Vogue Brasil
É mês do Orgulho, o que significa algumas coisas: muito sanduíche colorido de supermercado, uma quantidade clinicamente avassaladora de festas e ter que ouvir os brutamontes perguntando "e o orgulho hétero, quando é?". Mais importante, porém, também significa que tenho uma desculpa pra discorrer sobre um dos meus assuntos favoritos: filmes sáficos. Antes do boom dos filmes lésbicos em meados dos anos 2010 (impulsionado em parte por Azul É a Cor Mais Quente, de 2013), não era nada fácil achar o que assistir. Fora alguns cults como Eu, Eu Mesma e Irene... — não, calma, refiz: fora alguns cults como But I'm a Cheerleader (1999) e The Summer of Love (2004), além de outros desta lista, os filmes sáficos viviam confinados a produções de baixo orçamento ou a tramas de finais terrivelmente trágicos. Hoje, no entanto, há muito mais opções, e alguns dos melhores filmes sáficos estão entre os melhores filmes, ponto. Por isso, aqui vão oito das melhores histórias sáficas que já passaram pelas telas (se você quiser uma lista completa dos melhores filmes queer, também temos uma). Selecionar uma imagem Carol (2015) Não tem como ser melhor que Carol. Foi mal, mas não tem mesmo! As luvas, os olhares carregados, a fala "Que garota estranha você é... Caída do espaço". Aquela cena de sexo. Carol foi o primeiro filme sáfico que vi com um final mais ou menos feliz, o que, em 2015, ainda era revolucionário. Depois desse, eu confiaria minha vida ao diretor Todd Haynes. Tár (2022) Toda sáfica ama Tár porque tem alfaiataria impecável, interiores de matar e uma lésbica do mal interpretada por Cate Blanchett. Se "dyke camp" estivesse no dicionário, o Tár de Todd Field seria a definição. Além de retratar a comunidade musical LGBTQ sociopata, é simplesmente um filme incrível: tenso, estiloso, escandaloso. A Criada (2016) Assisti ao suspense psicológico sul-coreano A Criada — vagamente baseado em Fingersmith, de Sarah Waters — num projetor gigante numa virada de ano com as lésbicas que eu mais amo, e quando aquela cena de sexo apareceu na tela, a gente rebobinou e reviu três vezes. Ótima forma de começar 2017. Que importa que o filme tenha duas horas e meia? Devia ser mais longo. Love Lies Bleeding - O Amor Sangra (2024) Em Love Lies Bleeding, o olhar sáfico está em tudo. Está nas regatas, nos tênis surrados e nos shorts jeans cortados. Está no cigarro pendurado na boca de Kristen Stewart. Está quando Jackie pergunta "será que eu podia ficar aqui umas noites?" depois de ter se encontrado com a outra uma única vez. Está quando Lou — que, claro, se chama Lou — leva o gato junto na fuga. Um cult, se é que já vi algum. A Favorita (2018) As sáficas não têm filmes engraçados o suficiente, ainda mais dramas de época. Esse gênero costuma se resumir a duas mulheres passando frio de espartilho e trocando olhares furtivos até uma delas morrer. Não em A Favorita, que é uma delícia barulhenta, marota e deliciosamente desvairada. Não sei se Anne, a rainha da Inglaterra (aqui vivida por Olivia Colman), realmente se envolvia com duas primas rivais na vida real, mas também não dá pra dizer que não. The Watermelon Woman (1996) Quando The Watermelon Woman, autoficção de Cheryl Dunye, estreou em 1996 — o primeiro longa lançado comercialmente dirigido por uma lésbica negra, sobre uma atendente de locadora que tenta descobrir a identidade de uma atriz negra não creditada —, recebeu uma série de reclamações por causa de uma cena de sexo explícita entre as duas protagonistas, Cheryl e Diana. Em outras palavras: o público não aguentou o calor! Inventivo e de fato pioneiro, vale muito a pena. Cidade dos Sonhos (2001) Todo filme desta lista poderia ser chamado de "meu filme favorito", mas acho que esse é mesmo? Contar a trama seria inútil, porque é David Lynch, mas saiba apenas que é sobre uma atriz aspirante (Naomi Watts) que chega a Los Angeles e faz amizade com uma vítima de acidente de carro (Laura Harring) com amnésia. Venha pelas lésbicas, fique pela visão sombria e onírica que Lynch tem de Hollywood (ou o contrário). Bound (1996) Muito antes de Jennifer Tilly virar uma Real Housewife de Beverly Hills, ela era a namorada de um mafioso vivendo um caso clandestino com uma ex-presidiária de cabelo impecável e uma tatuagem de machado de duas lâminas (interpretada por Gina Gershon). Como não poderia deixar de ser, as duas bolam um plano pra roubar 2 milhões de dólares da máfia. Os melhores personagens sáficos são todos criminosos, na minha opinião, e os de Bound não são diferentes. Um cult duradouro das irmãs Wachowski, responsável por muita fantasia de Halloween desde então. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Vogue Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
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