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'Há 40 anos, não existia falar abertamente sobre sexualidade', diz Miguel Falabella, que estreia nova versão de 'Victor ou Victoria' | Collector
'Há 40 anos, não existia falar abertamente sobre sexualidade', diz Miguel Falabella, que estreia nova versão de 'Victor ou Victoria'
Jornal O Globo

'Há 40 anos, não existia falar abertamente sobre sexualidade', diz Miguel Falabella, que estreia nova versão de 'Victor ou Victoria'

Com a benção de Julie Andrews, Alessandra Verney sobe hoje ao palco do Teatro Claro Mais — junto com Miguel Falabella, Maria Clara Gueiros e Junno Andrade — como protagonista de “Victor ou Victoria”. Estrela do filme de 1982 e da adaptação da Broadway de 1995, ambas capitaneadas pelo então marido, Blake Edwards (1922-2010), a eterna noviça rebelde é a detentora dos direitos do musical e aprova cada atriz que vive Victoria Grant, a cantora desempregada que faz sucesso na Paris dos anos 1930 quando passa a se apresentar como Victor, um homem que performa como mulher. Programe-se: Luiz Fernando Guimarães, Falabella, Regina Casé e outras estrelas chegam ao teatro do Rio em junho 'O motociclista no globo da morte': Eduardo Moscovis faz sessões gratuitas de solo premiado no Rio — Para mim é praticamente um diploma, ser ouvida por ela e ter essa aprovação — brinca Alessandra, que se inspirou em Julie, Liza Minnelli e Raquel Welch, que viveram a personagem na gringa, e em Marília Pêra (1943-2015), estrela da versão brasileira de 2001. No espetáculo de 25 anos atrás, Claudio Botelho fez um de seus primeiros trabalhos de tradução, a partir das letras de Leslie Bricusse musicadas por Henry Mancini. Agora, ele revisita o texto, e assina a direção ao lado de Charles Möeller, com quem já produziu sucessos como “Mamma mia!” e “A noviça rebelde”. Desta vez, o diretor quer enfatizar o co-protagonista, Toddy (Miguel Falabella), cantor gay experiente que tem a ideia de transformar Victoria em Victor. Miguel Falabella, Alessandra Verney, Junno Andrade e Maria Clara Gueiros Divulgação/Priscilla Prade — Assim como Robert Preston (1918-1987), que faz o papel no filme, Miguel é um “top billing”, aquele nome que vem antes do título. E esse papel é a cara dele. Nesta montagem, Toddy é um feiticeiro, ele que faz tudo acontecer — diz Claudio. Se na trama Toddy é um mentor artístico de Victoria, nos bastidores o sentimento não é muito diferente. — Eu e Miguel trabalhamos juntos há muito tempo, e devo grande parte da minha carreira às oportunidades que ele me deu. Contracenar com ele é como estar em casa — conta Alessandra. Completam o núcleo principal King (Junno Andrade), gângster que se apaixona por Victor — e entra em crise com a própria sexualidade — e sua namorada, Norma (Maria Clara Gueiros). Da confusão, emergem reflexões bem-humoradas sobre masculinidade, papéis de gênero, amor e sexualidade disruptivas para a época. — Hoje é até "jurássico", de mau tom, falar da sexualidade dos outros, as pessoas são o que são e acabou. Mas há 40 anos havia muito preconceito — relembra Falabella. — Não existia falar disso abertamente, as pessoas sempre foram de extrema crueldade. E a sexualidade também poderia restringir os papéis de um ator. Eu driblei tudo isso, mas, para sobreviver, tinha que ser forte. O diretor complementa: — A discussão de gênero avançou bastante, mas é importante que o passado não suma, até por reverência a quem passou por isso. Serviço Onde: Teatro Claro Mais, Copacabana. Quando: de quinta (4) a 28 de junho. Que horas: qui e sex, às 20h. Sáb, às 16h e às 20h. Dom, às 15h e às 19h (exceto dias 13 e 19 de junho). Dias 11, 18 e 25 de junho, às 16h. Quanto: De R$ 50 (balcão) a R$ 450 (plateia vip). Classificação: 12 anos.

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