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Estudo da Linha 3 do metrô prevê oito estações em Niterói; prefeitura critica traçado | Collector
Estudo da Linha 3 do metrô prevê oito estações em Niterói; prefeitura critica traçado
Jornal O Globo

Estudo da Linha 3 do metrô prevê oito estações em Niterói; prefeitura critica traçado

O estudo do projeto Planos de Transportes Urbanos Sustentáveis e de Desenvolvimento Integrado (Prisma), desenvolvido pela Coppe/UFRJ, apresentado durante um evento na semana passada, prevê oito estações da Linha 3 do metrô em Niterói, conectando bairros da Zona Sul e da Região Norte a São Gonçalo, Itaboraí e ao Rio de Janeiro. De acordo com a proposta apresentada pelo coordenador do estudo, o professor Romulo Orrico, a linha partiria da estação Carioca, no Centro do Rio, passaria pelo Aeroporto Santos Dumont e cruzaria a Baía de Guanabara, de forma subaquática, em direção a Niterói. Após decisão do Rio: Sindicato quer fim do dinheiro nos ônibus de Niterói Super El Niño: Niterói reforça ações para enfrentar fenômeno após registrar quase cem focos de incêndio em 2026 Na cidade, as paradas seriam Gragoatá (UFF), Praça do Rink, no Centro; Icaraí, Santa Rosa, Noronha Torrezão, Alameda São Boaventura (Fonseca), Colégio Pedro II e Barreto, antes de avançar para São Gonçalo e Itaboraí. O traçado completo, ligando as três cidades do Leste Fluminense, teria cerca de 50 quilômetros de extensão e 29 estações. Ponto de discórdia Apesar de o próprio prefeito, Rodrigo Neves, reiterar diversas vezes a necessidade da linha, para desafogar o trânsito interno, a Secretaria municipal de Mobilidade e Infraestrutura destacou, em nota, que o traçado inicial apresentado “tem problemas graves, do ponto de vista da prefeitura de Niterói, porque prevê que a eventual futura linha vindo de Itaboraí e São Gonçalo passaria por Icaraí antes do Centro, quando o ideal seria passar antes pelo Centro e depois pela Zona Sul de Niterói”. A pasta disse ainda que o estudo está “em estágio muito inicial” e afirmou não ter sido consultada oficialmente sobre as estações que vão cortar a cidade. Ao comentar sobre essa ponderação, Orrico afirmou não enxergar qualquer problema com a questão. Ele lembra que o movimento pendular entre os munícipios já é um fluxo observado, destacando que diversos trabalhadores de Niterói vêm das cidades vizinhas. — Temos um olhar muito atento a Niterói, e esse trajeto não traz nenhum prejuízo, porque essa observação está levando em conta apenas o trajeto de volta. E Niterói tem um ótimo planejamento urbano de transporte. Exemplo disso é a futura chegada do VLT, que também foi levado em consideração quando apontamos os locais das estações, que podem sofrer alguma alteração a partir dos avanços dos estudos geológicos. Quem sair de São Gonçalo e quiser acessar o Centro de Niterói vai ter a integração com o VLT, sem a necessidade de passar por Icaraí antes — disse o professor ao comentar que o VLT e o metrô não vão competir por demanda na cidade. Orrico aponta ainda que o traçado foi escolhido considerando o menor custo possível com a travessia subaquática da linha. — A distância entre o Aeroporto Santos Dumont e Niterói é uma dos menores na Baía de Guanabara. Já pensaram em fazer a estação partindo da Praça Quinze, mas isso aumentaria consideravelmente o custo final — explicou. 'Isso deixa a gente revoltado': Após ser vítima de pelo menos 12 furtos, comerciante de Icaraí desabafa Pela proposta apresentada na semana passada, a primeira estação em Niterói seria a da UFF, no Gragoatá, atendendo diretamente a um dos maiores polos universitários do estado, que hoje tem cerca de 30 mil alunos. Em seguida, o metrô chegaria à Praça do Rink, área estratégica do Centro da cidade, próxima à estação das barcas e ao terminal rodoviário, fortalecendo a integração entre diferentes modais de transporte. O trajeto seguiria para Icaraí, bairro mais populoso e um dos principais centros comerciais de Niterói. A inclusão da estação é considerada estratégica pelo grande volume diário de deslocamentos em direção ao Rio. Segundo o estudo, uma viagem entre Icaraí e o Aeroporto Santos Dumont, que atualmente leva cerca de 75 minutos de carro, poderia ser realizada em apenas 11 minutos pelo sistema metroviário. Após Icaraí, o metrô avançaria para Santa Rosa e Noronha Torrezão, divisa com o bairro do Cubango, atendendo áreas de alta densidade populacional e importantes corredores de ônibus. As duas estações aproximariam moradores de bairros da Zona Sul e de parte da Zona Norte de um sistema de transporte de alta capacidade, reduzindo a dependência do transporte rodoviário. O traçado então alcançaria a Alameda São Boaventura, principal eixo viário do Fonseca e uma das vias mais movimentadas da cidade. A previsão de uma estação na região reforça o papel do bairro como porta de entrada de Niterói para quem chega de São Gonçalo, Itaboraí e até Maricá. Na sequência, a linha atenderia à região do Colégio Pedro II e Barreto, ambas no mesmo bairro. Veja imagens de ressaca no Flamengo há 100 anos: Filmes raros são atração de congresso sobre os primeiros anos do cinema CDL elogia proposta Entre os setores que veem com entusiasmo a proposta está o comércio do Centro. A previsão de uma estação do metrô na Praça do Rink é apontada por empresários como uma oportunidade para aumentar a circulação de pessoas na região e impulsionar a revitalização da área. Presidente da CDL Niterói, Luiz Vieira avalia que o projeto pode recuperar uma dinâmica já vivida pelo entorno décadas atrás. — O projeto foi bem recebido e acreditamos que será um impulsionador para a revitalização do Centro, tendo em vista a maior movimentação de pessoas ao redor do Rink. O local antigamente era um terminal de ônibus, e isso era positivamente notado e valorizado pelos comerciantes locais. A iniciativa foi ótima — afirmou. Morador de Santa Rosa e professor da rede municipal de Itaboraí, Leonardo Lusitano acompanha com expectativa os estudos para a implantação da Linha 3 do metrô. Acostumado a enfrentar deslocamentos entre as duas cidades, ele vê no projeto a possibilidade de uma mudança significativa na mobilidade da Região Leste Metropolitana. — Acho que ainda é uma realidade distante, porque a gente já ouviu falar da Linha 3 durante muitos anos sem ver nada acontecer. Mas fico otimista com esse novo estudo. Para quem mora em Niterói e trabalha em Itaboraí, como eu, seria uma transformação enorme. A região cresceu muito e continua dependente dos ônibus e dos carros — afirma. A escolha das estações faz parte de um estudo que analisou oito projetos anteriores de metrô elaborados entre 1968 e 2017. A equipe da Coppe desenvolveu uma metodologia própria baseada em 12 variáveis, incluindo densidade populacional, geração de empregos, matrículas escolares, vulnerabilidade social e potencial de desenvolvimento urbano. Solicitado pelo governo federal, o estudo foi lançado em junho de 2025, com prazo de 30 meses para conclusão e custo estimado em R$ 26 milhões. O objetivo é oferecer base técnica para decisões sobre traçado, viabilidade econômica e impactos sociais do trajeto. O desenvolvimento está a cargo de dois laboratórios da Coppe/UFRJ: a Rede de Estudos em Engenharia e Socioeconômicos de Transportes (Reset) e o Laboratório de Otimização e Sistemas de Informações Geográficas (OPTGIS). Initial plugin text

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