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MPF denuncia executivo chileno detido por racismo em voo no Brasil
Jornal O Globo

MPF denuncia executivo chileno detido por racismo em voo no Brasil

O executivo chileno que foi detido no dia 15 de maio no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após fazer comentários racistas e homofóbicos dentro de um avião foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF). O homem ofendeu e um comissário dizendo que tem "cheiro de negro brasileiro" e afirma que ser gay "é um problema". Em nota divulgada após o caso, a defesa alegou que o chileno estava fora de si e que passa por tratamento psiquiátrico há 13 anos. Conta de luz mais cara: com El Niño, país deve ter bandeira vermelha por mais tempo este ano Classe econômica menor: Companhias aéreas ampliam oferta de assentos premium para fisgar quem quer mais conforto e mordomia Segundo o MPF, além dos crimes de atentado contra a segurança de transporte aéreo e injúria racial, o passageiro deve responder por ameaças dirigidas aos agentes da Polícia Federal que o abordaram, desacato e resistência à prisão. Além dos funcionários da empresa aérea, os próprios policiais foram alvo de agressões verbais. O acusado está preso preventivamente. O caso foi registrado e encaminhado à Polícia Federal, que pediu a prisão do homem, com apoio do MPF. A Justiça Federal acolheu o pedido e expediu o mandado de prisão preventiva, cumprido no dia 15, quando o passageiro desembarcou novamente em Guarulhos vindo do exterior. Naquele dia, ele estava na sala VIP da Latam no aeroporto, onde momentos antes havia proferido mais insultos, também de cunho racista, direcionados a copeiras e a uma auxiliar de limpeza que trabalhavam no local. O MPF reafirma que durante a abordagem, os agentes foram desacatados e precisaram usar algemas diante da resistência do passageiro em acompanhá-los. No percurso até a delegacia, o homem ainda fez ameaças de morte aos policiais e reproduziu mais ofensas a eles. Entenda o caso O episódio ocorreu em 10 de maio, no voo LA8070 da Latam Airlines, que seguia de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha. Ele foi detido quase uma semana depois, no retorno de sua viagem ao exterior, após participar de uma feira internacional a trabalho. Germán Naranjo Maldini atuava como gerente da Landes, uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha. Na noite de sexta-feira, a Landes afastou “formal e preventivamente” o executivo de suas funções, de acordo com a imprensa chilena. Initial plugin text No primeiro trimestre de 2026, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) registrou alta de 19% dos casos de indisciplina em voos domésticos, na comparação com os primeiros três meses do ano passado. Novas regras que começam a vigorar em setembro preveem multa de até R$ 17,5 mil a passageiros aéreos indisciplinados e até mesmo o banimento dos aeroportos por 12 meses, conforme a gravidade da ocorrência. A agressão do empresário chileno no voo que seguia para Frankfurt começou quando ele tentou abrir a porta do avião e foi impedido pela tripulação. Uma pessoa que estava a bordo gravou um vídeo do comportamento de Maldini que viralizou nas últimas horas, no qual podem ser ouvidos os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um integrante da tripulação. Ofensas diversas — Ele é gay contra mim — disse inicialmente. — Qual é o problema?— perguntou uma comissária. E o chileno, que insistia em afirmar que tinha um problema com o funcionário da companhia aérea, respondeu: — Ninguém tem problema algum, ele tem um problema comigo. Os gays já basta serem tão... tão... — disse sem conseguir completar a frase, Depois complementou: — É um problema, para mim, ser gay. A agressão continuou diante da indignação do restante da tripulação, desta vez com comentários racistas: — A pele negra. O que mais... o cheiro de negro brasileiro. Cheiro de brasileiro. Calendário: Que dia a Receita abre consulta para o primeiro lote de restituição do Imposto de Renda 2026? Uma das comissárias a bordo afirmou ao viajante: “Vamos desembarcar, porque você está incomodando, agredindo”. Mas ele respondeu de forma desafiadora: — Uh, que medo — disse, depois olhando para outra pessoa: — Esse aí eu não conheço. Você, negro, macaco, eu não conheço. Macacos ficam nas árvores — provocou para, em seguida, fazer sons semelhantes aos de um macaco. Segundo o jornal argentino La Nación, a vítima registrou denúncia junto à Polícia Federal, o que deu início a uma investigação que terminou com uma ordem de prisão preventiva contra Maldini emitida pela Justiça Federal. Desgaste reputacional: Suspensão da Ypê abre espaço para concorrentes, mas analistas veem força da marca para atravessar crise Procurada, a Latam informou que Maldini foi detido na última sexta-feira no Aeroporto de Guarulhos, quando retornava ao Brasil para fazer conexão em seu voo. Em nota, a Latam disse que condena energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”. A empresa disse ainda que está oferecendo apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário vítima dessa violência”. Pedido de desculpas Em comunicado divulgado no dia 19 de maio, a defesa do executivo informou ter pedido à Justiça Federal avaliação da condição clínica e do estado mental de Maldini. Segundo seu advogado, Carlos Kauffmann, Maldini "faz tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos, possui histórico de internações relacionadas à saúde mental e faz uso contínuo de medicação controlada". Ainda de acordo com Kauffmann, as informações médicas foram levadas oficialmente às autoridades "para demonstrar que o chileno necessita de acompanhamento e avaliação especializada, independentemente da manutenção da prisão". O estrangeiro apresentou pedido público de desculpas ao tripulante envolvido no caso e aos brasileiros. Em inglês, ditou o seguinte depoimento à defesa: “Eu acredito em todos os seres humanos. Eu os amo sem diferenças. Eu acredito no amor sem diferenças. Eu só ajudei pessoas durante toda a minha vida, sem diferenças. Fiquei chocado pelas minhas palavras no vídeo. Isso não reflete o que eu acredito". "Perdi meu irmão um tempo atrás e bebi demais. Estava passando por tratamento psiquiátrico. Queria poder dizer isso para todas as pessoas que aparecem no vídeo: a pessoa que vocês viram não sou eu, é uma pessoa que estava fora de si. Mando amor para todas as pessoas e minhas sinceras desculpas para quem eu machuquei". Em seguida, ele se dirige ao comissário de bordo que afirmou ter "cheiro de negro brasileiro". "Provavelmente, você está bravo demais para me perdoar, mas espero ter a chance de me desculpar pessoalmente com você. De novo: não era eu. Minha mente estava em um estado alterado. Queria ter a oportunidade e a permissão de escrever essa carta de próprio punho, mas, por ora, tive que pedir que meu advogado o fizesse.” Afastado do cargo Antes do pedido de desculpas de Maldini, a companhia chilena Landes divulgou um comunicado no qual repudiou a conduta de seu funcionário. “A Landes condena de maneira categórica e sem nuances qualquer ato de discriminação, racismo ou homofobia. Esse tipo de conduta é absolutamente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que rege todos os colaboradores da empresa”, afirmou a companhia. Na nota, a empresa esclareceu que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e que não havia sido notificada da prisão antes de ela se tornar pública. Em outro comunicado, desta vez dirigido aos funcionários, a empresa disse que "enquanto se apuram todas as informações necessárias, a Landes decidiu afastar formal e preventivamente Germán Naranjo de suas funções", segundo o portal chileno Bio Bio Chile.

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