, incluindo idade, peso, altura e sexo. Segundo o médico especialista em saúde integrada e longevidade Marcelo Bechara, o cálculo feito pelos smartwatches combina diferentes camadas de estimativa fisiológica e metabólica. Bechara explica que o dispositivo parte de um equivalente metabólico da atividade, transformando dados como frequência cardíaca e características físicas em calorias estimadas. Já o mestre em Educação Física pela Universidade de Brasília Daniel McManus complementa que os relógios utilizam essas informações para estimar o consumo de oxigênio do organismo durante o exercício. O sistema cruza variáveis como frequência cardíaca, movimento, GPS, idade, peso e altura para chegar ao gasto energético final por meio de algoritmos. Contagem de calorias exibida pelos smartwatches deve ser encarada apenas como uma estimativa Divulgação/Samsung Entre os sensores mais importantes para esse cálculo estão o acelerômetro, responsável por identificar movimentos do corpo; o giroscópio, que mede rotação e orientação espacial; e o monitor cardíaco óptico. Este último é capaz de detectar alterações no fluxo sanguíneo e medir os batimentos cardíacos, exibindo na parte externa apenas uma luz verde característica. Em atividades ao ar livre, recursos como GPS também ajudam a refinar a estimativa de velocidade, distância e ritmo da atividade. O professor da Fundação Getulio Vargas e especialista em tecnologias emergentes Kenneth Corrêa afirma que o principal diferencial dos smartwatches está na capacidade de combinar diferentes fontes de informação ao mesmo tempo. “Fabricantes como Apple, Samsung e Garmin utilizam algoritmos proprietários complexos que funcionam como uma ‘caixa-preta’. Esses sistemas cruzam os dados de movimento, posicionamento e batimentos cardíacos milhares de vezes por minuto para identificar padrões de atividade e transformar essas informações em estimativas de gasto energético”, afirma. Além das chamadas “calorias ativas”, gastas durante exercícios e movimentos do dia a dia, muitos relógios também calculam as “calorias em repouso”. Esse valor representa a energia usada pelo organismo para manter funções básicas do corpo funcionando, como respiração, circulação sanguínea e controle da temperatura corporal. Para isso, os dispositivos utilizam estimativas da Taxa Metabólica Basal (TMB), calculada a partir das características físicas do usuário. Em alguns modelos, o total exibido na tela é justamente a soma das calorias em repouso com aquelas gastas durante atividades físicas. Dá para confiar na contagem de calorias do smartwatch? Estudos científicos apontam que a contagem de calorias exibida pelos smartwatches deve ser encarada apenas como uma estimativa. Uma revisão publicada na revista científica JMIR mHealth and uHealth, que analisou 158 estudos sobre dispositivos vestíveis, concluiu que nenhuma das principais marcas avaliadas apresentou precisão consistente na estimativa de gasto energético. Segundo os pesquisadores, relógios de empresas como Apple, Fitbit, Garmin e Samsung mostraram desempenho mais confiável em medições cardíacas e contagem de passos do que no cálculo de calorias queimadas. A endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de Mato Grosso do Sul, Bianca Rahal Paraguassú, afirma que os relógios inteligentes não oferecem precisão suficiente para uso clínico. “As evidências atuais mostram que os dispositivos de consumo não têm a precisão necessária para situações em que o gasto calórico exato é fundamental. As principais marcas apresentam margem de erro média superior a 30%”, explica. A contagem de calorias exibida pelos smartwatches deve ser encarada apenas como uma estimativa Ketut Subiyanto Apesar disso, a médica ressalta que os relógios inteligentes ainda podem ser úteis como ferramenta de acompanhamento e incentivo à atividade física. “O maior valor do smartwatch não é ser um medidor perfeito de calorias, mas ajudar o usuário a acompanhar hábitos e evolução ao longo do tempo”, afirma. O professor Daniel McManus concorda. “Os smartwatches podem ser úteis para comparar níveis de atividade ao longo do tempo, mas não são precisos para medir calorias exatas”, diz. A marca do relógio pode interferir nos resultados? Cada fabricante utiliza sensores e bancos de dados próprios para interpretar as informações coletadas durante a atividade física. Na prática, dois relógios diferentes podem chegar a resultados diferentes para um mesmo exercício. Empresas como Apple, Fitbit, Garmin e Samsung investem em tecnologias próprias para fazer as medições. Enquanto alguns modelos dão maior peso à frequência cardíaca, outros priorizam padrões de movimento ou intensidade do exercício. Mesmo assim, os estudos mais recentes indicam que nenhuma marca consegue entregar precisão total na estimativa de calorias. Em geral, os relógios inteligentes tendem a ser mais confiáveis para medir frequência cardíaca e passos do que calorias queimadas. Ainda assim, vale ressaltar que relógios mais avançados costumam ter sensores cardíacos e sistemas de análise mais sofisticados, o que pode melhorar a estimativa do gasto calórico. Relógios inteligentes tendem a ser mais confiáveis para medir frequência cardíaca e passos do que calorias queimada Ana Letícia Loubak/TechTudo Entre as marcas analisadas, os modelos da Apple costumam aparecer entre os mais precisos em monitoramento cardíaco e estimativas de atividade física. Relógios da Garmin se destacam por integrar GPS e métricas voltadas para atletas, enquanto dispositivos da Fitbit apresentam bons resultados em monitoramento diário e atividades leves. Outro fator importante é que a precisão pode variar dependendo do perfil do usuário e do tipo de exercício realizado. Um smartwatch pode apresentar resultados mais próximos da realidade em corridas e caminhadas, mas perder precisão em musculação ou treinos de alta intensidade. Por isso, a recomendação é ter os números dos relógios como referências aproximadas para acompanhar tendências e evolução física ao longo do tempo, e não como medidas exatas. Por que é difícil estimar a quantidade de calorias gastas? Calcular com precisão o gasto calórico é complexo porque envolve uma combinação de fatores fisiológicos individuais que mudam de pessoa para pessoa. Segundo os especialistas ouvidos pelo TechTudo, variáveis como composição corporal, metabolismo, sono e até estado hormonal fazem com que duas pessoas possam ter gastos energéticos diferentes. Além disso, pessoas com o mesmo peso podem gastar quantidades distintas de energia, já que cada corpo responde de forma diferente ao exercício. Na prática, isso torna impossível chegar a um número preciso de calorias gastas. Smartwatch não acessam a composição corporal real do usuário, o que interfere no cálculo do gasto calórico Reprodução/Freepik A endocrinologista Bianca Paraguassú lembra que a principal limitação está no fato de que o smartwatch não acessa a composição corporal real do usuário. “O relógio sabe apenas peso, altura e batimentos. Ele não diferencia massa muscular, gordura e distribuição de água no corpo”, explica. Ela acrescenta que isso afeta especialmente exercícios como a musculação, em que a frequência cardíaca pode subir sem refletir no gasto energético da contração muscular, quebrando a lógica usada pelos sensores. Do ponto de vista tecnológico, o problema também é estrutural. Para o especialista em dados Kenneth Corrêa, o desafio é que o dispositivo tenta estimar um processo complexo do corpo humano com informações limitadas captadas no pulso. “É tentar adivinhar o funcionamento de todo o organismo monitorando apenas uma pequena área do corpo e dados básicos configurados pelo usuário”, afirma. Na prática, os relógios trabalham com estimativas indiretas baseadas em movimento e frequência cardíaca, o que gera margem de erro, especialmente em atividades mais intensas ou irregulares. Com informações de Garmin, Revista Galileu, SAS e Science Direct Mais do TechTudo
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