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E aí, você concorda com a juíza, ou é machista?
Revista Oeste

E aí, você concorda com a juíza, ou é machista?

Sou pai, e dificilmente algo me afeta mais do que qualquer coisa, boa ou ruim, relacionada aos meus filhos. Certa vez, um psicólogo ateu me explicou como isso revela um mecanismo biológico complexo de manutenção da espécie. Até a última quinta-feira, inocentemente, acreditava que havia realmente poucas coisas no mundo contemporâneo que uniam direita e esquerda, conservadores e progressistas, estatistas e libertários, tradicionais e liberais, gays e héteros, homens e mulheres, brasileiros e argentinos e toda e qualquer outra dualidade de que tenha me esquecido, mais do que o clamor vital pela condenação de criminosos que abusam ou matam crianças. Tal defesa uníssona da modernidade pode ser sim a tal engrenagem de Darwin em pleno funcionamento, mas, seja como for, ela justa e naturalmente foi revestida no Ocidente por uma percepção mais profunda e simbólica de sacralidade: as crianças precisam ser defendidas. Tal estrutura moral, é verdade, não impede completamente que crimes abjetos e brutais ocorram, mas justifica as corretíssimas e inegáveis necessidades de punição severa aos que ousam machucar nossas crianças. Pensava que o sistema jurídico brasileiro ainda participava desse pacto óbvio de proteção às crianças, mas, para a juíza Elizabeth Louro, havia outro contrato mais importante a ser respeitado: a militância feminista . Henry Borel tinha apenas 4 anos quando foi assassinado. Ele foi levado já em óbito ao hospital pela mãe, Monique Medeiros, com 23 lesões graves em seu corpo, entre elas a laceração completa de seu fígado. Para ser mais exato, tinha lesões hemorrágicas no crânio, e, além do já citado fígado lacerado, havia outras lesões nos pulmões e nos rins. Os legistas destacaram ainda que notava-se um padrão de hematomas que sugeriam que a criança teria sido vítima de reais torturas por um longo espaço de tempo. Investigações posteriores, com mensagens de WhatsApp recuperadas, revelaram que a mãe sabia há semanas que o namorado Jairo Souza Santos Júnior (ex-vereador Doutor Jairinho) espancava sistematicamente seu filho. Monique silenciou e, até o caldo entornar, ficou ao lado do namorado defendendo a tese de que o menino teria caído da cama e desmaiado. A ciência criminal dispôs a todos no julgamento um caso completo de longa e repetida tortura infantil que culminou em uma morte assombrosa. A juíza, porém, decidiu que a reação social ante o crime de Monique foi “desproporcional” por ela ser mulher, algo que — para a juíza — se mostrava claramente uma ação “discriminatória de gênero, influenciada pela cultura patriarcal ”; e assim deu perdão judicial a Monique ante um país completamente incrédulo. https://www.youtube.com/watch?v=28bgNCHm2kg A decisão da juíza O que a juíza fez, ao final, foi tornar o feminismo cúmplice de um crime completamente abjeto. Não foi a sociedade patriarcal nem o gênero de sei lá quantas fluições que fez Monique se resignar no silêncio que empurrou seu próprio filho à morte de tortura, foi a escolha consciente e deliberada de uma mãe criminosa. E, se isso deixou de ser claro a uma magistrada empossada dos deveres de julgar um crime de assassinato infantil, então, sinceramente, a sociedade faliu miseravelmente. Temo que tenhamos retornado à época do julgamento ideológico, ou seja, voltamos à época da justiça politizada, ou seja — permitam-me a repetição —, regredimos uns cem anos na história recente. Temos uma juíza que claramente substituiu a percepção de justiça real pela cartilha ideológica do feminismo. Longe de entrar no debate sobre os benefícios e malefícios do feminismo militante, me parece óbvio que usar tal militância para escudar uma criminosa patente está além do que uma preferência de agenda deveria tocar. No fundo, a juíza nos vende uma perspectiva política do caso: Monique foi culpada de omissão, mas digna de perdão jurídico por ser mulher em uma sociedade patriarcal, perdoada pelo Estado por ter sofrido julgamentos sociais frutos de sua óbvia e comprovada omissão criminosa. Lembro-me de Brendan O’Neill dizendo em seu livro Manifesto Herege : “O identitarismo nos transforma em mentirosos”. No fundo é isso, a juíza mentiu para nós ao nos contar que, de algum modo, Monique é mais vítima do que culpada. E, quando abraçamos as bases ideárias que fundamentam as ideias da juíza, nos tornamos todos mentirosos com ela. Mentimos para os fatos, para as evidências, para a sociedade; o identitarismo perdoa e nos impele a aceitar que uma cúmplice de assassinato, devido a um “mecanismo de poder cultural falocêntrico”, seja na verdade vítima apesar das provas. E, no retrogosto desse ato, existe uma pergunta capciosa, feita de forma muda, mas real: e aí, você concorda com a juíza, ou é machista? + Entenda o que é Política em Oeste https://www.youtube.com/watch?v=C0AyX58JNpA O post E aí, você concorda com a juíza, ou é machista? apareceu primeiro em Revista Oeste .

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