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Bruno e Dom: Justiça Federal decide que 'Colômbia' vai a júri popular como mandante dos crimes | Collector
Bruno e Dom: Justiça Federal decide que 'Colômbia' vai a júri popular como mandante dos crimes
Jornal O Globo

Bruno e Dom: Justiça Federal decide que 'Colômbia' vai a júri popular como mandante dos crimes

A Justiça Federal de Tabatinga decidiu nesta segunda-feira que Ruben Dario da Silva Villar, conhecido na região amazônica como "Colômbia", será julgado por um júri popular pelos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, ocorridos em junho de 2022. O crime completou quatro anos na última sexta-feira. A decisão é da juíza federal Cristina Lazzari Souza, que atendeu ao pedido do Ministério Público Federal (MPF) após analisar as investigações e concluir que existem provas de que os crimes aconteceram e pistas fortes o suficiente de que "Colômbia" foi o mandante e o financiador do duplo homicídio. A participação de "Colômbia" no crime foi revelada pelo GLOBO seis dias após a morte da dupla. Ao repassar a ordem que envia o acusado para o banco dos réus, a juíza negou um pedido da defesa para arquivar o caso por suposta falta de provas. A magistrada explicou que, nesta fase do processo, a Justiça não precisa ter certeza absoluta da culpa do réu — papel que cabe apenas aos sete cidadãos comuns que formarão o júri —, mas sim confirmar que a acusação faz sentido e tem base real. Para a Justiça, quem comanda e financia uma rede criminosa tem o controle sobre as ações dos executores, mesmo sem puxar o gatilho pessoalmente. A brutalidade das mortes foi detalhada no processo por meio de exames detalhados da Polícia Federal. Os laudos médicos comprovaram que Bruno Pereira foi morto com pelo menos três tiros de espingarda de caça (um no rosto e dois nas costas), enquanto Dom Phillips foi atingido por pelo menos um tiro. Os médicos da polícia também identificaram manchas de sangue que provam que as duas vítimas estavam vivas quando foram baleadas. Telefonemas foram rastreados Peruano Rubens Villar Coelho, conhecido como Colômbia, é suspeito de ser o mandante dos homicídios do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillip Reprodução/TV Globo Os restos mortais e os objetos das vítimas foram encontrados escondidos perto do Rio Ituí, na zona rural de Atalaia do Norte, e identificados por testes de DNA e exames na arcada dentária. Para ligar "Colômbia" aos assassinatos, as investigações rastrearam ligações telefônicas frequentes entre ele e os pescadores que cometeram o crime, como Amarildo da Costa de Oliveira, o "Pelado". Os telefonemas aconteceram inclusive nos dias 4, 5 e 6 de junho de 2022, coincidindo exatamente com a véspera e o dia das mortes. Além disso, a polícia usou um agente disfarçado em uma cela onde os suspeitos estavam presos. Nessa gravação, "Colômbia" foi flagrado conversando com os outros detalhes sobre a entrega dos cartuchos de munição usados ​​na emboscada e sobre o pagamento dos advogados de defesa dos executores. A investigação aponta que o crime foi motivado por dinheiro e vingança. Como Bruno Pereira liderou uma forte fiscalização contra a caça e a pesca ilegal na Terra Indígena Vale do Javari, o trabalho dele causou grandes prejuízos financeiros à quadrilha chefiada por "Colômbia", que comprou o pescado ilegal para revender no Peru e na Colômbia. Registro de Bruno Pereira e Dom Phillips em Tabatinga, no estado do Amazonas, a caminho do Vale do Javari, em 2018 Divulgação/Gary Calton/2018 Pouco antes dos assassinatos, Bruno tinha percebido uma enorme carga de peixes e tracajás que pertencia a Jânio Freitas, apontada como o braço-direito do mandante, o que gerou as ameaças de morte contra o indigenista. O fazendeiro responderá por homicídio com agravantes que podem aumentar sua pena. No caso de Bruno, o crime é considerado cruel por envolver uma emboscada motivada por ganância financeira. Já a morte de Dom Phillips terá um agravante extra: ele foi assassinado apenas para ocultar o primeiro crime e garantir que os assassinos fiquem impunes, já que o jornalista britânico testemunhou o ataque ao indigenista. A defesa da “Colômbia” ainda pode solicitar a decisão no tribunal em Brasília, mas, se a ordem for mantida, o julgamento final será agendado em Tabatinga. *Em atualização

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