Revista Oeste
LISBOA — O Gilmarpalooza chega ao fim nesta quarta-feira, 3, depois de reunir, ao longo de três dias, ministros de tribunais superiores, integrantes do governo Lula, parlamentares, empresários, advogados e acadêmicos na Universidade de Lisboa. + Leia mais notícias exclusivas na coluna No Ponto A programação de encerramento teve como destaques o economista Joel Mokyr, vencedor do Prêmio Nobel de Economia; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Os três participaram dos principais painéis do último dia do Fórum de Lisboa. Em um dos debates mais aguardados da programação, Galípolo avaliou que o Brasil está relativamente mais bem posicionado do que outras economias para enfrentar choques externos. “O Brasil se mostrou relativamente mais bem posicionado do que outros países para enfrentar esses choques por causa de características específicas benéficas de sua economia”, declarou. Segundo o presidente do Banco Central, uma das razões para isso é a diversificação dos parceiros comerciais brasileiros. Galípolo observou que, depois da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, em 2024, havia a expectativa de que a economia norte-americana ampliasse sua vantagem competitiva em relação ao restante do mundo. “Imaginava-se que o novo governo seria bastante pró-mercado, que reduziria a tarifa sobre empresas, que desregulamentaria o mercado, e isso estimularia um crescimento mais acentuado da economia norte-americana”, afirmou. A presidente da Petrobras, por sua vez, defendeu uma transição energética gradual e compatível com a realidade atual da economia mundial. Segundo Magda Chambriard, a substituição dos combustíveis fósseis exige planejamento e não elimina, no curto prazo, a necessidade da produção de petróleo. “O aumento da substituição do petróleo pela guerra irá acelerar a produção de novas tecnologias e pesquisas com a finalidade de procurar um novo patamar energético mundial”, disse. A executiva também sustentou que o desafio passa pela conciliação entre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e produção agropecuária. Na avaliação dela, a transição energética exige equilíbrio entre os interesses do agronegócio, as metas ambientais e a atuação das organizações não governamentais. Ao comentar os reflexos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de energia, Chambriard afirmou que os impactos econômicos devem permanecer mesmo depois do eventual encerramento das hostilidades. “Os efeitos transcenderão o fim da guerra e perdurarão por, pelo menos, quatro anos, até voltarem ao patamar de US$ 60 o barril”, declarou. Além dos debates oficiais, o último dia do Fórum de Lisboa manteve a intensa movimentação nos bastidores observada desde a abertura do encontro. Empresários, magistrados, advogados e autoridades brasileiras participaram de reuniões reservadas, almoços e eventos paralelos espalhados pela capital portuguesa. Nobel alerta para suposta desinformação e perda de confiança O economista Joel Mokyr, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e professor da Northwestern University, também participou da programação de encerramento do Fórum de Lisboa. Em sua exposição, o acadêmico abordou os impactos da tecnologia sobre o desenvolvimento econômico e dedicou parte da apresentação aos efeitos das redes sociais na circulação de informações. Segundo Mokyr, o ambiente digital ampliou a velocidade de propagação da desinformação e reduziu a capacidade de as melhores ideias prevalecerem naturalmente no debate público. “Não podemos ter certeza de que, em um mercado impulsionado pelas redes sociais eletrônicas, as boas ideias normalmente expulsarão as ruins”, afirmou. O economista também demonstrou preocupação com a erosão da confiança em especialistas e instituições. “O problema hoje é que a tecnologia moderna torna mais fácil para charlatães e teóricos da conspiração enganarem o público”, disse. “A confiança nos especialistas está se deteriorando em todo o mundo. Isso é perigoso.” De acordo com Mokyr, teorias conspiratórias e crenças sem respaldo científico podem produzir consequências econômicas e sociais relevantes, além de aprofundar a polarização política. “O progresso depende da tecnologia da confiança”, afirmou. Apelidado de “Gilmarpalooza” por reunir parte expressiva da elite política, jurídica e econômica brasileira em Lisboa, o Fórum de Lisboa encerra sua 14ª edição preservando a tradição de combinar debates públicos com articulações informais longe de Brasília. O post Gilmarpalooza — Dia 3 (último): Nobel de Economia, presidente da Petrobras e Galípolo participam do encerramento apareceu primeiro em Revista Oeste .
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