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Juntos no palco, separados nas redes: Tarcísio ignora Flávio em postagens sobre a Marcha Para Jesus | Collector
Juntos no palco, separados nas redes: Tarcísio ignora Flávio em postagens sobre a Marcha Para Jesus
Jornal O Globo

Juntos no palco, separados nas redes: Tarcísio ignora Flávio em postagens sobre a Marcha Para Jesus

A Marcha Para Jesus, na quinta-feira (5), em São Paulo, marcou o reencontro de dois aliados políticos que andavam distantes: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Eles discursaram no mesmo palco e passaram parte do evento juntos sobre o trio elétrico principal — no qual estava também o ministro Jorge Messias (AGU), representante do governo Lula no encontro. Os registros nas redes sociais no dia seguinte, porém, indicam que a relação ainda é, no melhor dos casos, morna. Desde a revelação das relações entre o filho do ex-presidente e Daniel Vorcaro, do Banco Master, existe uma espécie de "guerra fria" entre os núcleos de campanha de Flávio e Tarcísio. O governador adotou um distanciamento estratégico, com receio de se contaminar com "encrencas de terceiros", relatou um aliado ao GLOBO. Um levantamento da consultoria Bites mostra que Tarcísio mencionou Flávio diretamente uma única vez nas redes desde junho do ano passado. Para Jair Bolsonaro, como comparação, a métrica é outra: no mesmo período, o ex-presidente foi citado 53 vezes. E a Marcha Para Jesus, por ora, não teve o condão de reaproximar a dupla. Após o encontro, Tarcísio postou no Instagram dois vídeos editados com cenas da celebração — um deles de um minuto e meio, outro de um minuto. Em nenhuma das peças, Flávio sequer aparece nas imagens. O governador também fez postagens temporárias nos "stories" da rede social — novamente, sem a presença do candidato da direita à presidência da República. Flávio, por sua vez, chegou a postar uma foto com o governador eu seu perfil, abraçados sobre o trio elétrico, além de outra imagem na qual eles almoçam com aliados como o senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado estadual André do Prado (PL-SP). O GLOBO apurou que o entorno de Flávio se sentiu incomodado com a falta de apoio do Tarcísio no caso Master. A avaliação era de que declarações do governador de que Flávio devia explicações mostravam "um zagueiro que chuta a bola para a torcida, em vez de tocá-la e segurar o jogo”. Ambos não se falavam desde o lançamento da campanha ao Senado do deputado federal Guilherme Derrite (PP), no dia 15 de maio, por falta de iniciativa de parte a parte. Ainda assim, a expectativa das campanhas é de que a distância seja encurtada com a aproximação do período eleitoral — e que Tarcísio cumpra a promessa pública de organizar o palanque do senador em território paulista. Tarcísio era o preferido do centrão e de parte da direita para disputar a presidência em 2026, mas acabou preterido por Jair Bolsonaro, que escolheu o "filho 01" para representar o campo conservador contra o presidente Lula (PT), enquanto o governador disputará a reeleição em São Paulo. Política na Marcha x Jesus nas redes Apesar de uma promessa da organização da Marcha Para Jesus de vetar atos políticos, houve caminho livre para Flávio fazer discursos em tom eleitoral, associar o governo Lula ao "mundo do mal" e alegar uma suposta perseguição contra o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. — Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso desse governo do Brasil este ano. Em nome do senhor Jesus, amém — disse Flávio, ainda durante o percurso. Flávio postou o próprio discurso nas redes sociais nesta sexta-feira (5), incluindo os trechos de tom político. As postagens de Tarcísio, porém, se atêm somente ao tema da religiosidade. São vídeos sobre o suposto poder da fé cristã, da religiosidade e da comunhão dos fiéis. Na véspera do evento, o apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Apostólica Renascer em Cristo e organizador do evento, disse ao GLOBO que não haveria declarações do tipo. Antes de acessar o trio elétrico, ele reafirmou que não estava colocando o filho de Bolsonaro "num palanque" e que a conotação do evento "não é absolutamente política". Apesar disso, declarou que pessoalmente está inclinado a apoiar Flávio Bolsonaro. — Não tenho ainda uma definição de apoio, mas é uma tendência natural, até em função do quadro polarizado que temos hoje — declarou o religioso. À tarde, já na estrutura para shows montada na Praça Heróis da FEB, que atendeu a multidão após uma caminhada de 3km na capital paulista, Flávio foi novamente convidado a falar ao público, aos gritos de "Bolsonaro". O senador entrou no palco com os dedos apontados para o céu e cantou um louvor, enquanto carregava nos braços a bandeira israelense. — Quero pedir a todos que orem por Jair Messias Bolsonaro, pelo Brasil, que voltará a ser uma nação irmã de Israel. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. Flávio repete, assim, a postura do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, há quatro anos, quando também fez da Marcha para Jesus um suporte eleitoral. Na ocasião, Jair definiu a disputa contra Lula, da qual viria a sair derrotado, como uma "guerra do bem contra o mal" e afirmou ser "contra o aborto, a ideologia de gênero e a liberação das drogas", apostando na pauta de costumes que ressoa em públicos conservadores.

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