Jornal O Globo
Carinhoso e brincalhão, como toda criança. Assim Henry Borel Medeiros era descrito por familiares. Numa das últimas cenas registradas em sua curta vida, que durou só 4 anos e 10 meses, ele estava num parque de diversões na Barra da tijuca, ao lado do pai, Leniel Borel. Nas imagens registradas pela câmera de segurança, o menino aparece dançando, rindo e abraçado ao pai, num flagrante de lazer. Julgamento do caso Henry: atual mulher de Jairinho fala sobre 'infidelidade' do ex-vereador; 'Ele tinha esse defeito', diz Testemunha de defesa de Jairinho: ‘Lesão teria coagulado espontaneamente’, diz médico sobre laceração hepática apontada como causa da morte Segundo parentes, o parque de diversões era o local que ele mais gostava de frequentar. Morando há pouco no bairro, o menino não teve tempo de completar o primeiro mês de aulas em uma escola católica do lugar. Nem de ser matriculado no curso de teatro escolhido pela mãe, Monique Medeiros. Tampouco de fazer amizades no condomínio para o qual os dois se mudaram com o namorado da mãe, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Henry nasceu na maternidade Perinatal, em 3 de maio de 2016. Assim como a mãe, passou seus primeiros anos de vida em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Ao crescer, foi matriculado em um jardim escola nas redondezas. E passou a dividir o tempo entre brincar, jogar futebol e correr atrás de Olívia, a cachorrinha da família. Nos fins de semana, com a volta do pai à cidade — por necessidade profissional, Leniel passou temporadas em Macaé —, ficavam esporadicamente no apartamento do Recreio. Agressão: cabeleireira relata ligação de vídeo em que menino disse à mãe que ‘tio’ tinha dado uma ‘banda’ Em entrevista ao GLOBO, Leniel confessou que a distância ajudou a esfriar o relacionamento dele com a mãe de Henry. Os três dividiram o mesmo apartamento durante a pandemia, mas o volume de trabalho, mesmo em home office, acabou por afastá-lo da família, fazendo com que a relação desandasse de vez, culminando com a separação. Monique e o filho então deixaram a cobertura do Recreio e voltaram para Bangu. Julgamento: Perito do IML afasta hipótese de queda acidental para explicar morte de Henry; Monique deixa júri ao exibirem fotos do menino morto Tempos depois, ela conheceu Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho. Em poucos meses de relacionamento, ela e o filho foram morar com ele em um apartamento no condomínio Majestic, no Cidade Jardim. O imóvel, de três quartos, ficou com um cômodo para o casal, outro para o menino e um terceiro para hóspedes, como os três filhos de Jairinho. Nesse período, Henry foi matriculado numa turma de 15 alunos da Pré-Escola do Colégio Marista São José, que fica a quatro minutos de carro do Majestic. Ele frequentou exatos 20 dias de aula. Funcionários, professoras e pais de aluno não chegaram a notar nenhuma anormalidade no comportamento da criança. 'Apaga as mensagens': babá relata orientação de Monique após a morte de Henry e promete se retratar no julgamento Henry também gostava de jogar futebol e, em um vídeo divulgado por Leniel nas redes sociais, balbuciava as primeiras cores em inglês. Em seu último fim de semana de vida, o menino visitou a casa da avó, foi a uma festa infantil e brincou no parque de diversões. Em área de lazer de condomínio: Menino morto por bala perdida na Pavuna estava em festa de primeira comunhão de amiga quando foi atingido De acordo com depoimentos prestados por Monique e Jairinho na 16ª DP (Barra da Tijuca), que apurou as circunstâncias da morte de Henry, o casal assistia a série “Narcos” na televisão do cômodo de hóspedes, quando, por volta de 3h30 do dia 8 de março, levantaram para deitar no quarto. Henry, que havia pegado no sono no local, como já era habitual, teria sido encontrado pelos dois caído no chão, com pés e mãos gelados e olhos revirados. Tinha câncer terminal: Polícia investiga suspeita de fraude em testamento de empresário morto que tinha patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão O laudo de necrópsia apontou que a criança sofreu hemorragia interna e laceração hepática e apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões que não seriam compatíveis, segundo peritos, com um acidente doméstico, como queda. Morte deu origem a lei protetiva Logo após a morte do filho, Leniel Borel criou uma campanha com o objetivo de aumentar a punição para assassinatos de crianças quando cometidos por madrastas ou padrastos. A iniciativa deu origem à Lei Henry Borel, que entrou em vigor em 2022. Desde então o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro deferiu mais de 6.600 medidas protetivas para crianças e adolescentes no estado. As decisões incluem afastamento do agressor, proibição de contato com a vítima, encaminhamento para atendimento especializado e até suspensão do porte de arma do investigado. Em 2023, houve 1.131 concessões integrais de medidas protetivas e outras 194 concessões parciais. Em 2025, os números saltaram para 2.040 decisões integrais e 324 parciais, um aumento de 113% no total de medidas deferidas no período. Apenas no ano passado, foram deferidas 1.913 decisões, o equivalente a 41% de todas as medidas protetivas concedidas desde a criação da lei. Inspirada na Lei Maria da Penha, a legislação criou mecanismos específicos de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar. A norma permite decisões urgentes da Justiça antes mesmo da conclusão do processo criminal, diante de indícios de risco à integridade física ou psicológica da vítima. Initial plugin text
Go to News Site