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Vai sair de casa sem tomar café da manhã? Veja os efeitos negativos que isso pode causar na sua saúde
Jornal O Globo

Vai sair de casa sem tomar café da manhã? Veja os efeitos negativos que isso pode causar na sua saúde

Todas as manhãs, ao acordar, muitas pessoas se deparam com o desafio de seguir uma rotina acelerada. Neste contexto, o café da manhã, uma das refeições mais importantes do dia, costuma ser esquecido ou reduzido a um simples café. No entanto, este hábito tem implicações significativas para a saúde metabólica e o bem-estar geral, segundo vários especialistas. O café da manhã desempenha um papel fundamental no organismo, pois quebra o jejum noturno de 10 a 12 horas. Segundo Karen Velásquez Pérez, coordenadora de nutrição da Clínica Ricardo Palma. — O café da manhã é fundamental porque quebra o jejum noturno prolongado, que costuma durar entre 10 e 12 horas, e fornece ao corpo sua primeira fonte de energia, representando entre 20% e 25% da energia diária que necessitamos para nossas atividades — explica. Beth Czerwony, nutricionista da Cleveland Clinic, aponta, por sua vez, que um café da manhã balanceado não só melhora o desempenho cognitivo, físico e emocional, mas também previne a fadiga e o estresse. — Quem toma um café da manhã regularmente tende a fazer escolhas alimentares mais saudáveis durante o dia, o que lhe permite manter um bom controlo do peso e, portanto, um menor risco de obesidade e de doenças crónicas como a diabetes tipo 2 — afirma. Além disso, a refeição inicial estabiliza os níveis de glicose no sangue, é essencial para manter a energia, a concentração e o bom funcionamento do metabolismo ao longo do dia. As consequências de ignorar o café da manhã Pular esta refeição regularmente tem efeitos significativos no corpo. Segundo Carlos Guerreros, endocrinologista da Clínica Internacional, ao acordar o corpo precisa de glicose para funcionar bem. Na ausência de alimentos, as reservas de glicogênio são utilizadas como fonte de energia. Uma vez esgotado, a gliconeogênese hepática é ativada, o que obriga o corpo a buscar energia nos lipídios e nos adipócitos. Esse processo pode desencadear aumento na produção de insulina, gerando um estado hiperinsulinêmico que contribui para o desenvolvimento da síndrome metabólica, caracterizada por obesidade, hipertensão, dislipidemia, pré-diabetes e diabetes. Czerwony alerta que pular o café da manhã pode aumentar a sensação de fome no final do dia, levando ao consumo de alimentos com alto teor calórico em maiores quantidades. Isso afeta os hormônios reguladores do apetite, como a grelina e a leptina, gerando desequilíbrios calóricos e aumento do risco de obesidade. O impacto também se estende a outros órgãos. O médico intensivista Alex Jaymez destaca que o fígado é especialmente afetado, pois sua função metabólica pode ser comprometida pela atividade constante da gliconeogênese. Da mesma forma, o sistema cardiovascular enfrenta riscos devido aos altos níveis de ácidos graxos livres e à resistência à insulina, o que aumenta a probabilidade de aterosclerose e hipertensão. O cérebro não está imune aos efeitos de pular o café da manhã. Este órgão, que depende principalmente da glicose para funcionar, pode apresentar problemas de concentração, irritabilidade, distúrbios de humor e dificuldades de memória. Esses sintomas afetam diretamente o desempenho profissional e acadêmico. Por outro lado, os músculos também sofrem as consequências, já que o corpo recorre às proteínas musculares para obter energia na ausência de glicose, o que leva à perda de massa muscular e a um maior risco de lesões. A nível digestivo, o estômago produz mais ácido gástrico durante o jejum, o que pode causar gastrite, azia ou refluxo. — O cortisol, conhecido como hormônio do estresse, atinge o pico nas primeiras horas do dia. Portanto, pular o café da manhã pode prolongar os níveis elevados de cortisol, uma vez que o corpo percebe a falta de comida como uma situação estressante e responde liberando esse hormônio para mobilizar energia — explicou Czerwony. Erros comuns ao tomar café da manhã rapidamente ou com pouca nutrição Alimentos ultraprocessados: produtos como cereais açucarados, barras energéticas ou panificação industrial costumam ser ricos em calorias vazias, açúcares e gorduras, mas pobres em nutrientes essenciais. Negligenciar proteínas: a falta de alimentos como ovos, iogurte ou legumes dificulta a saciedade e afeta o equilíbrio energético. Tornar o café da manhã incompleto: Substituir um café da manhã completo por apenas um café ou uma fruta não oferece os nutrientes necessários. Adotar restrições extremas: eliminar grupos alimentares como carboidratos ou gorduras sem orientação profissional pode gerar ansiedade e falta de controle nutricional. Ignorar os sinais do corpo: comer automaticamente ou adiar o café da manhã até sentir muita fome pode causar alimentação compulsiva e desequilíbrios energéticos. — É fundamental mudar a ideia de que só devemos comer quando temos fome. Nosso corpo precisa de comida não apenas para satisfazer o apetite, mas também para obter os nutrientes e a energia necessários para funcionar adequadamente. Da mesma forma, não devemos esperar ter sede para nos hidratarmos, pois tanto comer como beber água são necessidades básicas do nosso corpo — disse Velásquez Pérez. Como deve ser um café da manhã balanceado? Segundo Beth Czerwony, um café da manhã saudável deve incluir os seguintes componentes: Proteínas: ovos, iogurte grego ou nozes. Carboidratos complexos: grãos, pão integral ou quinoa. Gorduras saudáveis: sementes de chia ou amêndoas. Fibra: frutas como maçã ou banana. A importância de horários regulares e descanso Manter horários organizados para as refeições principais é fundamental. Velásquez Pérez aconselha tomar o café da manhã entre as 7h00 e 8h00, dedicando pelo menos 20 minutos a esta refeição. Sugere também incluir lanches leves no meio da manhã e respeitar horários consistentes para almoço e jantar, o que promove o equilíbrio metabólico e hormonal. Por fim, recomenda-se jejuar à noite por 10 a 12 horas e dormir de 7 a 8 horas por dia para otimizar a saúde física e mental.

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