Jornal O Globo
A Raízen chegou a um acordo de recuperação extrajudicial com seus credores, em um passo importante nos esforços da produtora brasileira de açúcar e etanol para reorganizar seu endividamento, segundo pessoas com conhecimento do assunto. A companhia iniciou os procedimentos formais para submeter o acordo à Justiça, segundo as pessoas. O acordo reestrutura cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e conta com o apoio de credores que detêm cerca de 75% das obrigações incluídas no plano, segundo as pessoas, que pediram anonimato ao tratar de questões privadas. A proposta, a maior recuperação extrajudicial do país, inclui 19 instituições financeiras e 80 bondholders relevantes. A companhia chegou a um acordo com os credores antes do prazo final estabelecido pela justiça e após enfrentar resistência por parte dos detentores de dívida estrangeiros. O acordo converte 45% da dívida da companhia em ações e os 55% restantes em nova dívida. A empresa também irá separar o negócio de processamento de cana-de-açúcar da unidade de distribuição de combustíveis, com prazo até o final de 2027 para implementação. A empresa espera fazer um adendo ao plano e chegar a mais de 80% de adesão na segunda-feira. O diretor financeiro Lorival Luz vai assumir mais responsabilidades como diretor de reestruturação e o atual conselho de administração da companhia será mantido até o primeiro trimestre do próximo ano, deixando em aberto a possibilidade de o chairman Rubens Ometto permanecer no conselho após esse período, caso injete um aporte de capital de R$ 500 milhões. A companhia, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial em março, consequência de algumas apostas malsucedidas em etanol e combustível de aviação, além dos juros elevados e de safras mais fracas do que o esperado. Desde então, a Raízen tem buscado obter apoio dos credores para seu plano de reestruturação e evitar a necessidade de recorrer à recuperação judicial. A empresa enfrentava o prazo legal de 8 de junho para chegar a um acordo. Os títulos da Raízen acumularam forte queda nos últimos meses após a empresa avançar para o processo de reestruturação. Em fevereiro, a S&P rebaixou a nota da companhia em sete níveis, em um movimento descrito como um dos maiores rebaixamentos já aplicados a uma empresa brasileira. A Fitch Ratings reduziu a classificação em oito níveis.
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