Jornal O Globo
A mulher de 37 anos presa nessa terça-feira (2) por se passar por uma adolescente de 12 anos, em Joinville, Santa Catarina, onde foi acolhida como filha por uma família por mais de um ano, já havia praticado o mesmo golpe em outros estados, inclusive tendo sido presa, segundo a polícia. Segundo o delegado, ela seguia “o mesmo modus operandi, e a única coisa que mudava era o primeiro nome". Chupeta, mamadeira e ninar: Como agia a mulher de 37 anos que fingiu ter 12 e foi presa em Santa Catarina De aborto à maioridade penal: Oposição no Congresso tenta aprovar propostas que são bandeiras eleitorais antes da campanha Ao GLOBO, o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Bueno Gusso, disse que a mulher tem passagens pelas polícia do Rio Grande do Sul, de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Ceará. Bueno afirmou ainda que, embora ela dissesse para a família que a acolheu que havia nascido no Pará, na verdade ela é natural do Ceará. Por 14 meses ela foi acolhida por uma familía em Joinville e fez uso de chupeta, mamadeira e fingia ter crises de medo à noite para a mãe adotiva fazê-la dormir. A suspeita contou à família que havia sofrido abusos e maus-tratos para justificar a aparência de idade mais avançada. — Ela veio com uma história triste, disse que foi obrigada na infância a viver em uma casa de prostituição e que nesse local era obrigada a tomar hormônios para desenvolver um porte físico maior e, em razão desses supostos hormônios, ela aparentava ter uma fisionomia mais velha — disse o delegado. Quando a família tentou matricular a “menina” em uma escola e formalizar o processo de adoção, a golpista entrou em pânico e argumentava que o suposto pai biológico a encontraria e tiraria da família adotiva. A mulher, que se passava por Gabriele e completará 38 anos na semana que vem, foi detida na casa das vítimas, no distrito de Pirabeiraba. Conforme a Polícia Civil, ela é investigada pelo crime de estelionato e falsa identidade. Ela confessou o crime. Família não acreditou se tratar de um golpe Na semana passada, a polícia foi procurada por um parente da família adotiva e iniciou a investigação. Após levantar a ficha em outros estados, os investigadores chegaram a imagens anteriores da mulher. Ao mostrar as fotos para o familiar, foi confirmada a identidade. Com base nisso, foram à casa da família vítima do golpe. — A família teria sido sequestrada emocionalmente. Agiram de boa-fé, no sentido da solidariedade, e acabaram adotando essa "adolescente". Em um primeiro momento (após a denúncia), eles não acreditaram muito que se tratava de um golpe — lembra Bueno. — Mas aí a gente conseguiu mostrar as provas de que realmente ela era uma farsante. O delegado afirma que se trata de uma família bem estruturada econômica e socialmente e que a “filha” recebia os melhores cuidados. Os ganhos do estelionatário, diz Bueno, não são apenas financeiros. *Estagiário sob supervisão de Alfredo Mergulhão
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