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'Heterocurioso': influenciadora trans aponta padrão recorrente em aplicativos de namoro | Collector
'Heterocurioso': influenciadora trans aponta padrão recorrente em aplicativos de namoro
Jornal O Globo

'Heterocurioso': influenciadora trans aponta padrão recorrente em aplicativos de namoro

A influenciadora trans Suellen Carey, de 38 anos, afirma ter percebido um padrão recorrente entre os homens que a abordam em aplicativos de namoro. Após receber uma série de mensagens semelhantes, ela passou a se referir a esse comportamento como o de "heterocuriosos" — perfis que, segundo sua observação, fazem questão de reforçar a própria heterossexualidade logo no início da conversa, antes de avançar para qualquer outro tipo de interação. Confira: Influenciadora fitness cria regra inusitada em seleção de personal trainer e divide opiniões Saiba: Quem é Bella Mantovani, a influenciadora por trás do 'chá revelação da traição' Suellen relata que o padrão começou a chamá-la atenção pela repetição e pelo teor das abordagens. De acordo com ela, muitos contatos seguem uma mesma lógica de apresentação. "Eu comecei a reparar que vários nem perguntavam meu nome direito. A primeira preocupação era dizer que eram héteros. Ninguém tinha perguntado nada e eles já estavam tentando reforçar isso. Aí vinha aquela conversa de que era sigiloso, discreto, que ninguém podia saber. Comecei a perceber que era sempre o mesmo roteiro", afirma. Com o tempo, ela diz ter reunido capturas de tela das conversas e identificado semelhanças entre os diferentes perfis. Embora os usuários mudem, a estrutura das mensagens, segundo Suellen, se repete. "É sempre parecido. O cara chega falando que é hétero, que nunca fez aquilo antes, que ninguém pode saber e que tudo precisa ser discreto. Depois de um tempo eu comecei a rir porque parecia que eu estava lendo a mesma conversa várias vezes. Foi aí que comecei a chamar esse perfil de heterocurioso. Porque eles chegam querendo provar que são héteros antes mesmo de saber quem eu sou", diz. A influenciadora afirma que esse tipo de abordagem se tornou tão frequente que já consegue identificá-la nos primeiros contatos. "O curioso não é eles me procurarem. O curioso é que muitos parecem mais preocupados em afirmar que são héteros do que em conversar. Às vezes eu leio duas linhas e já sei exatamente para onde a conversa vai. É sempre o mesmo roteiro", conclui.

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