Revista Oeste
Os cortes de despesas anunciados no fim de maio para o Ministério da Defesa colocou a pasta entre as mais afetadas pelas medidas de cumprimento das metas fiscais. O ministério terá de absorver uma contenção de R$ 2,6 bilhões em seu orçamento de 2026, medida que levou as Forças Armadas a revisar despesas e reavaliar o planejamento de programas e atividades. + Leia mais notícias de Política em Oeste Além da preocupação, a determinação foi alvo de críticas de oficiais e autoridades, representadas no desabafo de Nelson During, editor do portal DefesaNet, em editorial. O ministério, segundo suas palavras, opera agora no 'modo sobrevivência." "[O corte] representa muito mais do que um simples ajuste fiscal", declarou o especialista, na quarta-feira 3. "Na prática, trata-se de uma medida que inviabiliza a continuidade da quase totalidade dos projetos estratégicos das Forças Armadas brasileiras e aprofunda um processo de desmonte gradual da capacidade militar do país." Ele acrescentou que a gravidade da situação preocupa principalmente neste que, segundo ele, é um momento em que Exército, Marinha e Força Aérea já operam sob forte restrição orçamentária. Acumulam atrasos em programas estratégicos, dificuldades logísticas e crescentes limitações operacionais. "O impacto é devastador", ressaltou, também citando a perda de força política do ministro José Múcio, inclusive porque ele foi um dos apoiadores do nome de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, para o Supremo Tribunal Federal , rejeitado pelo Senado, no fim de abril. "Projetos de modernização, aquisição de equipamentos, manutenção de meios, desenvolvimento tecnológico e programas industriais de defesa passam a operar em estado crítico. Em muitos casos, o problema já não é mais desacelerar programas, é simplesmente garantir sua sobrevivência administrativa e financeira." Segundo apuração da CNN junto a integrantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea, a redução de recursos deverá afetar a compra de combustíveis, munições, a realização de treinamentos e a execução de projetos considerados estratégicos. Militares afirmam que a falta de previsibilidade sobre a liberação dos recursos dificulta o planejamento operacional e administrativo. Do total de R$ 2,6 bilhões, R$ 691,9 milhões correspondem a bloqueios orçamentários, cuja liberação depende de melhora das contas públicas, enquanto R$ 1,9 bilhão refere-se a contingenciamentos que poderão ser revertidos caso haja aumento da arrecadação federal. Oficiais-generais relataram à emissora que o volume da contenção superou as expectativas iniciais. Entre os efeitos analisados pelas três Forças estão o adiamento de projetos, a revisão de cronogramas e a readequação de atividades previstas para os próximos meses. Corte na Defesa em contexto desfavorável O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que acompanha com preocupação os impactos da medida. “Estou preocupado", disse ao veículo, referindo-se à situação das Forças Armadas com a contenção dos gastos públicos. As cúpulas das três forças já começaram a rediscutir o orçamento e os ajustes que vão ter que ser feitos com essas condições econômicas que não são positivas para as Forças Armadas nesse momento. Leia mais: "Brasil tenta vender armas e aviões para a Argentina" A restrição orçamentária ocorre em um momento de aumento dos investimentos militares em diversas regiões do mundo. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, países europeus ampliaram seus orçamentos de defesa, aceleraram programas de modernização e reforçaram a aquisição de equipamentos militares. Os Estados Unidos também elevaram seus gastos militares, enquanto membros da OTAN passaram a ampliar as metas de investimento no setor. Na Ásia, países como Japão e Coreia do Sul anunciaram aumentos de recursos destinados à defesa diante das tensões regionais. O post Cortes colocam Ministério da Defesa em ‘modo sobrevivência’ apareceu primeiro em Revista Oeste .
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